quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O Mundo Comunista


O Mundo Comunista


1. O Expansionismo Soviético

No fim da Segunda Guerra Mundial, o Mundo contava apenas com dois países comunistas – a URSS (1917) e a Mongólia (1924). O expansionismo do comunismo fez-se em grande parte sobre a liderança da URSS que, beneficiando do reforço da sua posição militar e do processo de descolonização, conseguiu concretizar o desejo de expandir os ideais do marxismo-leninismo que há muito acalentava (Komintern 1919). O comunismo chega a quatro continentes (Ásia, África, Europa e América) e assim a URSS quebra o isolacionismo que lhe havia sido voltado desde Outubro de 1917.

2. Comunismo na Europa

O expansionismo da influência soviética na Europa remonta às batalhas de Estalinegrado (Agosto 1942 – Fevereiro 1943) e Kursk (Julho 1943) - 2ª Guerra Mundial - que resultaram na vitória do Exercito Vermelho (exercito da URSS) sobre a Wehrmacht (exercito da Alemanha Nazi). Estas vitórias marcam um ponto de viragem no rumo da Guerra, na qual a URSS faz, progressivamente, o exército alemão recuar, até Berlim. Pelo caminho, o Exercito Vermelho vai libertando os países da Europa de Leste da influência Nazi, nos quais impôs exigências como o abastecimento das suas tropas, a manutenção da ordem, a proibição de partidos não democráticos, etc.

Após a derrota do nazismo, a URSS reclamou o direito de intervir directamente na organização política e económica dos países que tinha libertado. No entanto, estes tinham aderido todos ao modelo democrático parlamentar- onde, apesar de fortes, os partidos comunistas eram minoritários - com a excepção da Jugoslávia e da Albânia em que os partidos comunistas liderados por Tito (Jugoslávia) e Enver Hoxha (Albânia), em 1945 e 1946, respectivamente, alcançaram o poder.

Tornava-se imperativo mudar a situação. Assim iniciou-se um processo de conquista do poder:

- Primeiramente, os partidos comunistas procuraram formar governos de coligação com outros partidos de esquerda, através dos quais conseguiram conquistar posições importantes e influentes;

- Após isto, utilizavam o poder e a influência para apoiar sindicatos e milícias armadas de forma a combater e reprimir as forças da oposição liberal;

- Com a generalização da repressão as forças liberais perderam o poder e a influência e foram, assim, silenciadas;

- Por fim, os partidos comunistas alcançaram o poder e instalaram o Centralismo Democrático à imagem da URSS.

Por volta de 1948, já todos os países da Europa de Leste haviam aderido ao socialismo. A estes novos países socialistas atribuiu-se o nome democracias populares. Estas construíram-se à imagem do modelo soviético e da ideologia marxista e, como tal defendem que a gestão do Estado pertencia às classes trabalhadoras, visto constituírem a grande maioria da população. Estas vêem os seus interesses representados no Partido Comunista e através deste exercem o poder. Tal como na URSS, estes regimes políticos organizam-se segundo o Centralismo Democrático *.


A União Soviética exercia sobre estas democracias populares influência de ordem:
Politica – Através do Kominform (Secretariado de Informação Comunista), organização criada em Setembro de 1947.  Esta organização tinha como objectivo coordenar acções entre partidos comunistas sob orientação soviética e contava com os partidos comunistas da Hungria, Bulgária, Roménia, Checoslováquia, Jugoslávia (excluído em 1948), URSS, Polónia, França e Itália – nestes dois últimos os partidos comunistas nunca conquistaram o poder.

Económica – Em Janeiro de 1949, em resposta ao lançamento do Plano Marshall por parte dos EUA (plano de ajuda económica aos países europeus) , a URSS criou o Plano Molotov que consistia num conjunto de acordos entre a União Soviética e as democracias populares, que estipulavam, a longo prazo, ajuda técnica e financeira e intercâmbio de produtos e matérias-primas. Na sequência do Plano Molotov surge o COMECON (Conselho de Ajuda Económica Mutua), instituição que se destinava a promover o desenvolvimento integrado dos países comunistas sobre a liderança da URSS


Militar - Em 1955, a URSS funda o Pacto de Varsóvia, uma organização militar de defesa que agiria perante qualquer acto de agressão aos seus estados-membros. No entanto, os países signatários vêem a sua soberania limitada pelos “interesses superiores do socialismo” que eram ditados pela URSS, que se revia como a “pátria do socialismo”





(Como podemos ver, havia por parte da União Soviética a necessidade de manter a hegemonia comunista na Europa coesa e intacta, o que justificou a construção, em 1961, do muro de Berlim ** que passou a simbolizar a evidente divisão do Mundo em dois blocos antagónicos. O Pacto de Varsóvia apresenta-se, também, como uma reacção à criação da NATO - organização militar defensiva – em 1949, por parte dos EUA.
Josip Broz Tito

Nem todas as democracias populares, no entanto, seguiram o modelo soviético: a Jugoslávia recusou alguns aspectos do modelo económico soviético, o que lhe valeu a ira de Estaline que levou à sua exclusão do Kominform em 1948, o que, obviamente, originou o afastamento dos dois estados. As relações entre estes só se normalizam em 1955, já com Kruchtchev no poder.







3. Comunismo na Ásia

Na Ásia, ao contrário do que aconteceu na Europa, a implantação da maior parte dos regimes comunistas não se ficou a dever à intervenção directa da URSS (a única excepção foi a Coreia).

3.1. O caso da Coreia

A Coreia, que tinha sido ocupada pelos japoneses, com o fim do conflito foi libertada em conjunto pelos EUA e pela URSS. Contudo, estes não se entenderam no que se referia ao futuro político do país, facto que originou a divisão da Coreia em duas partes:


- A norte, a República Popular da Coreia, comunista, contava com o apoio da União Soviética e, como iremos ver mais à frente, da República Popular da China;


- A sul, a República Democrática da Coreia, conservadora, apoiada pelos EUA.


Encorajada pelo apoio sino-soviético, a Coreia do Norte invade ,em 1950, a Coreia do Sul. Instala-se assim uma sangrenta guerra entre as duas Coreias e o confronto indirecto das duas superpotências (URSS e EUA). Durante este conflito viveram-se períodos de grande tensão entre os dois blocos (capitalista e comunista), nos quais chegou mesmo a haver ameaças de recurso a armas nucleares por parte dos EUA. Contudo, perante o esgotamento de ambas as partes, a 27 de Julho de 1953, em Panmunjon, chegou-se à assinatura do armistício e ao restabelecimento das fronteiras iniciais. Que se mantêm até aos dias de hoje, e dividem os dois Estados rivais.


3.2. Os Outros Casos
             
  • A China


Desde 1927 que a China era palco de uma guerra civil, que opunha os comunistas e os nacionalistas. Em simultâneo, o Japão continuava a sua política expansionista na China (já tinha ocupado a Manchúria), no entanto, os nacionalistas, que se encontravam no poder, liderados por Chang Kai-Chek continuavam a dar prioridade ao combate contra os comunistas. Contudo, em 1937, comunistas e nacionalistas unem-se com o objectivo de expulsar os japoneses da China, suspende-se assim a guerra civil que dá lugar à segunda guerra sino-japonesa. Em 1945 a guerra contra o Japão termina visto que estes tinham saído arrasados da 2ª Guerra Mundial, reinicia-se, assim, a guerra civil.

Os comunistas agrupados em torno de Mao Tsé-Tung – Presidente do Partido Comunista Chinês desde 1935 – eram apoiados pela União Soviética. Quanto aos nacionalistas liderados por Chang Kai-Chek contavam com o apoio dos EUA.
Mao Tsé-Tung

Chang Kai-Chek




























Contudo, face à decomposição do campo nacionalista e à suspensão da assistência dos EUA – devido às acusações dos generais Stilwell e Marshall contra a imensa corrupção do regime de Chang Kai-Chek – a ofensiva por parte dos comunistas torna-se avassaladora. Tomam Xangai e Cantão quase sem qualquer resistência. Finalmente, a 1 de Outubro de 1949, Mao, na varanda de Tian’na men***, proclama a Republica Popular da China. Chang Kai-Chek e os seus apoiantes retiram-se para a Ilha Formosa (Taiwan), onde se conseguiram entrincheirar graças ao apoio renovado dos EUA. O conflito terminou assim com a coexistência de duas Chinas: no continente, a Republica Popular da China, comunista, e na Ilha Formosa (Taiwan) a Republica da China, nacionalista ****.   
               


 Relações com a URSS

Com o fim do conflito, e apesar de o apoio soviético não ter sido um factor decisivo para a vitória dos comunistas na China, Mao, juntamente com o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Chou En Lai, firma, em Moscovo, um Tratado de Amizade, Aliança e Assistência Mutua com a URSS. Estes acordos colocavam a China sobre a influência soviética, que inicialmente segue o modelo político e económico russo.
Porém, Mao teve de adaptar o socialismo às particularidades da China (maoísmo), país rural onde o operariado tinha pouca expressão, daí atribuir grande importância ao campesinato. Outro ponto de divergência, era que Mao afirmava que as mudanças revolucionárias deviam partir das massas e nunca deviam ser impostas pelas estruturas governativas. Para além do afastamento a nível ideológico, o comunismo chinês também divergiu a nível económico do modelo soviético.




Em 1953 Estaline morre e é substituído por Kruchtchev, durante o governo deste as divergências entre os regimes aumentam e levam à separação dos dois. Kruchtchev, que criticava avidamente as acções de Estaline, leva a cabo uma “desestalinização” da URSS e defende uma coexistência pacífica com os EUA. Ora, Mao discorda totalmente das políticas de Kruchtchev, levanta varias vezes a voz em defesa de Estaline, acusa o líder da URSS de não ser “ um genuíno marxista-leninista” e de “não ouvir as massas” servindo os interesses das camadas privilegiadas da sociedade soviética e dos imperialistas (dos EUA). Em retorno, Kruchtchev devolvia as criticas acusando Mao de aventureirismo e de ser “um pequeno-burguês cujos interesses são estranhos aos dos trabalhadores".


Critica de Mao a Kruchtchev







Critica de Kruchtchev a Mao


































A partir de 1961, verifica-se o afastamento dos dois regimes. O modelo chinês apresentou-se como uma alternativa política à URSS e um modelo revolucionário para os países do Terceiro Mundo. A China teve no entanto um papel importante na divulgação do comunismo, participando activamente na Guerra da Coreia e na guerra de libertação da Indochina.


  •       A Indochina


Ho Chi Minh
No fim da Segunda Guerra Mundial, a retirada japonesa da Indochina Francesa (invadida durante o conflito) deixou implantado um vigoroso nacionalismo e fortes sentimentos anti-franceses. Assim, quando a França retoma o controlo, os nacionalistas e comunistas indochineses, dirigidos por Ho Chi Minh, antigo líder comunista, não conformados com esta situação, empreenderam por uma luta de guerrilhas contra as tropas coloniais francesas. Os erros militares, políticos e psicológicos do comando francês, adicionados à desordem interna da metrópole, colocaram os colonizadores franceses numa posição difícil. A derrota francesa na batalha de Dien Bien Phu ( 7 de Maio de 1954) foi decisiva  e levou a que o governo francês solicitasse o armistício. A isto sucederam-se, os acordos de Genebra ( 21 de Julho de 1954) que estabeleceram a criação de três novas nações : O Camboja, o Laos e o Vietname dividido em:

- Vietname do Norte, comunista, liderado por Ho Chi Minh (apoios: Republica Popular da China e URSS) Procurando expandir o comunismo a China e a URSS apoiam o Vietname do Norte.

- Vietname do Sul, liderado pelo ditador Ngo Dinh Diem. (apoios: EUA) Decididos a conter o expansionismo do comunismo, os EUA apoiam o regime do Vietname do Sul.

 Apesar da divisão, existiam, como podia ser de esperar, conflitos entre os dois Estados do Vietname. Estes conflitos desembocaram numa guerra (Guerra do Vietname) que envolveu os apoios da URSS e da China ao Vietname do Norte e o apoio dos EUA ao Vietname do Sul.


   (para passar ideia da Guerra do Vietname deixo este video de uma musica que roda em torno do testemunho de um combatente americano, que ganhou durante a guerra a alcunha de "Rooster", ou seja, "galo" em português  ( titulo da musica))

                                    letra:  http://www.vagalume.com.br/alice-in-chains/rooster.html

A corrupção e o imobilismo administrativo no Vietname do Sul apresentaram-se como um entrave à acção norte-americana que se viu confrontada por uma hábil política interna e externa do Regime de Ho Chi Minh. Face a isto os sul-vietnamitas e os americanos não conseguiram mais que escassos êxitos militares. Face a este fracasso, os EUA iniciam, em 1968, a retirada das tropas. Com isto, nada podia impedir as ofensivas do Vietname do Norte que, em 1975, tomam a capital sul-vietnamita (Saigão). Após isto, em 1976, dá-se a união do Vietname, que se apresenta como um regime comunista.

Quanto aos outros Estados que anteriormente figuravam na Indochina, estes também aderiram ao comunismo. O Camboja em 1954 e o Laos em 1975.

… Na América Latina e na África

A influência soviética, durante os anos 60 e 70, estendeu-se à América Latina e à África.



  • Cuba


O ponto mais importante do expansionismo do comunismo na América Latina foi Cuba, visto que se tratava de um bastião avançado do comunismo mesmo “às portas” dos EUA.

Independente do domínio espanhol desde 1898, Cuba rapidamente entra na esfera de influência americana. O país era afectado por uma agitação política constante, pela miséria no campesinato e por profundos atrasos estruturais, no entanto, os regimes ditatoriais apoiados pelos Estados Unidos recorriam à força e à repressão para manter a ordem. Isto levou a população (operários, desempregados…) se começasse a opor a esta situação




Fidel Castro
Manifestações desse descontentamento surgem, por exemplo, em Julho de 1953, quando o jovem advogado Fidel Castro lidera cerca de 120 homens num ataque a uma caserna militar em La Moncada, em Santiago de Cuba. O ataque fracassa e os seus participantes são presos. Depois do exílio no México onde conhece Che Guevara, medico argentino. Castro regressa a Cuba juntamente com Che e alguns exilados. A partir de 1958, iniciam ataques ao Regime de Fulgêncio Batista – ditador no poder desde 1952. Os guerrilheiros ganham rapidamente o apoio da população, o que levou a um crescente descrédito e impopularidade de Batista, que por sua vez esteve na origem da retirada do apoio dos EUA ao ditador.


Che Guevara


A 1 de Janeiro de 1959, os revolucionários tomam a capital, Havana, e derrubam finalmente o regime ditatorial.




( este video é uma parte de um documentário sobre a revolução cubana, contem imagens da altura. Esta parte incide sobre a tomada de Havana pelo revolucionários e a situação pós- revolução) 

Ainda que inicialmente a revolução não tenha ligações com a URSS, o carácter socialista do novo governo cubano que se manifesta, por exemplo, na reforma agrária levada a cabo por Fidel Castro (Chefe do governo) que consistia na expropriação de terrenos agrícolas, sem indemnizações, levaram à desconfiança e hostilidade por parte dos EUA, que em 1961, cortam relações diplomáticas com Cuba e tentam derrubar o Regime (tentativa falhada do desembarque dos exilados anti-castristas apoiados pelos EUA na Baía dos Porcos).

Em consequência, Fidel Castro aceita o apoio da URSS, e assim Cuba torna-se um importante bastião do comunismo na América Central. A influência soviética em Cuba acaba por se confirmar com a Crise dos Mísseis de Cuba. Em 1962, aviões americanos obtém provas fotográficas da instalação de mísseis russos em Cuba, que punham em risco o território americano. O Governo norte-americano, mais propriamente o presidente Kennedy, exige a retirada dos mísseis, Kruchtchev consente, no entanto, os EUA deveriam comprometer-se a não tentar derrubar o regime cubano.

Cuba teve um papel bastante interventivo na propagação do comunismo, apoio a guerrilhas marxistas na Guatemala, no Nicarágua e em El Salvador (países que vão enveredar pelo comunismo) e o envio de contingentes cubanos que ajudaram à instauração dos regimes comunistas em Moçambique e na Angola, na África.


… Na África

A chegada do comunismo a África coincidiu com a 2ª vaga de descolonização que tinha iniciado em 1960. Durante os anos 60 os revolucionários cubanos, incluindo Che Guevara, percorrem as savanas africanas no apoio aos movimentos independentistas. O marxismo-leninismo encontrou uma grande permeabilidade por parte dos países africanos recém-descolonizados, são exemplos as ex-colónias portuguesas de Angola e Moçambique, que nos anos 70, enveredaram pelo comunismo.
    


4. Opções e realizações da economia de direcção central



4.1. URSS

A Segunda Guerra Mundial apresentou-se como uma interrupção dos sucessos económicos que os planos quinquenais que tinham sido progressivamente lançados por Estaline desde 1928. O conflito trás assim uma acentuada quebra na produção industrial, o que se vai manifestar numa degradação da situação económica da soviética. Era assim extremamente necessário restaurar o sector produtivo.

  • As opções de Estaline

Desta forma, Estaline retorna ao modelo da economia planificada, que se materializa com o lançamento dos planos quinquenais:

O IV plano quinquenal que se estendeu de 1946 a 1950 incidiu:

- No desenvolvimento da indústria pesada, mais especificamente nos sectores siderúrgico e hidroeléctrico, considerados por Estaline como estruturantes na recuperação económica da União Soviética e na sua afirmação no mundo industrializado do século XX.

- Ao mesmo tempo, no investimento na investigação cientifica, que no contexto de Guerra Fria que se vivia, tinha como objectivos a produção de armamento e a conquista do espaço interplanetário

- Na criação e recuperação de infra-estruturas e vias de comunicação.    
Quanto ao V plano quinquenal (1951-55):
- Continuou a dar prioridade à indústria pesada, à criação de infra-estruturas e as vias de comunicação

Resultados:

A nível industrial, foram um sucesso:

- Em 1949, a URSS já produzia a bomba atómica;

- Em 1957, a União Soviética tornou-se na pioneira da corrida espacial com a colocação em orbita do primeiro satélite artificial (Sputnik 1);
Sputnik 1

- No fim da década, apresentava-se como segunda potência industrial do Mundo.


No entanto, nem tudo foi positivo, a orientação dada por Estaline trouxe problemas:

   A) A prioridade absoluta dada à indústria pesada levou a que as condições de vida da população se degradassem, pois:

 - Sectores como a agricultura, a indústria de bens de consumo, a construção habitacional, o sector terciário foram negligenciados.

  - Adicionado à já referida falta de investimento na agricultura estava a má gestão do sector e o desalento dos camponeses. Tudo isto se reflectiu negativamente na produção. As longas filas para a obtenção de bens de primeira necessidade passaram a fazer, assim, parte do dia-a-dia da população. O Leste que anteriormente exportava cereais via-se agora forçado a importa-los.
Analise de Kruchtchev sobre a situação da agricultura na URSS


A crescente industrialização fez algumas cidades a um ritmo tão rápido, que a população se começou a amontoar em bairros periféricos insalubres onde existia falta de estruturas de saneamento. 


   B) Os próprios planos de fomento apresentaram-se como um entrave ao progresso:
  
   - Por um lado, porque tirava a autonomia às empresas em funções importantes como a escolha dos preços, dos fornecedores, dos clientes, dos trabalhadores ou dos equipamentos, assim como reduzia ao mínimo factores como o risco de investimento;

   - Por outro, pois pretendia-se apenas cumprir o que estava no papel, descuidando factores como o potencial de rentabilidade da mão-de-obra e dos equipamentos ou a qualidade dos produtos.

  C)Por fim, os excessos do centralismo - o Estado geria todas as actividades económicas do país – originaram um forte aparelho burocrático que constitui um obstáculo à capacidade de iniciativa e ao crescimento

  • As acções de Kruchtchev
Nikita Kruchtchev

Em 1953, Kruchtchev sucede Estaline na direcção da URSS. Este tinha uma visão muito diferente do seu antecessor, por isso mesmo leva a cabo uma “desestalinizaçãoda URSS. Kruchtchev, ao contrário de Estaline, defendia uma “coexistência pacífica” com os EUA, chega a visitar duas vezes os Estados Unidos ( 1959 e 1962).


Ciente dos erros do seu antecessor, Kruchtchev toma medidas para fazer frente aos entraves económicos referidos acima e melhorar as condições de vida da população, para tal:

- Investe na agricultura, na Industria de bens de consumo. No sector da agricultura lança um programa de arroteamento das “terras virgens” da Sibéria e do Cazaquistão. Este plano falha redondamente, devido à erosão dos solos e à instabilidade climática destas regiões;

Investe no sector da construção habitacional ( em 10 anos o parque habitacional cresceu 80 %);

Reduz a duração do trabalho semanal (de 48 para 42) e da idade da reforma que pela primeira vez se estende aos trabalhadores agrícolas;

- Cria um sistema de atribuição de prémios aos trabalhadores mais activos (procura incentivar a produtividade);

Substitui os rigorosos planos quinquenais por planos septenais, assim a economia apesar de continuar planificada no entanto está sujeita a planos anualmente ajustáveis

Contudo, os resultados destas medidas ficaram aquém das expectativas, visto que, não foram capazes de relançar, de forma duradoura, as economias do bloco socialista.


Como podemos verificar neste gráfico verifica-se ainda um grande atraso face aos países ocidentais
  • Brejnev e os anos de estagnação

Kruchtchev é afastado do poder a 14 de Outubro de 1964, e pela primeira vez na história da URSS o sucessor foi imediatamente escolhido. Leonidas Brejnev foi o homem elegido para ocupar o cargo de líder da União Soviética.
Leonidas Brejnev




A era Brejnev, que durou quase 20 anos, é marcada por:

Uma estagnação política e económica. A nível politico visto que as estruturas de poder soviéticas entraram numa fase de imobilismo, o que vai afectar seriamente a economia. A nível económico devido às opções tomadas por Brejnev e a persistência de bloqueios económicos;

- Regresso ao culto da personalidade, Brejnev é condecorado sete vezes com a ordem de Lenine e eleito três vezes herói da União Soviética;

- Reforço do poder dos burocratas, a burocracia alastra-se o que por sua vez vai contribuir para a estagnação económica;

- Uma enorme onda de corrupção associada ao reforço da burocracia.

Ainda assim, no inicio dos anos 70, são feitos esforços para racionalizar o sistema produtivo. As empresas obtêm uma certa margem de manobra e tenta-se levar os trabalhadores a produzir mais através do uso de “fundos de incentivo”. Estas medidas não têm qualquer resultado positivo devido ao reforço da burocracia. Assim, a partir de 1972, Brejnev volta a dar grande prioridade à indústria pesada, em particular no domínio militar. Isto vai-se manifestar no 9º e 10º plano quinquenais, de 1971 a 1975 e de 1976 a 1980, respectivamente. Estes planos previam o reforço do complexo militar-industrial assim como a exploração de recursos naturais ( ouro, petróleo e gás) da Sibéria, este ultimo vai acarretar elevados custos para a economia soviética, contribuindo assim para a estagnação económica.

No sector industrial, a situação de subemprego ***** da mão-de-obra conduzia a uma baixa produção. Verifica-se assim a escassez dos bens de consumo.

Quanto à agricultura, o cenário tornou-se ainda mais catastrófico, devido à falta de infra-estruturas e ao, já referido a cima, fracasso das campanhas de arroteamento das terras virgens no Cazaquistão e na Sibéria (campanhas iniciadas por Kruchtchev), o país teve de importar cereais de forma massiva (entre 1979 e 1984 foram exportados cerca de 40 milhões de toneladas por ano).

A nível demográfico, a deterioração das condições de vida da população que foi agravada pela estagnação económica levou a que, entre 1970 e 1980, a esperança média de vida na URSS recua-se dos 69,3 para os 67,7 anos, e que a mortalidade infantil aumenta-se de 24,7 para 27,3.

4.2. Economia nos países do Leste e os efeitos das dificuldades soviéticas

Os países socialistas de Leste, com a excepção da Jugoslávia, seguem o modelo económico soviético. Assim, levam a cabo um processo de centralização dos meios de produção no Estado (nacionalizações) de acordo com o marxismo e com o modelo soviético. A nível de prioridades é, tal como na URSS, dada uma grande importância à industria pesada.
Com isto, as democracias populares de Leste, com a excepção da Checoslováquia e da RDA (republica democrática alemã) países essencialmente agrícolas, industrializaram-se muito rapidamente. Esta industrialização apresentou-se como um dos maiores sucessos das economias planificadas.





Contudo, à imagem da URSS, as condições de vida da população não acompanharam o ritmo da industrialização, muito pelo contrário degradaram-se, as cidades que cresciam a um ritmo acelerado devido á indústria não conseguiram dar resposta à população que se amontoava em bairros periféricos. As próprias cidades tinham falta de estruturas de saneamento. Quanto aos trabalhadores continuavam com horários laborais excessivos, os salários continuavam baixos e os bens de consumo escasseavam (os países de Leste que outrora exportavam cereais agora eram forçados a importa-los de forma massiva).

Este documento demonstra perfeitamente as condições de vida da população da URSS


As dificuldades da União Soviética fizeram-se sentir nos países comunistas de Leste que, face aos bloqueios económico inultrapassáveis, ruíram no fim dos anos 80.

5. Queda da URSS

Mikhail Gorbatchev
Em 1985, Gorbatchev sobe à liderança da URSS, numa altura em que para além dos problemas sócio-económicos já referidos, a União Soviética já estava a ser ultrapassada tecnologicamente pelos países ocidentais, assim como pelos novos países industrializados da Ásia ( por exemplo , o Japão) e já encontrava grandes dificuldades em arranjar aliados. Durante o seu governo esforça-se no sentido de uma abertura do sistema político (democratização) e descentralizar a economia – revolução a que deu o nome de Perestroika, traduzido à letra significa reconstrução levando assim ao desmembramento e à consequente queda da URSS em 1991.



Para terminar deixo esta famosa musica dos Scorpions que tem por nome Wind of Change ( Vento de mudança) que trata o sentimento que se instalou após a queda do muro de Berlim em 1989 e da URSS em 1991 e o consequente fim do Mundo bipolar: 
                                 letra : http://www.metrolyrics.com/wind-of-change-lyrics-the-scorpions.html



                                            
*- Centralismo democrático - Para aceder ao conceito ver este post.  


 ** - Construção do muro de Berlim - O muro de Berlim foi construído, pois  milhares de cidadãos da Alemanha Oriental utilizavam  Berlim como forma de alcançar a RFA . Quem “fugia” da RDA eram principalmente os quadros técnicos e jovens diplomados atraídos pelas melhores condições de vida oferecida pela RFA. Isto afectava gravemente a economia da RDA e ,principalmente, era um desprestigio para o bloco comunista. Neste sentido, é construído o muro de Berlim que se tornou no símbolo da Guerra Fria 

*** - Praça de Tian'an men - A praça de Tian’na men fica situada no centro da cidade de Pequim, capital da China

**** - Republica da China - A Republica da China não é reconhecida ainda nos dias de hoje pela Republica Popular da China como um Estado independente mas sim como um Estado rebelde 


***** - Subemprego - Situação em que a mão-de-obra só encontra trabalho periodicamente ou em que o número de oportunidades não alcança o de pessoal habilitado






Bibliografia:


História da Europa de Leste;  Soulet, Jean-François


História Universal Comparada; Resomnia Editores


Preparação para exame 12º História A ; Porto Editora


Guia de Estudo História A 12º ano ; Porto Editora; (edição 2011)


O Tempo da História - História A 12º ano- 2ª parte; Pinto Couto, Célia ; Monterroso Rosas, Maria 


Webgrafia:


Larousse


BBC


Infopédia

Infopédia (2)

Escola Secundária Católica Renaissance

Outros:

Apontamentos da aula


                                                        Trabalho realizado por: Tiago Conceição nº 25




Guerra Fria

1) Antecedentes

1.1. Fim da II Guerra Mundial

II Guerra Mundial deflagrou em 1939 e terminou apenas em 1945. Este conflito caracterizou-se por se verificar à escala mundial, atingindo todos os continentes, mobilizando vastos recursos e numerosos exércitos. O seu fim trouxe várias consequências, nomeadamente a nível económico, político, demográfico, etc.
Com a derrota das potências do Eixo (Alemanha nazi, Itália fascista, Japão) e dos seus aliados chegou o final da guerra. Assim, as conferências de paz realizaram-se em 1945 em Ialta (Fevereiro) e Potsdam (Julho). Das conferências – que reuniram os líderes das três principais potências aliadas vencedoras (o presidente Roosevelt dos Estados Unidos, Churchill da Grã-Bretanha e Estaline da União Soviética) – saíram importantes decisões, com o objectivo de estabelecer as regras da nova ordem internacional do pós-guerra.

A) Ialta
Fig. 1 - Conferência de Ialta, 1945 (podem ver-se os líderes 
das potências aliadas: Churchill, Roosevelt e Estaline).
- Definição das fronteiras polacas (ponto de discórdia e que havia despoletado o conflito);
- Divisão provisória da Alemanha e da cidade de Berlim em quatro áreas de ocupação governadas pelas três potências já referidas e pela França;
- Estabelecimento das indemnizações de guerra a pagar pela Alemanha;
- Desnazificação da Áustria e da Alemanha;
- Supervisionamento dos “três grandes” na futura constituição dos governos dos países de Leste;
- Julgamento dos criminosos de guerra nazis;
- Decisão de levar a cabo uma conferência preparatória para o surgimento da Organização das Nações Unidas, que viria substituir a desacreditada Sociedade das Nações (que surgiu após a I Guerra Mundial).

B) Potsdam
Não providenciou nenhuma solução definitiva para os países vencidos, limitando-se a ratificar e a pormenorizar os aspectos já acordados em Ialta, como:
- A perda provisória de soberania da Alemanha e a sua divisão em quatro áreas de ocupação;
- A administração conjunta da cidade de Berlim, igualmente dividida em quatro sectores de ocupação;
- O montante e o tipo de indemnizações a pagar pela Alemanha;
- O julgamento dos criminosos de guerra por um tribunal internacional (Nuremberga);
- A divisão, ocupação e desnazificação da Áustria em moldes semelhantes aos estabelecidos para a Alemanha.

A Organização das Nações Unidas (criada em 1945, na Conferência de São Francisco, através da assinatura da Carta das Nações Unidas) prevista na Conferência de Ialta centrou os seus objectivos na manutenção da paz e na repressão dos actos de agressão, utilizando meios pacíficos, de acordo com os princípios da justiça e do direito internacional; no desenvolvimento de relações de amizade entre os países, baseadas na igualdade entre os povos e no seu direito à autodeterminação; na promoção da cooperação internacional no âmbito económico, social e cultural, das boas relações entre os países e da defesa dos Direitos Humanos, funcionando como centro harmonizador das acções tomadas para alcançar estes propósitos.

Economicamente surge também uma nova ordem internacional assente num novo Sistema Monetário Internacional que garantisse a estabilidade das moedas (indispensável ao aumento das trocas) e evitasse as crises cíclicas dos anos 20 e 30 (decisões tomadas na Conferência de Bretton Woods, em 1944), apoiado em importantes organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI), ao qual recorriam os bancos centrais dos países com dificuldades em manter a paridade fixa da moeda ou equilibrar a sua balança de pagamentos e o Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD), que financiaria projectos de fomento económico a longo prazo (era também um organismo da ONU).

Porém, finda a guerra contra o nazismo e o fascismo e o período de negociações de paz, os antagonismos ideológicos das duas superpotências emergidas no final do conflito (Estados Unidos da América e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) vieram ao de cima, acompanhados por diferentes propostas políticas, económicas e sociais:

- Os EUA defendiam um regime político democrático-liberal e uma economia de modelo capitalista (a economia capitalista liberal assenta no princípio de que os problemas económicos se resolvem por eles mesmos, sem interferência estatal, ou seja, que a economia se auto-regula pelas leis da oferta e da procura);
- A URSS defendia um regime político socialista de centralismo democrático (sistema dominado pelo proletariado, uma vez que este elegia, através da prática do sufrágio universal, os representantes dos diferentes órgãos do Partido Comunista, o único existente, sendo que, contudo, as directivas dele emanadas eram de carácter obrigatório, sob pena de recurso à polícia política - a Tcheca, investida de grandes poderes em 1917 - e à extradição para campos de trabalho - os Gulags) e uma economia colectivizada (nacionalizada) e planificada.

A ruptura e entre os dois aliados confirmou-se com o desenvolvimento dos primeiros focos de tensão.

1.2. Primeiros Focos de Tensão

Apesar de aliados na guerra contra o nazismo e o fascismo, os EUA e a URSS foram, a partir do final do conflito, afastando-se progressivamente, graças aos já referidos antagonismos ideológicos e a várias situações que acabaram por contribuir para o aumento da tensão e da desconfiança entre as duas superpotências.
De facto, logo em 1945 regista-se o primeiro foco de tensão entre os dois países: Estaline, líder da URSS, não promoveu eleições verdadeiramente livres na Polónia e pretendia impor no país um governo que lhe inspirasse confiança, levando os EUA  a tentar o envio de observadores internacionais. Estaline opôs-se sob o pretexto de esta acção constituir uma intromissão na ''dignidade polaca''.
Nos primeiros anos do pós-guerra, regista-se ainda outra situação potenciadora de tensões entre EUA e URSS, uma vez que a última se lançou na expansão do comunismo pela Europa de Leste (e, mais tarde, na Ásia e em África, com destaque para as ex-colónias libertas pelas duas vagas descolonizadoras após a II Guerra Mundial).
Esta acção tornou-se possível já que a União Soviética detinha uma vantagem estratégica nos territórios do leste europeu, proporcionada pelo facto de ter sido o Exército Vermelho a libertá-los do domínio da Alemanha nazi. Assim, entre 1946 e 1948, todos esses países tornaram-se comunistas - democracias populares - (à excepção da Jugoslávia), levando os países ocidentais a temer e a condenar o avanço soviético.
O discurso de Winston Churchill, em 1946 nos EUA, é prova disso:

''Os partidos comunistas, que eram muito fracos em todos os estados do Leste Europeu, obtiveram uma proeminência e poder que ultrapassam a sua importância e visam exercer, em toda a parte, um controlo totalitário. (...) já não existe uma verdadeira democracia na Europa de Leste.''
''Não creio que a Rússia soviética deseje a guerra. O que deseja é colher os frutos da guerra e expandir indefinidamente o seu poder e as suas doutrinas.''


Fig. 2 - Mapa político da Europa de 1945 a 1948. Países libertos
do jugo nazi pelo exército soviético - como a Polónia,  a Hungria,
a Roménia... - ficaram, no período mencionado,
sob a égide da URSS.
A par destas afirmações, o político britânico declarou ainda que '' De Stettin no Báltico a Trieste no Adriático, ergueu-se e caiu uma «cortina de ferro»'', sendo que, para Este dessa barreira estariam as nações ''sob a esfera soviética, todas submetidas, de uma maneira ou de outra, à influência soviética e ao controlo apertado (...) de Moscovo'' e para Oeste os países democráticos, ideia que viria a ser reiterada pelo presidente americano Harry Truman, no ano seguinte.
Acusada de ter intenções expansionistas e de substituir o inimigo nazi, a URSS não tardou a responder (no mesmo ano), na pessoa de Estaline. O líder soviético alertou para o facto de Churchill estar ''agora a acender o tição da guerra'' e assegurou que a sua acção política nos países do leste europeu não tinha por detrás pretensões expansionistas, mas destinava-se apenas a garantir que essas nações tivessem governos de boas relações com a URSS, a fim de ''garantir a sua segurança futura''.
Já em 1947 (em Março), o presidente Truman, perante as pressões exercidas pela URSS sobre a Grécia e a Turquia, declara que existe a necessidade de encetar uma política de contenção do avanço do comunismo, naquela que ficou conhecida como a Doutrina Truman.


Nesta, o presidente afirma a existência de um mundo dividido em dois modos de vida política, económica e de organização social diferentes (1º parágrafo), sendo que, um deles (assinalado a verde no doc.), se caracterizaria pelas liberdades fundamentais do ser humano, pela democracia (eleições livres, instituições livres, governo representativo, inexistência de opressão política...) e corresponderia aos países ocidentais, liderados pelos EUA.
O outro (assinalado a cor-de-laranja), seria anti-democrático, impondo através da força, a vontade de uma minoria à maior parte da população, controlando os meios de comunicação social, recorrendo à fraude eleitoral, não respeitando os direitos e liberdades individuais dos cidadãos. Este mundo seria liderado pela URSS que havia imposto o seu domínio a outros países (à Europa de Leste, por exemplo).
Perante o avanço da URSS e do seu domínio, aos EUA caberia a missão de ''apoiar os povos livres'', principalmente ao nível económico, uma vez que a estabilidade financeira permitiria a melhoria do nível de vida das populações e, consequentemente, diminuição da contestação social e da vulnerabilidade destas face às ideias de igualdade e justiça social do marxismo. Esta ajuda viria a concretizar-se num enorme plano de ajuda económica (que será abordado mais adiante) e que, para além dos objectivos de reconstrução europeia, tinha também a intenção de contenção do avanço do comunismo (''containment'').


Em resposta surge a Doutrina Jdanov (do dirigente soviético Andrei Jdanov) que defendia, tal como Truman, a existência de dois campos no mundo:
- Um imperialista (os EUA assumem-se como os ‘’senhores do ocidente’’, impedindo o avanço comunista), anti-democrático e liderado pelos EUA (a verde no doc.);

- Outro democrático, onde reina a fraternidade entre os povos, liderado pela URSS (a cor-de-laranja).




2) Guerra Fria

Todas estas divergências contribuíram para o afastamento progressivo das duas superpotências, para a desconfiança entre si e para a o surgimento de um mundo bipolar no qual EUA e URSS lideravam, cada um, distintas áreas de influência.
A bipolarização caracterizaria o mundo até aos finais da década de 80 - esse período de tensão designou-se por Guerra Fria.
Por se ter estendido num espaço temporal alargado (de cerca de 1947 até meados dos anos 80), a Guerra Fria compreendeu períodos de maior e menor tensão, consoante os líderes que se alternavam no poder.
Podem diferenciar-se quatro períodos na Guerra Fria: 
- O período inicial da Guerra Fria (desde cerca de 1947 até 1955);
- O período de coexistência pacífica (de 1955 a 1962);
- O período de desanuviamento (de 1962 a 1975);
- O período da ''Guerra Fresca'' (de 1975 a 1985).

 2.1. Período Inicial (1947-1955)
NO PODER: 
TRUMAN (EUA) E ESTALINE (URSS) - ATÉ 1953
EISENHOWER E KRUCHTCHEV A PARTIR DE 1953

O primeiros anos da Guerra Fria caracterizaram-se por uma grande intolerância. É durante este período que as potências assumem a sua separação (evidenciada nas doutrinas Truman e Jdanov) e se consolida o bipolarismo através de vários meios dos quais as duas potências se serviram, como:
- Campanhas de propaganda ideológica;
- Corridas aos armamentos (inicia-se em 1947, destacando-se o armamento nuclear), que instala o receio de uma guerra atómica;
- Estabelecimento de alianças militares para enfrentar um eventual ataque (NATO e Pacto de Varsóvia).
O mundo resvala para o “equilíbrio pelo terror” –as duas superpotências optam pela corrida aos armamentos e pela propaganda ideológica para fortalecerem o seu papel no mundo, evitando o confronto directo (que nunca chegou a ocorrer). 
É neste contexto de afastamento e tensão que se regista o primeiro conflito entre as duas potências (Bloqueio de Berlim) e outros conflitos localizados em que ambas intervieram (a Guerra da Coreia e a Guerra da Indochina, por exemplo). 

A) Consolidação do Mundo Bipolar

AS AJUDAS ECONÓMICAS
Apesar das medidas tomadas para a reconstrução do pós-guerra, a Europa viu-se incapaz de reerguer, sozinha, a sua economia: às perdas humanas e matérias juntou-se o rigoroso Inverno de 1946-47 que agravou ainda mais as situações de miséria da Europa. 
Os EUA, crendo que a rápida recuperação económica da Europa tornaria a expansão comunista para ocidente menos propícia (impedindo que os países do ocidente europeu se deixassem seduzir pelo modelo soviético), através do reforço dos laços das nações europeias com os Estados Unidos, ofereceram, em 1947, um enorme plano de ajuda económica a toda a Europa
O Plano Marshall (como ficou conhecido, por ter sido anunciado pelo secretário de Estado americano George Marshall) foi oferecido a toda a Europa, incluindo aos países que se encontravam já sob influência soviética. Porém, a URSS classificou esta ajuda como uma “manobra imperialista” e aconselhou os países de Leste a não aderir.
O Plano Marshall revelou-se essencial à recuperação europeia, uma vez que os países receberam avultadas quantias que coube à OECE – Organização Europeia de Cooperação Económica – distribuir. 
Como resposta Moscovo criou, em 1949, o Plano Molotov, que estabeleceu as estruturas de cooperação económica da Europa Oriental. Foi no âmbito deste plano que se criou o COMECON (Conselho de Assistência Económica Mútua), instituição destinada a promover o desenvolvimento integrado dos países comunistas, sob a égide de URSS.
Os países abrangidos pelos dois planos funcionaram como áreas distintas uma da outra, consolidando a divisão bipolar do mundo e, consequentemente, a liderança das duas superpotências.


O vídeo seguinte (excerto de um documentário da RTP 1) resume, de forma sintética e com imagens da época, as diferenças entre os dois blocos formados na Guerra Fria e o Plano Marshall.



CONFLITOS ENTRE AS SUPERPOTÊNCIAS: A ''QUESTÃO ALEMÃ'' 
A ''Questão Alemã'' levou ao Bloqueio de Berlim  (1948-49), que foi um dos primeiros conflitos entre EUA e URSS.
A cidade de Berlim estava (assim como o território alemão, a Áustria e a própria cidade de Viena) sob uma divisão quadripartida em que cada aliado governava uma zona distinta.

Fig. 3 - Divisão quadripartida da Alemanha e da Áustria. No plano aproximado de
Berlim, é possível perceber a divisão da cidade em áreas de ocupação (ver legenda).


Esta divisão da Alemanha trouxe a cidade de Berlim para o centro da discórdia. A capital encontrava-se situada em território soviético e as forças ocidentais encontravam-se na cidade ocupando as áreas que lhes couberam. Foi a expansão soviética que fez com que estes aliados (nomeadamente os ingleses e os americanos) vissem na Alemanha um aliado essencial na sua política de contenção comunista para o ocidente europeu e, por essa razão, unissem as suas zonas de ocupação. O fracasso desta medida levou a que os ocidentais intensificassem os seus esforços na criação de uma república federal da Alemanha constituída pelos três territórios sob a sua governação (o que veio a acontecer).
Em desacordo com estas medidas (uma vez que afectariam também a zona ocidental de Berlim) e na tentativa de expulsão dos exércitos ocidentais, Estaline bloqueou aos três aliados todos os acessos terrestres à cidade, levando a que os EUA tivessem que estabelecer pontes aéreas para abastecer os habitantes. 

Fig. 4 - Pontes aéreas que os EUA tiveram que
estabelecer para abastecer os berlinenses, 

demonstrando a sua firmeza perante a URSS
e dando prova do seu grande poder tecnológico.
Fig. 5 - Crianças berlinenses saúdam um avião americano,
que fazia a ponte aérea.




O bloqueio durou apenas um ano (Estaline acabou por recuar na sua decisão em 1949) mas contribuiu para agravar o afastamento entre as superpotências e ainda para:
- O culminar da divisão da Alemanha em República Federal Alemã (ocidental) e República Democrática Alemã (oriental), dois estados paralelos sob a jurisdição dos EUA, França e Inglaterra, na RFA e da URSS, na RDA;
- A clarificação definitiva no que concerne às posições e objectivos expansionistas da URSS e dos EUA na Europa, numa primeira fase e do mundo, mais tarde;
- Uma intensa corrida ao armamento e a formação dos primeiros blocos militares antagónicos, que vinham no seguimento dos blocos político-ideológicos e económicos já formados.


AS ALIANÇAS MILITARES
A partir de 1949, os dois blocos esforçaram-se por consolidar e reforçar as suas posições frente ao opositor. Foi neste ano que se formou o primeiro bloco militar da Guerra Fria: a NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Esta era (e ainda é) uma aliança militar estabelecida pelos Estados Unidos da América, em conjunto com outras nações ocidentais. 
Nesta data o temido expansionismo soviético  fez com que os EUA e a Europa Ocidental se vissem na necessidade de criar estruturas de defesa militar que lhes permitissem fazer 
frente à URSS, caso fosse necessário. Desta organização fizeram parte, originalmente, países como a Bélgica, a Noruega, Portugal, Reino Unido, Canadá, Estados Unidos da América (todos países ocidentais). Mais tarde, ainda durante o período da Guerra Fria, juntaram-se ao pacto militar a Grécia e a Turquia (1952), a RFA (1955), entre outras.
O principal objectivo da NATO está expresso no Artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte (ou Tratado de Washington), no qual os membros signatários concordaram e assumiram que um ataque armado a qualquer um deles seria considerado um ataque a todos os membros constituintes da organização e, por essa razão, tomar-se-iam as providências necessárias para a sua defesa conjunta (essas medidas seriam tomadas pelo Conselho de Segurança da NATO e teriam como objectivo restaurar e manter a paz e a segurança internacionais).
Fig. 6 - Política de alianças dos EUA e da URSS.
Esta organização militar proposta pelos Estados Unidos e que, ainda hoje, existe, tinha como um dos seus principais propósitos, para além da defesa comum , o de unificar e fortalecer os países da Europa Ocidental e os EUA, de modo a poder fazer face a uma possível invasão do ocidente europeu pela União Soviética e pelos seus aliados do Pacto de Varsóvia.
A URSS, estabeleceu, em 1955, o Pacto de Varsóvia juntamente com os países sob a sua esfera comunista. Tinha como principal objectivo o da mútua defesa entre os referidos países, em caso de ataque do bloco capitalista e constituiu uma resposta à aliança militar estabelecida pelos Estados Unidos conjuntamente com os países do ocidente europeu – a NATO. Surgiu pouco depois de a Alemanha Ocidental - RFA ter assinado, em Paris, um acordo com as potências ocidentais, a fim de passar a fazer parte da NATO.
Como é possível perceber pelo mapa, os EUA não se ficaram apenas pela Europa Ocidental, mas estenderam a sua política de alianças militares a todo o mundo. Exemplos são o TIAR - Inter-American Treaty of Reciprocal Assistance ou Pacto do Rio (1947), a ANZUS ou Pacto do Pacífico (1951), entre outros referidos no documento. Desta forma, os EUA estenderam a sua influência a grande parte do globo.

A CORRIDA AO ARMAMENTO
O clima de guerra fria vivido nestes primeiros anos levou a que o mundo se sentisse na eminência de um conflito armado que era evidenciado pelas crises políticas frequentes e pela violência das acusações mútuas entre os blocos e, sobretudo, as superpotências. Assim, intensificou-se a corrida ao armamento num contexto de grandes avanços técnicos e científicos que contribuíram para a produção armamentista, culminando na explosão de bombas nucleares americanas no Japão, para que este se rendesse na II Guerra Mundial.
Não pretendendo ficar em desvantagem militar face aos EUA, a URSS canalizou investimentos para o estudo e produção de armamento, no âmbito do novo plano quinquenal que privilegiava o desenvolvimento científico e a sua colocação ao serviço do sector militar.
Assim, a escalada armamentista dos primeiros anos da Guerra Fria pode resumir-se da seguinte forma:
- Primeiros anos após a guerra - os EUA detêm o segredo da bomba atómica, que consideram a sua melhor defesa.
- Setembro de 1949 - os Russos fazem explodir a sua primeira bomba atómica e a confiança dos Americanos desmorona-se.
Fig. 7 - Capa da revista ''Time'' de Abril de
1954, com uma fotografia da explosão da
bomba de hidrogénio americana no Pacífico
e evidenciando o seu potencial destruidor.
- Finais 1950 - no Memorando do Conselho de Segurança americano afirma-se a necessidade de aumentar, o mais rapidamente possível, a força aérea, terrestre e naval em geral e a dos aliados de modo a não estarem tão dependentes de armas nucleares (uma vez que já se haviam apercebido que o potencial atómico não era suficiente para conter o expansionismo soviético mundial). Paralelamente, a URSS desencadeia igual estratégia.
- 1952 - os americanos testam, no Pacífico, a 1ª bomba de hidrogénio, com uma potência 1000 vezes superior à bomba de Hiroxima. A corrida ao armamento intensifica-se.
- 1953 - os Russos possuem também a bomba de hidrogénio e o ciclo reinicia-se, levando as duas superpotências à produção maciça de armamento nuclear. Multiplicam-se também outro tipo de armas ‘’convencionais’’.
Durante a Guerra Fria, cada um dos blocos procurou persuadir o outro de que usaria, sem hesitar, o seu potencial atómico em caso de violação das respectivas áreas de influência (nova característica da política mundial – a dissuasão). 
O mundo tinha resvalado, nas palavras de Churchill, para o ‘’equilíbrio instável do terror’’.



2.2. Período de Coexistência Pacífica (1955-1962)

NO PODER: 
EISENHOWER (ATÉ 1961, SUCEDIDO POR KENNEDY) E KRUCHTCHEV

A partir de 1955, verifica-se uma progressiva retoma do diálogo entre as duas superpotências, graças à conjugação de vários factores, como:
- Equilíbrio de forças militares que se enfrentaram na Coreia (que resultou na continuação da divisão do território em Coreia do Norte - comunista - e Coreia do Sul - democrática e capitalista) ;
- Morte de Estaline e subida ao poder de Kruchtchev (1953) que,  juntamente com o Congresso do PCUS condena a política interna de Estaline e expressa o desejo de uma coexistência pacífica com o bloco americano. Kruchtchev procede à ''desestalinização'' da URSS e abre uma via de renovação, quer política, quer económica, tentando uma aproximação ao ocidente;
- Conflitos internos nos blocos(alguns países europeus recusam-se a ser satélites dos EUA, como é o caso da França, De Gaulle, que abandona a NATO; dá-se um conflito entre a URSS e a China em 1962, que provoca a cisão do bloco comunista; surgem problemas na Europa, nomeadamente na Hungria, Polónia, Roménia e Checoslováquia, pondo, esta última, em causa o estalinismo; etc.);
Conferência de Bandung (1955), que promove a descolonização, projecta os países do Terceiro Mundo na cena política internacional e defende o Movimento dos Não-Alinhados, países que defendiam a coexistência pacífica e não aceitavam a filiação nos blocos.
- Visita de Kruchtchev aos EUA (1959) que propicia o recomeço do diálogo.

Fig. 8 - Capa da revista ''Life'' de Outubro de
1959, alusiva à visita de Kruchtchev
(na foto) aos EUA.
Os dois blocos adoptam, então, uma nova política, mais direccionada no sentido do diálogo, procurando a não interferência nos conflitos em zonas sob influência do opositor, sendo isto visível nos acontecimentos ocorridos na Hungria, na Polónia e na Questão do Canal do Suez. EUA e URSS resignam-se a viver em conjunto porque não se podem suprimir mutuamente, sendo que a bipolarização não se esbate, reconhecendo-se apenas o direito de liderança conjunta da política mundial. Nas relações internacionais existe uma vontade partilhada de não forçar os acontecimentos até um fim irremediável.
Contudo, persistem conflitos localizados que demonstraram as bases frágeis da coexistência pacífica:
- Segunda Crise de Berlim (1958-1961): desde a separação da Alemanha em duas nações, que a cidade de Berlim se tornara um importante ponto de passagem dos cidadãos da RDA para o lado ocidental. As deserções (sobretudo quadros técnicos de formação superior) afectavam gravemente a economia da RDA e o prestígio do mundo socialista. Assim, em 1961, inicia-se a construção de um extenso muro que envolve todo o território de Berlim Ocidental. A divisão da cidade simbolizava a divisão do país e do mundo em dois blocos antagónicos;


O vídeo seguinte (pertencente à Fundação do Muro de Berlim) consiste numa animação digital que mostra as fortificações e todo o aparelho militar montado  em torno do muro de Berlim, evidenciando as intensas preocupações da RDA em acabar com as deserções.


Crise dos mísseis de Cuba (1962): surgiu no seguimento da revolução cubana de 1959 que não teve qualquer tipo de motivações de índole comunista (consistiu numa sublevação democrática protagonizada por Fidel Castro e Che Guevara, como revolta contra a ditadura pessoal de Fulgêncio Batista, líder afecto aos EUA). Porém, os seus interesses colidiam com os dos Estados Unidos, uma vez que estes haviam apoiado um desembarque (que acabou por não ter sucesso) de exilados cubanos anti-castristas na Baía dos Porcos, em Abril de 1961, provocando um bloqueio a Cuba como retaliação. O novo regime instalado envereda pelo reforço das relações com a URSS que havia instalado mísseis de médio alcance no país, apontados para os EUA. Em Outubro de 1962, aviões americanos obtêm provas fotográficas da instalação dessas armas e  o presidente Kennedy exige a retirada imediata dos mesmos, sob pena de retaliação com recurso a armas nucleares e isola a ilha através de um bloqueio marítimo.  Entre 22 e 28 de Outubro, um novo conflito de escala mundial esteve eminente. No entanto, tal não se verificou, uma vez que a URSS recuou nas suas intenções: Kruchtchev cede, sob promessa americana e não atacar Cuba.

Fig. 9 - Fotografia aérea americana que evidencia a
existência de mísseis na ilha cubana.
Fig. 10 - Caricatura do período que representa o ''braço de ferro'' entre os líderes das duas superpotências (Kruchtchev,de branco
e Kennedy, de preto), evidenciando-se a eminência de uma guerra nuclear (pelas bombas que cada um possui e pelos dedos dos dois que ameaçam premir o gatilho da sua arma).
A Era Espacial

Fig. 11 - Sputnik 1, o primeiro satélite artificial
da História colocado na órbita terrestre.
Foi desenvolvido e lançado no âmbito do
programa espacial soviético, em 1957.
Desde o início da Guerra fria, as duas superpotências tinham consciência de que a sua superioridade tecnológica era importante e seria decisiva e, por essa razão, dedicaram especial atenção aos ramos da Ciência relacionados com o equipamento militar. Porém, foi durante a coexistência pacífica que se deu início à era espacial.

Durante a II Guerra Mundial, a Alemanha tinha secretamente desenvolvido a tecnologia dos foguetes e criado os primeiros mísseis, na tentativa de atingir a vitória. No final da guerra, os cientistas envolvidos neste projecto emigraram para tanto para a URSS, como para os EUA. Nestes países desempenharam um importante papel nos programas espaciais nacionais.

Apesar de se considerarem tecnologicamente superiores, não foram os EUA os primeiros na corrida espacial: a  URSS colocou-se à cabeça da conquista do espaço já em 1957, quando colocou em órbita o primeiro satélite artificial da História - o Sputnik 1, surpreendendo o mundo que assistiu ao início da era espacial. 
A desolação dos Americanos  foi grande e, tentando igualar o feito dos soviéticos, anteciparam o lançamento do seu próprio satélite, mas o foguetão que o impulsionava explodiu e a experiência foi um fracasso. Nos anos que se seguiram, a aventura espacial foi alimentando o orgulho nacional de ambos os países.
Provado  o potencial técnico e financeiro da URSS ao opositor, esta lança, apenas um mês depois, o Sputnik 2 que permite colocar em órbita o primeiro ser vivo: a cadela Laika.
A tecnologia soviética dominava, deste modo,a conquista espacial.
Os temores dos Estados Unidos perante o poderio técnico e científico da URSS intensificaram-se quando perceberam que os mísseis que colocavam os satélites artificiais no espaço também poderiam conter armas de poder destrutivo a longa distância, que poderiam vir a atingir solo americano, em situação de guerra.
A resposta urgente tornara-se necessária para os americanos e viria a ser alcançada em 1958 como o lançamento do Explorer I.
Fig. 12 - Fotografia do russo Yuri Gagarine e
jornal do período que noticia a ida
 do primeiro Homem ao Espaço.
Porém, os EUA seriam novamente ultrapassados pelo inimigo soviético em 1961, quando é lançado o satélite Vostok I que, pela primeira vez, levava consigo um ser humano - o jovem Yuri Gagarine.

Os EUA só viriam a conseguir verdadeiro sucesso já em 1969, conseguindo realizar a primeira alunagem (aterragem em solo lunar), com os astronautas Edwin Aldrin e Neil Amstrong.
Este último, o primeiro Homem a pisar a Lua, declarou algo que ficaria na História, no momento em que concretizou o feito:

''O que é um pequeno passo para o Homem é um grande salto para a Humanidade.''




2.3. Período de Desanuviamento (1962-1975)

NO PODER: 
JOHNSON (1963-69), NIXON (1969-74) E BREJNEV (A PARTIR DE 1964)


Fig. 13 - Leonidas Brejnev (1906-82), dirigente
soviético que sucedeu a Kruchtchev de 1964 até
ao ano da sua morte, caracterizando-se o
seu mandato por um recuo face ao de Kruchtchev,
regressando-se ao intenso culto da personalidade,
imobilizando-se as estruturas de poder da URSS e
verificando-se grande corrupção.
A gravidade da crise de Cuba abre portas a um desanuviamento nas relações internacionais, tomando-se medidas no sentido do apaziguamento, como:
- Estabelecimento de um telefone vermelho entre a Casa Branca e o Kremlin;
- Tratado do Espaço Exterior (1967) que proibia a colocação de qualquer tipo de arma na órbita terrestre;
- Realização de tratados de não proliferação de armas nucleares (Tratado de Não Proliferação Nuclear, 1968, para a redução do arsenal nuclear);
- Realização de negociações sobre a limitação do armamento (SALT);
- Reaproximação das duas Alemanhas (1975) e realização da Conferência de Helsínquia para o entendimento e respeito recíproco dos países europeus (1975).

Contudo, as duas potências continuam a enfrentar-se em conflitos localizados (em países do Terceiro Mundo). Na tentativa de conter o comunismo, por exemplo, os EUA intervêm num conflito que se revela sangrento e desastroso para si - a Guerra do Vietname (1964-1973).
Esta opôs o Vietname (dividido após a descolonização) do Norte e do Sul, apoiados pelas duas potências. As forças norte-americanas combateram contra o Vietcong, um movimento de guerrilha comunista apoiado pelo governo norte-vietnamita e que recebia da China e da URSS armamento.
Fig. 14 - Manifestação nos EUA contra a guerra da Indochina
e do Vietname, esta última desastrosa para os americanos.


2.4. Período da ''Guerra Fresca'' (1975-1985) e fim da Guerra Fria


NO PODER:
FORD (ATÉ 1977), CARTER (1977-81), REAGAN (A PARTIR DE 1981), 
BREJNEV (ATÉ 1982), ANDROPOV (1982-84), TCHERNENKO (1984-85),
GORBATCHEV (A PARTIR DE 1985)

Contrariamente ao desanuviamento que se fez sentir entre 1962 e 1975, a partir deste ano acentuam-se as divergências, devido à crise económica (Choque Petrolífero de 1973), à derrota americana no Vietname e ao afrontamento nuclear. Assim, a corrida aos mísseis intensifica-se nos dois blocos e nos EUA Reagan inicia um programa de rearmamento (‘’guerra das estrelas’’).


O intensificar das tensões entre os dois blocos e, mais concretamente, entre os EUA e a URSS foi matéria de várias produções culturais (músicas, por exemplo). O vídeo seguinte contém uma música do artista britânico Sting, de 1985. Esta é um bom exemplo de um olhar de alguém que viveu no período da Guerra Fria e que evidencia as tensões entre americanos e soviéticos e o perigo da eclosão de uma guerra nuclear. 






Fig. 15 - Mikhail Gorbatchev (n. 1931), líder
soviético que, pela sua importante contribuição
 para o fim daGuerra Fria, foi agraciado com
o Prémio Nobel da Paz, em 1990.
Porém, um novo líder soviético que veio substituir Tchernenko - Gorbatchev - simbolizou, com a sua política, a aproximação entre os dois blocos, uma vez que considerava que as suas energias deveriam ser mobilizadas ao serviço do bem, levando a que o diálogo e as negociações regressassem em 1985.

''É melhor falar sobre as coisas, discutir e entrar em polémicas do que congeminar pérfidos planos de mútua destruição.'' Gorbatchev


Secretário-geral do PCUS (1985-1991) e presidente da URSS (1990-1991), concentrou os seus esforços na democratização política e na descentralização da economia soviética (a grande revolução a que deu o nome de Perestroika). 

Em 1988, Gorbatchev abandonou a Doutrina Brejnev (um princípio político central na política externa da URSS que limitava a soberania das nações do Pacto de Varsóvia). Esta mudança permitiu aos países do bloco soviético determinar a sua própria política nacional. A Hungria foi a primeira a provocar uma ruptura na ''cortina de ferro'',  desmantelando as suas barreiras fronteiriças. O crescimento dos protestos que emergiram entre a população da RDA nos finais dos anos 80 e o incremento da migração da RDA para a RFA, levou ao fim da ditadura em 1989. Uma nova lei de emigração foi anunciada, falsamente, em Novembro desse ano e multidões apressaram-se até à fronteira - o muro de Berlim acabou por cair pela força da multidão levando ao colapso da RDA.

Estas acções levaram à queda do comunismo e ao desmembramento da URSS em 1991 - o desmoronamento do bloco soviético iniciará uma nova ordem internacional. 




Fig. 16 - Queda do muro de Berlim (Novembro de 1989),
materialização da Guerra
Fria  e da bipolarização e símbolo da divisão do
mundo em bloco comunista e capitalista.

Fig. 17 - Queda do mura de Berlim.




3) Fontes Consultadas

3.1. Bibliografia

TORÍBIO, Manuel José (direcção), ''História Universal - Da Revolução Industrial ao Mundo de Hoje'', Oceano
''Preparação para o Exame Nacional 2010'', História A, 12º Ano, Porto Editora
''Guia de Estudo'', História A, 12º Ano, Porto Editora
COUTO, Célia, ROSAS, Maria, ''O Tempo da História'', História A, 12º Ano, 2º volume, Porto Editora

3.2. Webgrafia

www.edusurfa.pt
www.infopedia.pt
www.nato.int 
www.history.com 
www.berliner-mauer-gedenkstaette.de


Trabalho Realizado por:
Ana Rita Cruz, nº 3 12ºJ