quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Portugal de 1945 até 1974


Imobilismo político
António de Oliveira Salazar
Com a erradicação dos fascismos, Portugal acaba por se tornar uma de duas ditaduras na Europa. No entanto, Salazar acaba por tomar algumas medidas que aproximavam a nação de um destino mais democrático. Pretendia renovar a imagem do país e é neste contexto que toma essas tais medidas como que a empreender um recuo táctico. Concede a amnistia a alguns presos políticos, esquecendo a sua oposição ao governo, de modo a causar boa impressão no contexto internacional. Renova a PVDE, passando esta a chamar-se PIDE – Polícia Internacional de Defesa do Estado. Também neste período antecipou a revisão constitucional de modo a introduzir o sistema de eleição dos deputados por círculos eleitorais, em vez de um círculo nacional único. Ainda dissolveu a Assembleia Nacional e convocou novas eleições “tão livres como as da livre Inglaterra”. No entanto, a estrutura desta nova política acabou por ser ilusória, na medida em que não era concedida liberdade aos partidos candidatos na intervenção política junto dos eleitores. Ao mesmo tempo, os falecidos continuavam a votar, na medida em que os cadernos eleitorais não eram renovados, o que prova a manipulação dos resultados. Nesta ordem de ideias, as forças da oposição frequentemente desistiam à boca das urnas, por não quererem legitimar a manipulação da União Nacional. Como já disse anteriormente, o anúncio do carácter democrático das eleições era uma mentira, que apenas servia para dar cumprimento aquilo que se encontrava escrito na Constituição e para iludir a democracia internacional. Esta farsa que cobria o verdadeiro regime português, iludiu os opositores ao regime, que rapidamente se manifestaram, passando a ser mais conhecidos e por isso mais perseguidos. Eram presos, perdiam empregos no sector público ou eram exilados.

“(…) subitamente, proclamou liberdade de imprensa e eleições livres para uma nova Assembleia Nacional. (…) Duas semanas depois da proclamação (…) realizou-se a primeira reunião do Movimento de Unidade Democrática (MUD). Para espanto do próprio MUD, os apoiantes choveram aos milhares. (…)
Quando o governo se compenetrou de que poderia ser derrotado nas urnas, tomou três decisões que travaram o MUD: 1) recusa de adiar as eleições o suficiente para o MUD organizar a campanha; 2) recusa de livre acesso aos cadernos eleitorais (…); e 3) avisos de que, qualquer que fosse o resultado das urnas, a nova liberdade acabaria no dia da eleição. O MUD recusou pactuar com estas regras; só os candidatos de Salazar se submeteram à votação.” How Bad is the Best, artigo da revista “Time”, 22 de Julho de 1946.

No entanto, mesmo com estas características de ditadura, Portugal recebeu apoios americanos e ingleses na medida em que o carácter anticomunista do Estado lhes agradava. Prova disso é a aceitação de Portugal como país fundador da NATO, em 1939, e como membro da ONU, em 1955.

Vendo que as promessas de Salazar não passariam de ilusões e perante a dúvida em relação àquilo que iriam ser as eleições de 1945, a oposição organiza-se numa luta contra o regime, tendo sido o MUD – Movimento de Unidade Democrática – o primeiro organismo da luta. Procuraram denunciar o regime e a sua falta de liberdade, reclamando eleições livres e justas. O movimento teve um grande impacto na opinião pública, tendo a adesão crescido por todo o país, formando a oposição democrática.
General Norton de Matos
Em 1949, ano de eleições para a Presidência da República, a oposição apresenta, pela primeira vez, General Norton de Matos. Mas mais uma vez, apesar do seu prestígio político, face a um aumento da repressão e vendo uma inevitável derrota, o candidato da oposição desiste à boca das urnas. A vitória coube a Craveiro Lopes, o candidato de Salazar.
Todavia, é a candidatura do General Norton de Matos que vai motivar uma forte mobilização popular contra o regime ditatorial de Oliveira Salazar.

1958 é ano de novas eleições, mais uma vez para a Presidência da República. Após alguma deliberação, Humberto Delgado é o candidato escolhido para fazer frente a Américo Tomás.

“A primeira pergunta que surgiu foi a seguinte:
- Se fosse eleito Presidente da Republica, o que faria do Presidente do Conselho?
- Obviamente demitia-o!” Artigo do Jornal de Notícias, de 11 de Maio de 1958

Porto, 1958
General Humberto Delgado
saúda a multidão
À sua volta faz-se sentir um apoio tão fervoroso, que a acção repressiva do Governo se intensifica. Mas mesmo assim, e sabendo que recorreriam à burla eleitoral, Humberto Delgado levou a sua candidatura até às urnas, apelando ao voto de todos os que queriam desmascarar “os inimigos do povo e dos princípios cristãos”. Mais uma vez, a vitória demonstra-se esmagadora a favor de Américo Tomás.

“Ex. Sr. Almirante Américo Tomás
Num país civilizado e democrático de eleições livres, eu teria enviado a V.ª Ex.ª um telegrama de parabéns pela vitória nas eleições (…). Sucede, porém, que fui violentamente roubado nas eleições, além de perseguido e vexado (…) [Por isso] muito lamento que V.ª Ex.ª se decida a aceitar um cargo obtido por aquela forma.
Porque talvez V.ª Ex.ª desconheça, transcrevo por tradução um passo do New York Times de 10 do corrente:
«O general Humberto Delgado, é claro, perdeu por uma larga maioria a favor do candidato escolhido por António de Oliveira Salazar, o ditador e primeiro-ministro. O nome do vencedor é, por acaso, almirante Américo Tomás, mas isso não tem qualquer importância. Ele não terá qualquer poder e o doutor Salazar podia da mesma forma ter escolhido o polícia de trânsito mais à mão.»” Carta de Humberto Delgado a Américo Tomás

No entanto, desta vez, a credibilidade do governo fica vivamente abalada e Salazar sabia que não conseguiria continuar a enganar a opinião pública e a esquivar-se das pressões internacionais. Por isso, a Constituição acaba por sofrer uma alteração e a eleição do Presidente da República passa de eleição por sufrágio directo para eleição por um colégio eleitoral restrito.
Humberto Delgado acabou por ser destituído das suas funções militares e, para manter unidas as forças da oposição, criou o Movimento Nacional Independente. Apercebendo-se que se preparava para a sua morte, após um aviso de dentro do regime, o General refugia-se na Embaixada do Brasil, em 1959, partindo para o país carioca nesse mesmo ano. Em 1963 acabou por se fixar na Argélia, onde passaria a dirigir a Frente Patriótica de Libertação Nacional. A sua acção era tão lesiva para o regime que Salazar decreta a sua eliminação física. Em 1965, Humberto Delgado dirige-se a Badajoz onde acreditava ir encontrar-se com oficiais portugueses interessados em derrubar o regime, mas era tudo uma cilada organizada pela PIDE que culminou na sua morte.

Para que se continuasse a luta por um país democrático, a oposição procurou intensificar a sua acção de contestação, recorrendo a uma série de actos de maior impacto.

D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto, enviou uma carta a Oliveira Salazar, em defesa da doutrina social da Igreja, produzindo uma série de críticas à situação político-social e religiosa do país: “(…) Está-se perdendo a causa da Igreja na alma do povo, dos operários e da juventude; se esta se perde, que podemos esperar nós da sorte da Nação? (…) Não poderei dizer o quanto me aflige o já exclusivo privilégio português do mendigo, do pé descalço, do maltrapilho, do farrapão; (…) altas médias de subalimentados, de crianças enxovalhadas, exangues e de rostos pálidos (da fome, do vício)” Carta do Bispo do Porto a Salazar, 13 de Julho de 1958

Em 1961, Henrique Galvão, assalta e ocupa o navio Santa Maria, desencadeando assim a “Operação Dulcineia”. Este projecto foi concebido pela DRIL, organização de resistência antifascista estruturada para a acção directa armada. Criada na Venezuela, em Janeiro de 1960, congregava exilados da União dos Combatentes Espanhóis, pelo lado espanhol, e do Movimento Nacional Independente, pelo lado luso. Procuravam protestar contra a falta de liberdade cívica e política característica da ditadura. Salazar, procurou rotular este assalto como “pirataria internacional” impulsionada pelo comunismo, mas, nas instâncias internacionais, foi entendido como um acto de protesto legítimo. Henrique Galvão acabou por se entregar à armada americana, que o conduziu para o exílio no Brasil.
A forte repercussão mundial dos propósitos políticos de Galvão e seus companheiros e o isolamento externo a que se vê remetido o Governo no caso Santa Maria, deixam adivinhar, nesse Janeiro de 1961, o início de um ano crítico para o regime, tanto no plano interno como no plano internacional. 

Ainda no mesmo ano, Palma Inácio, juntamente com o grupo de oposicionistas que lidera, toma de assalto um avião da TAP, protagonizando assim a Operação Vagô. O avião sobrevoou Lisboa, Barreiro, Setúbal, Beja e Faro a baixa altitude, lançando cerca de 100 mil panfletos de propaganda antifascista. Os caças da Força Aérea não conseguiram interceptar o avião antes de este voltar a Casablanca, para desespero do regime. 
Palma Inácio
Palma Inácio regressou ao Brasil, onde se encontrava anteriormente ao assalto, preparando um assalto, devido à necessidade de fundos para financiar as suas acções contra o regime. Esse assalto realizou-se em 1967, a uma dependência do Banco de Portugal, na Figueira da Foz. Esta acção do LUAR – Liga de Unidade e Acção Revolucionária –, liderado por Palma Inácio, foi a que mais feriu o orgulho de Salazar, pois os seus pedidos de extradição às autoridades estrangeiras foram recusados, uma vez que os respectivos órgãos judiciais compreenderam que se tratara de uma operação de carácter político.

O regime de Oliveira Salazar tremia permanentemente em resultado das inúmeras acções violentas, como assaltos, atentados bombistas, acções de sabotagem…

Economia
No campo económico, entre o fim da 2ª Guerra Mundial o fim do Estado Novo, em 1974, Portugal viveu um período de evidentes contradições no crescimento. O crescimento tardio português não acompanhou o desenvolvimento capitalista no ocidente europeu, onde houve um surto industrial e urbano. A actividade agrícola continuava a ser a actividade dominante, embora esta fosse pouco desenvolvida, tornando Portugal num dos países mais atrasados da Europa. Cerca de 40% da população estava empregue neste sector, embora este só contribuísse em cerca de 25% da riqueza nacional. Sendo assim, é fácil depreender que, os projectos de auto-suficiência económica, no que tocam à agricultura, não estavam a ser cumpridos. Com tão pouca produção era necessário importar grande parte dos produtos agrícolas. 

Era difícil proceder-se à modernização do sector primário devido à assimetria na dimensão e titularidade da terra, verificando-se minifúndios no Norte e latifúndios no Sul. No entanto, por mais que esta estrutura quisesse ser alterada, os proprietários não se encontravam dispostos a aderir às propostas de modernização. No Norte os proprietários preferiam continuar com a terra que lhes garantia subsistência, enquanto que, no Sul preferiam continuar a viver à custa dos baixos salários concedidos aos trabalhadores e dos subsídios, mal aproveitados, concedidos pelo Estado. Por outro lado, os anos 60 vieram motivar o êxodo rural. O desenvolvimento industrial nas grandes cidades motivava a saída da população rural para os centros urbanos em busca de melhores condições de vida. A população rural que se mantinha continuava a apostar na produção de alimentos pobres, que já não correspondiam ao poder de compra da população, que agora podia comprar carne, ovos e fruta. Sendo assim, a única solução continuava a ser a importação, agravando as contas do Estado.

Emigrantes portugueses chegam a uma
estação de caminhos de ferro na Europa  Central
A emigração também se fez sentir. A população essencialmente rural, homens (cerca de 30% dos 15 aos 29 anos; e de 20% dos 30 aos 44 anos) sem formação emigravam para os países desenvolvidos da Europa, particularmente para a Alemanha e França, e também para as províncias ultramarinas. Ainda que em minoria, também o continente americano e a África do Sul acolherem portugueses. 
Esta população tentava responder à falta de mão-de-obra na Europa, uma vez que era necessária a sua reconstrução após a 2ª Guerra Mundial. Procuravam melhores condições de vida, com salários mais altos, fugindo à miséria que a vida rural lhes proporcionava. Assim, aceitavam qualquer trabalho que lhes oferecesse um rendimento mais alto que aquele que alguma vez poderiam atingir em Portugal.
O pico da emigração foi nos anos 60, o que se justifica pela tentativa de fuga ao serviço militar obrigatório e à Guerra Colonial. Desde o inicio da guerra até ao seu fim, emigram cerca de 1 446 461 pessoas. 
Muita desta emigração, como falarei de seguida, era ilegal. Por exemplo no ano 1970, 61,7% dos emigrantes eram ilegais. 
Família portuguesa num bidonville em Paris, 1964
Outra das razões da emigração foi a fuga à ditadura e à falta de liberdade do regime Salazarista. Os emigrantes deslocavam-se para países democráticos, onde podiam usufruir de direitos que o Estado Novo lhes negava.
Até Salazar despenalizar a emigração clandestina, por perceber que as remessas dos emigrantes seriam importantes no equilíbrio da balança, esta era a forma mais utilizada para sair do país. Os engajadores conduziam aqueles que queriam emigrar por roteiros fronteiriços a troco de avultadas importâncias, acabando muitas vezes os emigrantes por ser presos pela PIDE, GNR ou Guarda Fiscal. Os que chegavam pela via clandestina não tinham qualquer protecção civil no novo país e por isso ficavam alojados em barracas ou bidonvilles, onde os ajudavam a encontrar emprego.

As consequências da emigração para o nosso país foram bem visíveis. Os familiares, que ficavam em Portugal, recebiam dinheiro dos emigrantes, o que lhes permitia atingir um nível de vida a que antes não tinham acesso: enviavam os filhos para as escolas, compravam produtos importados, afirmava-se o novo riquismo. Para o regime, as remessas dos emigrantes revelaram-se positivas, na medida em que equilibravam a balança comercial. A contestação do regime acaba por diminuir, acabando por se viver um período de pacificação social e política, uma vez que quem emigra são pessoas que se encontram insatisfeitas com o Governo.
No entanto, as consequências não foram todas positivas. O atraso agrícola mantinha-se por duas razões: por um lado, porque o interior se desertificava; por outro lado, “o dinheiro dos emigrantes passou a alimentar o luxo e a vaidade das camponesas, que se recusavam agora a ir servir, como criadas, ou a trabalhar no campo por conta de outrem (…)”. A população masculina diminui, o que também prejudica os valores de natalidade, contribuindo assim para o envelhecimento da população.

Desenvolvimento da Indústria
Alguns detentores de capital afirmavam ser a indústria o verdadeiro motor do sistema económico nacional. Ao mesmo tempo que esta posição ganhava relevo, a agricultura revela-se cada vez mais deficitária e incapaz de corresponder às necessidades do mercado consumidor. Nesta ordem de ideias lançam-se 4 Planos de Fomento: I, II, Intercalar e III.

Durando entre os anos 50 e 60, o desenvolvimento da indústria insere-se no regime nacionalista e autárcica característico, sendo submetido a rigorosas regras de condicionamento, de modo a diminuir as importações e substitui-las por produtos nacionais.
O I Plano, entre 1953 e 1958, procura criar infra-estruturas de modo a desenvolver os sectores eléctrico, dos transportes e das comunicações. “O produto bruto gerado na indústria aumentou, de 1952 para 1958, cerca de 36%, expansão que corresponde a uma taxa média de crescimento de 5,25% ao ano, aproximadamente” in Relatório Final da Execução do I Plano de Fomento, 1959. 
No entanto, como também nos mostra o quadro IV do Relatório Final da Execução do I Plano de Fomento, a população activa a trabalhar na agricultura, entre 1953 e 1958, apenas diminui de 48, 9% para 48,7%. Já a população empregue no sector secundário sobe de 24,8% para 25,9%.


O II Plano, entre 1959 e 1964, que se revelou mais ambicioso, obteve resultados mais evidentes. Coincidiu com o arranque da política de fomento económico das colónias, com a integração de Portugal, em 1960, na EFTA, com a assinatura dos acordos do BIRD e FMI e com a assinatura do protocolo do GATT, em 1962. “O ingresso de Portugal nas instituições de Bretton Woods abriu, assim, o caminho para o investimento de capitais externos dirigidos ao desenvolvimento económico português, tudo levando a prever que nos próximos anos de execução do Plano de Fomento se registará uma elevada participação desses capitais no financiamento de empreendimentos programados”. In Relatório da execução do II Plano de Fomento, I) Metrópole, 1961. 
O sector que viu um crescimento mais acentuado foi a indústria pesada, particularmente a siderurgia, a metalomecânica, a petroquímica, os adubos e a celulose.

Entre 1965 e 1967 é criado um Plano Intercalar de Fomento que evidencia a importância da abertura ao exterior e o reforço da economia privada como as grandes opções. Nesta ordem a política autárcica não se enquadrava com a livre concorrência cada vez mais popular na Europa e é por isso que estes anos marcam o fim do ciclo conservador e ruralista de Oliveira Salazar. Nestes anos, a indústria cresce, no seu total 25%.

Marcello Caetano tinha sido nomeado para o Conselho de Ministros em 1968, para substituir Oliveira Salazar. É já no seu mandato que é lançado o III Plano de Fomento, que vigoraria até 1973, e que vem confirmar a internacionalização da economia portuguesa. Graças a este plano a industria privada desenvolve-se, assim como o sector terciário. “A perda de posição do sector primário deve considerar-se normal numa economia em vias de industrialização. A participação do sector secundário deverá atingir cerca de 49% (…)” in Revisão do III Plano de Fomento, 1969


Urbanismo
A grande consequência deste surto industrial foi o crescimento do sector terciário e na progressiva urbanização do país. Em 1970, ¾ da população viviam em cidades, resultado do êxodo rural, a que as grandes cidades litorais, cada vez mais urbanizadas, convidavam. No entanto, à volta destas grandes cidades espraiam-se os subúrbios, evidenciando a falta de infra-estruturas necessárias ao acolhimento de uma população que deixara de ser rural e que, por isso, não tinha recursos. Também os transportes e as estruturas sanitárias se revelam insuficientes. Tudo isto motivou a construção clandestina, a única que alguns podiam suportar, degradando-se as condições de vida.
A necessidade da criação de estruturas que respondessem às necessidades dos cidadãos era cada vez mais evidente. Neste sentido desenvolve-se o sector dos serviços, como os de saúde e de educação. A educação sofreu um notável aumento, formando-se um grupo numeroso de jovens escolarizados e interessados em intervir social e politicamente.

Com a abertura política empreendida por Marcello Caetano, aos portugueses foi permitido um alargamento dos seus horizontes, deixando de lado o conservadorismo que marcava o regime. Portugal aproximava-se agora das democracias europeias, assumindo novos comportamentos – “As raparigas usavam minissaias, os rapazes calças à boca-de-sino. Abandonando a clausura, os «meninos bem» tinham acorrido, em massa, a uma aldeia no Alto Minho para participar num Woodstock à portuguesa [primeiro festival de Vilar de Mouros, em 1971].” Maria Filomena Mónica, 1996 – Os costumes em Portugal.

Festival de Vilar de Mouros, 1971


Fomento ultramarino
Mas não foi só o continente que beneficiou dos planos de fomento. As colónias, como eram entendidas como extensões naturais do território metropolitano, levaram o governo a apostar no seu desenvolvimento. Isto é também justificado pelo facto de o governo querer provar à conjuntura internacional que as colónias eram, realmente, províncias ultramarinas e que por isso não deveriam deixar de pertencer à metrópole. Salazar percebeu também que as colónias poderiam constituir um factor de desenvolvimento para a metrópole e por isso aceita industrializa-las. Logo no I Plano de Fomento o Governo procura criar infra-estruturas ligadas aos transportes e comunicações, de forma a ligar a metrópole às províncias ultramarinas mais rapidamente. Para que se pudesse desenvolver a indústria, criaram-se infra-estruturas ligadas à produção de energia e cimento, este para a construção urbana. Para contrariar as velhas fazendas, procurou-se modernizar a agricultura, produzindo-se alimentos tropicais como o sisal, o açúcar, o café, o algodão e os óleos vegetais. A extracção de matérias-primas constituía também uma prioridade, que beneficiava a indústria quer nas colónias quer na metrópole. Principalmente em Angola explorava-se o petróleo, diamantes, carvão e ferro.
Rua Araújo, em Lourenço Marques, anos 60

O crescimento económico das colónias é mais visível durante a Guerra Colonial, ou seja, entre 1961 e 1974. Isto pedia uma ainda maior presença branca nas colónias, que por um lado, contivessem os guerrilheiros e, por outro, mostrassem às democracias internacionais as nossas boas relações com os territórios coloniais. Para reforçar esta ideia de coesão, Salazar imagina e procede à criação do Espaço Económico Português (EEP) que pretendia criar uma área económica unificada, sem quaisquer entraves alfandegários. No entanto este mercado único nunca se conseguiu efectivar, mas, é graças a este projecto que se assiste à beneficiação de vias de comunicação, à construção de escolas, hospitais e ao lançamento de obras grandiosas.



A questão colonial
A nova ordem internacional ao abrigo dos princípios da ONU não favoreceu em nada Portugal e a sua perspectiva em relação às províncias ultramarinas. Declarava-se o direito à autodeterminação dos povos na resolução 1514 e uma onda de descolonizações assolava os continentes asiático e africano desde o fim da 2ª Guerra Mundial.
A mística imperial começava a revelar-se ultrapassada e por isso Oliveira Salazar procura soluções que devolvam ao Império Português a sua mística, recusando ceder às pressões internacionais. Assim surge a tese do luso-tropicalismo (de Gilberto Freire), segundo a qual, a presença portuguesa em África se revestia de um carácter particular, sendo, acima de tudo, uma manifestação da extensão da histórica missão civilizadora de Portugal. Assim, Portugal era um país multicultural, multirracial e pluricontinental, que se estendia “do Minho a Timor”.

“Os Portugueses devem provavelmente a sua fama de excelentes colonizadores à sua rara faculdade de adaptação.Com efeito, têm uma grande facilidade para se aclimatarem sob os céus mais inóspitos e compreenderem rapidamente a mentalidade, a vida, os costumes e as actividades dos povos que lhes são estranhos. (…) A sua obra não é, seguramente, a do homem que passa, olha e segue o seu caminho, nem a do explorador que procura febrilmente riquezas fáceis e em seguida dobra a sua tenda para se afastar.” Salazar, 1951

Para reforçar esta tese, o conceito de colónia e de Império Português teriam de desaparecer e ser substituídos por províncias e Ultramar Português, respectivamente. Essa substituição realiza-se na Constituição de 1951.

Exemplo de um artigo referente às províncias
ultramarinas, presente na constituição de 1951 

No entanto, era inevitável que se começassem a sentir revoltas nas colónias, devido ao contexto internacional de descolonizações, que se fazia sentir. 
É aí que as opiniões começam a divergir sobre o que fazer em relação a esta questão. De um lado, os ultranacionalistas insistiam na integração plena e incondicional dos territórios ultramarinos no Estado Português, o que implicava a resistência armada aos “actos terroristas” dos movimentos independentistas. Do outro lado, prevendo os custos económicos e sociais que a guerra iria trazer, propuseram a cedência de uma autonomia progressiva que conduzisse à formação de uma federação de estados – esta era a tese federalista, que levou à destituição dos seus defensores. 
Adivinha-se então qual a posição tomada por Oliveira Salazar: dar inicio a uma guerra que se prolongaria por 13 anos.

A guerra deu-se em 3 frentes distintas:
Agostinho Neto

- Inicia-se no Norte de Angola, em 1961, em consequência das investidas da UPA/FNLA, dirigida por Holden Roberto. Mais tarde, juntou-se a MPLA, presidida por Agostinho Neto, apoiada pela URSS. A UNITA de Jonas Savimbi junta-se também à luta pela independência, estendendo os combatentes a todo o território angolano, a partir de 1964.








Amilcar Cabral
- Na Guiné, a luta inicia-se em 1963, sob acção do PAIGC, fundado por Amilcar Cabral – “Vimos África começar a ter estados independentes e decidimos fazer todos os esforços para conseguirmos também o nosso direito à autodeterminação e à independência”. A sua proclamação unilateral de independência em 1973, reconhecida pela ONU, vai inspirar as outras colónias na luta pela independência.




- Em 1964, em Moçambique, a FRELIMO de Eduardo Mondlane e, mais tarde de Samora Machel, junta-se à luta armada pela independência.

Estes três países constituíram as três duras frentes de batalha, que custaram 40% do orçamento de estado, 8000 mortos e 100000 mutilados, chegando mesmo a surpreender a comunidade internacional, que intensificou a sua acção de apoio aos movimentos independentistas. O isolamento do país era cada vez mais evidente, pressionando o Governo à cedência de Portugal.


Como sabemos, em 1955, Portugal tornou-se membro da ONU, mas isso não impediu Salazar de continuar com uma política de reforço da autoridade portuguesa. Nunca tomou em conta as pressões da Assembleia-Geral da ONU, que não aprovou a sua conversão de colónias em províncias ultramarinas, condenando a atitude colonialista portuguesa – “4. Condena a política colonial portuguesa e a sua recusa persistente em acatar as resoluções da Assembleia-geral e do Conselho de Segurança” (resolução 2107). 
Estas pressões mais intensas se mostraram com a publicação da Resolução 1514, que confirmou que as possessões portuguesas eram realmente colónias e não “províncias ultramarinas”. Para contrariar esta ideia, o Governo deveria passar a ter em conta as aspirações políticas das populações locais e estimular o seu desenvolvimento, de forma a permitir a sua independência e autodeterminação. Claro que Portugal de absteve desse dever e por isso tornava-se legitimo os movimentos independentes recorrerem a armas para a sua luta. Foi nesse sentido que, em 1961, Angola inicia a guerra colonial.

Também, como sabemos, encontramo-nos num contexto de Guerra Fria. As potências que lideram o mundo bipolar, EUA e URSS, tem interesse em que as colónias portuguesas adquiram independência, na medida em que procuram alargar as suas áreas de influência. Os EUA, principalmente a administração Kennedy condenam a posição portuguesa, tentando financiar a descolonização de forma a, também, afastar o comunismo. Identificavam-se com a causa colonizadora uma vez que, no passado, tinham sido colónia do Império Britânico. A URSS, para além de procurar alargar a sua área de influência e expandir o ideal comunista, regia-se pelos princípios marxistas-leninistas, que condenavam o colonialismo.

Salazar no discurso em que refere a
célebre frase: "Orgulhosamente sós"
Salazar recusa todos os apoios económicos dos EUA, afirmando que “Portugal não está à venda” e aceita o seu isolamento, respondendo que nos encontrávamos “orgulhosamente sós”. Assim, a guerra prosseguia, à medida que o isolamento internacional se acentuava.





Em 1970, os líderes dos movimentos independentistas são recebidos pelo Papa Paulo VI, no Vaticano, o que contribuiu para a humilhação da administração colonial portuguesa. Marcello Caetano procurou desvalorizar este acontecimento dizendo que o “(...) Secretário de Estado do Vaticano declarou que a audiência (...) não teve qualquer significado político. (…) O Papa não abençoa nem podia abençoar a terroristas como tais. Não podia acolher e louvar aqueles que há tantos anos espalham a dor, o luto e as ruínas em territórios portugueses. Não podia sancionar a rebeldia à mão armada contra o Governo legitimamente constituído, que mantém com a Santa Sé relações amistosas (...)”. 

Em 1973, Marcello Caetano desloca-se a Londres, onde é recebido pelas manifestações de protesto, em consequência do conhecimento internacional dos massacres cometidos pelo exército nacional em Moçambique. 

Cartaz de propaganda britânico antifascista 
Os comunistas portugueses emigrados em Londres receberam instruções do organismo superior de que dependiam para tirarem partido da visita de Caetano com dois objectivos: o primeiro consistia na mobilização do máximo de recursos humanos para a organização de uma forte manifestação antifascista dirigida à Embaixada de Portugal; o segundo era a propaganda anti-salazarista-caetanista junto dos mais vastos sectores da população britânica para que se conhecesse melhor a realidade portuguesa e a luta que os patriotas desenvolviam.” In Avante! Nº 1368, Fevereiro de 2000

Também internamente, ainda que sob a repressão da censura e da polícia, apela-se à solução política do conflito. As camadas estudantis alimentam fortes movimentos de oposição à guerra e resistência à incorporação militar. Por outro lado, grupos de católicos progressistas, manifestam-se contra a Guerra Colonial, de onde se destaca a vigília realizada à capela do Rato, em 1972, no âmbito do Dia Mundial da Paz. Esta jornada desencadeou um processo de discussão pública e alargada sobre a Guerra no Ultramar. 

General Spínola
Já em 1974, vendo a derrota incontornável, General Spínola, antigo governador e comandante das Forças armadas da Guiné e, na altura, vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, publica Portugal e o Futuro, onde denúncia a falência militar no Ultramar. No seu livro defende uma solução política para o conflito, “não pela força das armas, nem pela sujeição dos africanos, nem pela sustentação de mitos (…)”.

 Marcello Caetano declara que, ao acabar de ler o livro de Spínola em Fevereiro de 1974, tinha compreendido "que o golpe de Estado militar, cuja marcha eu pressentia há meses, era agora inevitável". Spínola era a voz da classe militar que combatia no Ultramar, aquela que constituiria o Movimento dos Capitães, que derrubaria o regime. Ricardo Almada Contreiras, ligado a esse mesmo movimento afirmou: "Foi um marco extraordinariamente importante para toda a movimentação política dos inícios de 1974, já que era a primeira vez, em tempo de guerra, que se colocava o problema ultramarino à discussão pública." 

Podemos concluir então que a guerra colonial não só acabou por impedir uma evolução liberalizadora, imaginada por Marcello Caetano (como falarei de seguida), como conduziu o regime ao seu suicídio político, abatido pelo seu próprio braço armado.

A Primavera Marcelista
Em 1968, Salazar vê-se incapacitado de continuar à frente do Governo do Estado Novo. É vez de Marcello Caetano se tornar presidente do Conselho, a pedido de Américo Tomás.
Marcello Caetano
O país que herda acaba por ser manifestamente diferente dos 40 de governo de Salazar: por um lado, a economia estava em acelerado crescimento, graças às políticas económicas e sociais empreendidas pelo anterior Presidente do Conselho, Oliveira Salazar, bem como graças aos auxílios externos recebidos no âmbito do Plano Marshall. Também a participação de Portugal na EFTA, desde 1961, contribuía para a internacionalização e crescimento da economia portuguesa. Por outro lado, havia-se atingido a escolaridade obrigatória universal, tinham quintuplicado o número de estudantes no liceu e triplicado nas universidades desde 1928.
O regime deixava, pela primeira vez, de obedecer a uma chefia única e incontestada, para se dividir em dois pólos de poder: um centrado no chefe de Estado, o almirante Américo Tomás, homem de confiança dos sectores ortodoxos; o outro centrado no novo chefe do Governo, de há muito conhecido pelos seus propósitos reformistas. Assim, num primeiro momento, Marcelo Caetano procura, por um lado, serenar os sectores ortodoxos através da garantia da continuação de uma política de defesa da ordem interna e da integridade dos territórios ultramarinos, e, por outro lado, atrair a simpatia de sectores liberais com alguns sinais de abertura política: era a “renovação na continuidade” – pretendia conciliar a “(…) doutrina brilhantemente ensinada pelo Doutor Salazar (…)” com as crescentes exigências de democratização do país.
Isto levava a que a oposição moderada criasse expectativas em relação a Caetano, alimentando a esperança de abertura política do Estado Novo, de eleições livres e de maior liberalização económica. Perante este novo apoio tomou algumas medidas. Permitiu o regresso de alguns exilados políticos, como o Bispo do Porto e Mário Soares. Alterou o nome da PIDE para Direcção-Geral de Segurança, o da Censura para Exame prévio, e ainda alterou o nome da União Nacional para Acção Nacional Popular, que agora integrava liberais independentes. Permitiu à oposição concorrer nas eleições legislativas de 1969, onde concedeu o voto a todas as mulheres alfabetizadas e autorizou a consulta dos cadernos eleitorais e a fiscalização das mesas de voto. Iniciou uma reforma democrática do ensino, inovando os métodos e programas, a estrutura curricular, alargando a escolaridade e o sistema universitário, contra o imobilismo pedagógico. Proclamou uma nova legislação sindical e passou a aparecer semanalmente num programa na RTP chamado Conversas em família, onde explicava aos portugueses as suas políticas. 
Criou ainda pensões para os trabalhadores rurais, que nunca tinham tido oportunidade de descontar para a segurança social e lançou alguns investimentos como a refinaria de Sines e a barragem de Cabora Bassa. 
Procurou promover a integração portuguesa no contexto europeu, modernizar o país tecnologicamente, promover a liberalização concorrencial e o planeamento económico – presente nos planos de fomento, principalmente no III. Estimulou estruturas sindicais e empresariais mais fortes, de forma a impulsionarem o crescimento e os aumentos de produtividade das empresas, contra a repressão tradicional, também responsável pela estagnação e pelo atraso económico do país.
Pela recepção optimista da população a estas medidas, o período de governo de Marcello Caetano ficou conhecido como Primavera Marcelista.
No entanto, apesar de todas as medidas democráticas de Marcello, considera-se que este começa a privilegiar mais a continuidade e a esquecer a evolução, entre outras razões, graças às pressões de uma ala mais conservadora do regime, liderada pelo Presidente Américo Tomás.
As influências do Maio de ’68, que ocorrera em Paris, fizeram eclodir greves e protestos, onde se apoiavam partidos de esquerda e se condenava a Guerra Colonial. O Governo começa a achar que a liberalização de Marcello Caetano tinha ido longe de mais. 
Por isso, o Governo inicia um violento ataque aos movimentos eleitorais entretanto constituídos, como a CDE e a CEUD. Para além disso, os cadernos eleitorais, a que agora se tinham acesso, estavam muito incompletos, representando apenas 27,7% do universo eleitoral. Por isso, para as eleições de 1969, a oposição não elegeu qualquer deputado, adivinhando a fraude que estas iriam ser. Assim, a Assembleia continuava constituída por eleitos da lista do regime, enquanto que a ala liberal, criada nesse ano, não tinha qualquer expressão, o que levava ao abandono progressivo dos seus membros presentes na Assembleia.
A repressão policial, as detenções e perseguições aumentaram a partir de 1970 – “De Norte a Sul do país prendem-se, espancam-se e torturam-se pessoas, ou levam-se ao desespero nos interrogatórios e na interminável prisão preventiva; desprezam-se os direitos de defesa dos arguidos, aplicam-se pesadas penas que a imprensa todos os dias refere; movem-se perseguições a uns cidadãos e impõe-se a expatriação a outros.” Carta entregue na Presidência da Républica em 1972, pela Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos.
 As universidades, face à contestação estudantil, são invadidas por “gorilas”, uma polícia de ex-combatentes nas tropas de elite, que encerram as associações de estudantes, onde se juntavam cada vez mais apoiantes do marxismo-leninismo.
A oposição reorganiza-se graças ao apoio do Partido Socialista alemão, formado em 1973, que se aproxima do Partido Comunista na exigência da democratização do país. A contestação e a denúncia internacional da Guerra Colonial intensifica-se, assim como as acções violentas de movimentos clandestinos armados. Crescem os assaltos a bancos e atentados bombistas a sectores estratégicos do regime.
A imagem de Marcello Caetano encontrava-se cada vez mais deteriorada, assim como a imagem do regime, que caia cada vez mais descrédito. A crise petrolífera de 1973, a Guerra Colonial e todos os problemas económicos que traziam ao país contribuíam para a sua progressiva queda. 



Da revolução à democracia
Em 1974, a Guerra Colonial continuava, embora já se encontrasse perdida da Guiné, que tinha declarado independência unilateral no ano anterior. Nas outras duas frentes vivia-se um impasse. Tudo isto contribuía para a intensificação da condenação e pressão internacional em relação à questão colonial, ao mesmo tempo que cresciam os apoios económicos, militares e políticos aos movimentos independentistas.
Os militares, vendo recusada a solução política para a questão colonial, entenderam que se tornava urgente abrir o caminho para a democratização do país.
Para a população este momento final da ditadura não trouxe nada de benéfico. Viram familiares partirem para a guerra colonial e viram o custo de vida e as dificuldades aumentarem, em virtude da crise petrolífera e da crise causada pela reconversão da economia nacional, que agora se encontrava direccionada para a guerra.
Para os sectores empresariais mais modernos, revelava-se necessária uma aproximação da Europa comunitária. Por isso, a democratização era o seu passe para o sucesso nacional e internacional.

Todos estes desejos alimentavam acções violentas de movimentos clandestinos armados contra o regime. E, em consequência desta conjuntura política, a partir de 1973, começa a organizar-se um movimento clandestino de militares, onde predominavam capitães, que arrancam em direcção ao derrube da ditadura, de forma a resolver a questão colonial. Era o movimento dos Capitães, um movimento constituído por oficiais do quadro permanente em protesto contra a integração na carreira militar de oficiais milicianos, mediante uma formação intensiva na Academia Militar. O objectivo principal das suas reuniões era encontrar uma solução política para o problema do Ultramar.

Costa Gomes
Como o regime se encontrava emprenhado na continuação da guerra e de nenhuma maneira cedia às vontades da população, o alto-comando do Estado-Maior das Forças Armadas – Costa Gomes (chefe) e António de Spínola (vice-chefe) – recusou-se a participar numa manifestação de apoio à política do Governo. Por isso, foram exonerados dos seus cargos, passando a estar inteiramente disponíveis para ganhar a confiança do movimento de contestação militar, que crescia de dia para dia.
Assim, o movimento, liderado por Costa Gomes e Spínola, assumiu como claro objectivo o derrube do regime ditatorial nacional. Foram aderindo mais unidades militares, tornando o movimento mais forte e cada vez mais organizado, fazendo-o evoluir para Movimento das Forças Armadas.

“E porque assim pensamos, entendemos necessário, como condição primeira de solução do problema africano, da crise das Forças Armadas e da crise geral do País, que o poder político detenha o máximo de legitimidade; que as suas instituições sejam efectivamente representativas das aspirações e interesses do povo. Por outras palavras: sem democratização do País não é possível pensar em qualquer outra solução válida para os gravíssimos problemas que se abatem sobre nós.” O Movimento, as Forças Armadas e a Nação, documento apresentado na reunião do MFA, 1974.
É esta organização que, na madrugada de 25 de Abril de 1974, leva a cabo uma acção revolucionária que pôs fim à ditadura que vigorava desde 1926.
A acção militar, que se encontrava sob coordenação do major Otelo Saraiva de Carvalho, teve inicio ainda no dia 24, aquando da transmissão da canção “E Depois do Adeus” de Paulo de Carvalho. Nos primeiros 20 minutos do dia 25, foi transmitida a canção “Grândola, Vila Morena”, de José Afonso. Este era o sinal que todas as unidades militares esperavam para poder avançar para a ocupação dos pontos estratégicos para o sucesso do acto revolucionário – estações de rádio, RTP, aeroportos civis e militares, regiões militares de Lisboa e Norte, ministérios militares do Terreiro do Paço…
A única falha no plano, foi a resistência do Regimento de Cavalaria 7. No Terreiro do Paço, a Escola Prática de Cavalaria de Santarém, chefiada pelo capitão Salgueiro Maia, deparou-se com um coluna de tanques do Regimento de Cavalaria 7, que vinha em defesa do regime. No entanto, Salgueiro Maia decidiu não abrir fogo, optando por parlamentar com o inimigo.
Com o fim da resistência do Regimento de Cavalaria 7 e com a rendição pacífica de Marcello Caetano, que entregou o poder ao general Spínola, terminava com êxito, ao fim da tarde, a operação “Fim Regime”.
Largo do Carmo - Lisboa
25 de Abril de 1974
O golpe militar que depôs o regime era, entretanto, aclamado nas ruas pela população portuguesa, cansada da guerra e desejosa pelo fim da ditadura, transformando-se numa revolução nacional que, pelo seu carácter pacífico, recebeu o nome de “Revolução dos Cravos”, tendo ficado os seus protagonistas conhecidos por “Capitães de Abril”.
Embora sem incidentes de carácter militar, a DGS acabou por disparar sobre um grupo de manifestantes que se encontrava à porta das suas instalações, fazendo 4 mortos.

Até à plena institucionalização da democracia, Portugal viveu um período de grande instabilidade, marcado por grandes tensões sociais e afrontamentos políticos. Criou-se a Junta de Salvação Nacional, tendo sido a António de Spínola entregues os principais poderes do Estado, até à formação de um Governo Provisório civil.


Bibliografia:
Couto, C; Rosas, M A; "O tempo da história" 2ª parte - História A 12º ano. Porto editora
Antão, A; Preparação para o Exame Nacional 2011 História A 12. Porto editora
Rosas, F; Brandão de Brito, J M; Dicionário da História do Estado Novo

Webgrafia:
imigrantes.no.sapo.pt
DPP.pt
wikipedia.com
infopedia.pt

Outros: 
apontamentos das aulas.

Trabalho realizado por: Helena Fernandes 12ºJ


A Afirmação de Novas Potências (Japão e China) e trabalho da CEE

O Japão, no final da 2ª Guerra Mundial, estava vencido militarmente, politicamente submetido à ocupação capitalista e economicamente arrasada pela perda colossal do império colonial, a marinha marcante estava arruinada tal como o sector produtivo. Analisando a derrota japonesa teve custos humanos e materiais (as populações das cidades de Hiroxima e Nagasáqui foram ceifadas pela bomba atómica e restante território; o Japão perdeu a anterior soberania para os EUA); os campos cultiváveis eram reduzidos (quase inexistentes) com isto sabemos que os recursos naturais deste país não eram suficientes tendo que ser importados quase na totalidade o carvão, o petróleo e gás para a industria; o sistema social era rigidamente hierarquizado (submetido ao imperador e à nobreza).
Porém, não é por acaso que a partir da segunda metade dos anos 50, denominamos de "milagre japonês" o desenvolvimento económico de que esta potência foi alvo.
Numa primeira fase a rápida e eficaz reconstrução urbana, a fundação de grandes complexos siderúrgico e petroquímicos, construção da maior frota petroleiros do mundo; numa segunda fase a formação empresas de industria automóvel e electrónica.
Com a sua produção ao rubro e a preços competitivos conquistaram os mercados asiáticos, tal como a Europa e os EUA com os seus sofisticados produtos de alta tecnologia. 
Aos EUA  interessava construir um Japão forte, capaz de resistir ao avanço do comunismo, assim sendo a reconstrução da sua economia foi a maior preocupação durante a ocupação americana sendo o Plano Dodge (plano de ajuda financeira e técnica) concedido; promovendo-se a democratização deste país (Japão) através do qual se restabelecia as liberdades publicas; a Constituição de 1945 que estabelecia o regime parlamentar foi aprovada; a reforma agrária foi imposta e as antigas indústrias bélicas desmantelaram-se em detrimento dos bens de consumo. 
A estabilidade política era assegurada pelo Partido Liberal-Democrata, no poder desde 55. O incentivo de controlo da natalidade; o acesso ao ensino - que desencadeou uma população exigente no que respeita à formação dos seus trabalhadores; a mentalidade tradicional - marcada pela disciplina e obediência incontestável em detrimento das empresas; a importação de tecnologias estrangeiras; a intervenção do Estado em 60, no incentivo das actividades económicas através de um regime fiscal favorável ao investimento e à entrada de capitais estrangeiros direccionados para a indústria moderna e para as novas tecnologias, sob iniciativa privada e a manutenção dos sectores económicos tradicionais como a agricultura e artesanato. 
Concluo com os gráficos seguintes para reforçar esta ideia.
Fig. 1. Desemprego japonês até 2010
                                    
                                       
Fig. 2. Poupanças por grosso nacional
                                      

Fig. 3. Japão: distribuição da população economicamente ativa. 1920 – 1969 (em milhares)

No caso da China, a revolução de 1949 teve o apoio da superpotência URSS, no âmbito da sua expansão no Oriente asiático, o que indicava que haveria uma transformação num imenso mundo comunista liderado pelos russos, porém isto não se verifica...
Em 1949, Mao Tsé-Tung fundou a República Popular da China. 
A política de Mao era assente nos camponeses enaltecendo-os. Mao fez a revolução na China apoiado no campesinato, sendo assim um movimento de massas, liderada pelas massas.
A partir da morte de Estaline, líder russo, as relações sino-soviéticas já deixavam transparecer divergências. Face aos maus resultados económicos, a adopção do modelo soviético suscita violentas reacções. 
Como já referi, o campesinato era o que contava, assim sendo as medidas económicas visavam o desenvolvimento agrícola. Em 1958 foi levado a cabo uma reforma económica "o grande salto em frente"  que tinha em vista o redobrar dos esforços para que a China alcançasse os níveis de produtividade ocidentais. A importância que era dada à indústria pesada foi abandonada, sendo substituída pela reorganização das actividades económicas rurais e industriais, através da eliminação do sector privado e da diminuição da presença do Estado, sendo que se privilegiavam as produções agrícolas e as pequenas indústrias a nível local, estabelecendo-se assim um modo de vida comunitário. 
Porém o resultado desta política original por parte da China, resultou num tremendo fracasso sendo que foram milhões as mortes que advieram desta originalidade do comunismo chinês.
Em 1960, as divergências com os russos eram ainda mais graves, sendo que em 1961, Mao critica as relações de Kruchtchev com o Ocidente capitalista, acusando-o de se desviar do ideal socialista, denunciando o revisionismo soviético e recusando terminantemente a coexistência pacífica com a burguesia e o imperialismo capitalista. 
Para responder a isto, Mao, lança em 1964, a Revolução Cultural, que tinha como objectivo de recuperar o ideal revolucionário e de eliminar alguns opositores, criando um Homem novo através da mudança das mentalidades.
No início dos anos 70 a China inicia o processo de abertura ao entendimento pacífico com o Oriente.
Em 1971, o Presidente Nixon visita Pequim, numa mostra de mudança dos rumos da política internacional. A República Popular da China foi admitida na ONU.
Ao longo doas anos 70 a China vai-se afirmando  como nova potência económica no Oriente comunista. 
Após a morte de Mao, os novos dirigentes iniciam uma mudança na Revolução Cultural, abrindo a economia chinesa à iniciativa privada e ao investimento capitalista dos países ocidentais.


Fig. 4. Mao Tsé-Tung
                              






Fig.5. Visita do Presidente Nixon à China






Deixo aqui um link de um trabalho realizado por mim sobre a CEE


http://pt.scribd.com/doc/82421231/CEE



Bibliografia: 
Google;
Livro de exames 2012 Porto Editora;
Guia de estudo Porto Editora;
Livro Historia A 12 Porto Editora.



Realizado por:

Mónica Gomes





terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

ARTES, LETRAS, CIÊNCIA E TÉCNICA

A importância dos pólos culturais anglo-americanos
Quando a 2ª Guerra Mundial chegou ao fim, em 1945, o Mundo nunca mais foi o mesmo. A Europa, em particular, não se encontrava a 100% para liderar a política internacional nem o processo civilizacional. Aos Estados Unidos, um dos países, juntamente com a URSS, a liderar o mundo bipolar que se desenvolveu em 1945, coube assumir o caminho a seguir pelo Ocidente. Pela 1ª vez na História da Arte, as mudanças não partiram de cidades europeias como Paris, Milão, Berlim ou Viena. É em Nova Iorque, ou como lhe chamou Le Corbusier "capital do mundo sem fronteiras", onde se vão produzir as alterações mais significativas e as grandes polémicas no mundo artístico.
Nos EUA, principalmente na cidade de Nova Iorque, um generoso mecenato privado irrompia e patrocinava a fundação de galerias e de museus, como o MoMA (Museum of Modern Art), criado em 1929, e a Museu Guggenheim, criado em 1939. Todos estes lugares se abriram aos novos talentos vanguardistas, assegurando-lhes, assim, projeção e visibilidade.

  
Fig.1: Museu Guggenheim (Bilbau-Espanha)

Fig.2: MoMA (Nova Iorque-EUA)

A Europa devastada pela guerra não fornecia um cenário estimulante para a produção de cultura e, por isso, muitos foram os intelectuais (como Salvador Dalí, Max Ernst, Albert Einstein, Walter Gropius) que a América anglo-saxónica acolheu e incentivou. 
Aos artistas europeus emigrados juntaram-se os talentos americanos. Do seu encontro resultou aquela que é designada por Escola de Nova Iorque, considerada a grande responsável pela dinamização das artes no pós-guerra.

A reflexão sobre a condição humana nas artes e nas letras


O Expressionismo Abstrato (1945-1960)
O Expressionismo Abstrato surge nos EUA logo após a 2ª Guerra Mundial. Tal como o seu nome indica, usa a "linguagem universal da abstração", considerada a tendência mais correta a adotar, visto que, qualquer que fosse a referência figurativa, lembraria os cânones estéticos do nazismo ou do realismo socialista.
Esta nova vanguarda resultou da influência da arte europeia, nomeadamente do Cubismo e do Surrealismo, nos jovens artistas americanos. O Expressionismo Abstrato americano não foi nem abstrato nem expressionista e os seus representantes adotaram estilos pessoais diferentes: utilizaram do Surrealismo, a técnica do automatismo, e do Cubismo, a rejeição do lugar pictórico ilusionista e perspético em favor de um espaço pictórico estreito. 
As obras destes artistas são de 2 tipos:
  • caligráfico: quando as marcas pictóricas são aplicadas sobre a tela livremente;
  • icónicos: a composição é dominada por uma forma central.

Fig.3: quadro de Franz Kline

Fig.4: quadro de De Kooning


Jackson Pollock e Willem De Kooning são os grandes expoentes do expressionismo abstrato. Praticaram uma pintura experimental, com formas simbólicas e desconstruídas e as cores eram vivas e dissonantes. Ambos procuraram que a pintura expressasse, mais que um tema, assunto ou objeto, o ato criativo e o gesto. Efeitos similares procurava o expressionismo abstrato provocar no espectador, tendo J.Pollock aconselhado aos observadores das suas obras: "Devem tentar captar aquilo que o quadro tem para oferecer, em vez de tentarem ver nele uma mensagem principal e a confirmação das vossas ideias preconcebidas". 


Fig.5: Pollock pintando uma das suas obras
Jackson Pollock utilizava, nas suas obras, a técnica do drip painting, em que a tinta é projetada (como podemos observar na figura 5) ou escorrida diretamente sobre a tela, estando esta colocada sobre o chão e fazendo com que o pintor se desloca-se à volta da tela. A pintura ocupava todo o espaço da tela, o que ficou designado na gíria artística como all over painting.

Os principais artistas do Expressionismo Abstrato (ou também chamado de Escola de Nova Iorque) desenvolveram um tipo de pintura com o nome de action painting onde, em vez de procurar construir uma imagem ou de retratar o seu estado emocional, o artista pretende fazer um registo pictórico da própria ação. 


A Pop Art (1958-1965)
A Pop Art foi um movimento artístico que nasceu nos EUA e no Reino Unido. O "pai" do nome   Pop Art é atribuído a Lawrence Alloway, que fazia alusão à utilização, pelos artistas deste movimeto, de objetos de uso quotidiano nas suas obras. Nos EUA, Andy Warhol, Claes Oldenburg, Tom Wesselman e Roy Lichtenstein e no Reino Unido David Hockney e Peter Blake foram as suas principais figuras.
Fig.6

A Arte Pop é considerada como uma reação ao Expressionismo Abstrato, que reforçava a individualidade e a expressividade do artista rejeitando elementos figurativos. Pelo contrário, o universo da Pop Art nada tem de abstrato ou de expressionista, porque transpõe e interpreta a iconografia da cultura popular. A televisão, a banda desenhada, o cinema fornecem os símbolos que alimentam os artistas Pop. O sentido e os símbolos da Arte Pop pretendiam ser universais e facilmente reconhecido por todos, numa tentativa de eliminar o fosso entre arte erudita e arte popular.

A Pop Art também refletia a sociedade de consumo e de abundância na forma de representar. As garrafas de Coca-Cola de Warhol, os corpos estilizados das mulheres nuas de Wesselman ou ainda os gigantes gigantes  de plástico, como o tubo de pasto de dentes de Oldenburg, são exemplos da forma como estes artistas interpretavam uma sociedade dominada pelo consumismo, o conforto material e os tempos livres.

Fig.7: obra de Andy Warhol.

Fig.8: Grande Nu Americano, de Tom Wesselman

   







   








Fig.9: obra de Claes Oldenburg















As peças dos artistas da Arte Pop também iam buscar as suas referências à produção industrial. Veja-se, por exemplo, a repetição de um mesmo motivo nas serigrafias de A. Warhol ou as telas gigantes de Lichtenstein onde, ao ampliar as imagens de banda desenhada,  o artista revela os pontos de cor inerentes à reprodução tipográfica.


Fig.10: obra de Roy Lichtenstein
Nos EUA e no Reino Unido, a Pop Art teve significados diferentes e alguns críticos consideraram que a corrente americana foi mais emblemática e mais agressiva do que a britânica. Naquele tempo, a Arte Pop foi acusada pelos críticos de ser inconsequente e superficial e mal compreendida pelo público, mas foi um marco decisivo.










Fig.11


A arte conceptual (anos 60e 70)
A arte conceptual (ou arte conceitual) define-se como o movimento artístico que defende a superioridade das ideias transmitidas pela obra de arte, deixando os meios usados para criar um lugar secundário.


Fig.12: castelo empacotado, de Christo


O artista Sol Le Witt definiu-a como: "na arte conceitual, a ideia ou conceito é o aspeto mais importante da obra. Quando um artista usa uma forma conceitual de arte, significa que todo o planeamento e decisões são tomadas antecipadamente, sendo a execução um assunto secundário. A ideia torna-se a máquina que origina a arte".


Esta perspetiva artística teve o seu início em meados dos anos 60. No entanto, a obra de Marcel Duchamp, nos anos de 1910-1920, já tinha prenunciado o movimento conceptualista, ao propor vários exemplos de trabalho que se tornariam o modelo das obras conceptualistas, como os readymades, ao desafiar qualquer tipo de categorização.


Fig.13: obra de Robert Smithson


A arte conceptual recorre usualmente a fotografias, mapas e textos escritos. Em alguns casos, reduz-se a um conjunto de instruções escritas que descreveram a obra, dando ênfase à ideia em detrimento do artefacto. Alguns artistas tentam, também, mostrar a sua recusa em produzir objetos de luxo.








Fig.14: obra de Jonhathan Borofsky


Apesar das diferenças, pode-se dizer que a arte conceitual é uma tentativa de retificação da noção de obra de arte enraizada na cultura do ocidente. A arte deixe de ser visual  e passa a ser considerada como ideia e pensamento. Além da crítica ao formalismo, os conceitualistas atacam ferozmente as instituições, o sistema de seleção e o mercado de arte. 
A década de 70 caracteriza-se pelo expansionismo da arte conceptual, isto é, da arte como ideia, através de meios anartísticos. Nesta época ocorreu a revitalização do pensamento de Marcel Duchamp passando a condenar a pintura, que, para ele, estava muito aquém das possibilidades criativas do ser humano.
Na arte conceitual, o público deixa de ser apenas um observador passivo uma vez que o entendimento da obra de arte não é direto. O público passa a ser obrigado a refletir sobre se a obra de arte é boa ou.


Fig.15: Escultura, de Borofsky

Vídeos


Webgrafia/Bibliografia:





Manual: "O tempo da História" 12º ano


Realizado por: André Sousa nº4











sábado, 18 de fevereiro de 2012

A Ala Liberal

Para aqueles que estiverem interessados em saber mais sobre o que foi a Ala Liberal deixo aqui este PowerPoint realizado no âmbito da disciplina de História A 12º ano


                                                                                                          Trabalho realizado por: Tiago Conceição nº25 12º J

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Guerra Colonial Portuguesa (1961-1974)

Para quem quer saber um pouco mais sobre a Guerra Colonial Portuguesa, aqui está publicado este power point sobre o tema.



Ana Rita, nº3 12ºJ

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A Guerra Colonial Portuguesa (1961-1974)

De modo a alcançar uma melhor compreensão sobre a guerra colonial portuguesa que decorreu durante o período 1961 e 1974 é postada a seguinte apresentação:



É ainda recomendável o visionamento dos seguintes documentários e reportagens para um aprofundamento de forma mais ilustrativa dos conhecimentos sobre este tema:

http://www.tvi.iol.pt/mediacenter.html?mul_id=13542672

http://www.youtube.com/watch?v=54MwHlRisMg&feature=fvwrel

http://www.youtube.com/watch?v=L_e6CyvO4gA

http://www.youtube.com/watch?v=2ZKylJoqq0U (e seguintes episódios)



Webgrafia
Bibliografia
         Manual “O Tempo da História (2ª Parte) – Porto Editora

Outras fontes
         Breve entrevista com combatente no Nordeste de Angola entre 1961 e 1974.


Davide Santos