terça-feira, 17 de abril de 2012

Portugal no Novo Quadro Internacional


Portugal no novo quadro internacional



Integração Europeia


Após os anos conturbados que levaram Portugal para 48 anos de ditadura e, posteriormente, a um ano em que a esquerdização política do país estava saliente, a situação do país mostrava-se, finalmente, a mostrar sinais de desenvolvimento em todos os níveis. A ditadura foi eliminada com o golpe militar do 25 de Abril de 1974, enquanto que o Gonçalvismo, responsável pelo PREC (Processo Revolucionário em Curso) foi destruído pelo General Ramalho Eanes, com o golpe militar do 25 de Novembro de 1975.
Posto isto, a democracia foi consolidada e com a Constituição 1976 foi atribuida a  transferência de poderes às colónias portuguesas e a Europa abriu as suas “portas” a Portugal.
Assim, em 1986, o país integra a CEE, um mercado em grande desenvolvimento, onde Portugal poderia benificiar de programas de modernização, propícios ao seu crescimento económico. E, por outro lado, a Comunidade Económica Europeia estava interessada nas economias ibéricas (incluindo, Espanha), que tinham em sua posse produtos de que a Europa Central e do Norte era deficitária.
A integração na Europa democrática acabaria por consolidar pontos instituidos na Constituição de 1976 e, deste modo, deixaria de ser o país “orgulhosamente só” de Oliveira Salazar, para cooperar, juntamente, com as mais poderosas democracias europeias e mundiais.
Entre 1986 e 1991, Portugal encontra-se num período transitório, onde o seu desenvolvimento é inferior ao dos outros estados-membros.



A Integração Europeia


Em Julho de 1975, a Comunidade Europeia disponibiliza-se a ajudar economicamente e financeiramente Portugal, contudo o apoio foi limitado devido à situação não democrática do regime, à manutenção das guerras coloniais e pelo atraso económico.
A sua adesão ao Conselho da Europa, em 1976 (após fim do Gonçalvismo), fez da “opção europeia” um projecto constante, cujo seu único objectivo era a integração na comunidade dos países europeus. O pedido formal foi efectuado pelo o primeiro-ministro Mário Soares.
Todo o esforço de Portugal para atingir os parâmetros exigidos pela Comunidade levou à assinatura do Tratado de Adesão, em 1985, no Mosteiro dos Jerónimos. No dia 1 de Janeiro de 1986, integra plenamente a CEE, juntamente com a Espanha, considerando a adesão peninsular como um todo.



“A opção europeia foi tomada pelo I Governo Constitucional, em Abril de 1977 com a então Comunidade Económica Europeia. […] O Tratado de Adesão foi, finalmente, assinado em 12 de Junho de 1986, (…) seguida, à tarde, pela assinatura da adesão de Espanha, no Palácio Real do Oriente, em Madrid. […]
 Desde então, Portugal, que havia completado a intitucionalização do sistema democrático e pluralista, deu um grande salto em frente no seu desenvolvimento material, entrando definitivamente no chamado primeiro mundo, visto participar de pleno direito num dos pólos de desenvolvimento económico, científico e tecnológico mais avançados do Planeta.”



Mário Soares, 1988
- Portugal depois do fim do “Império”


Assinatura do Tratado de Adesão


Foi graças à CEE, que Portugal assistiu ao seu desenvolvimento e ás transformações tanto na sua sociedade como na sua vida política e financeira. No entanto, os seus problemas eram mais salientes nos dois últimos, devido ao elevado índice de desemprego, o grave atraso económico em consequência da falta de investimento, grave inflação, que se repercutia nos salários, débil dinamimo empresarial, infra-estruturas produtivas obsoletas (arcaicas, antiquadas) pouco desenvolvimento tecnológico.



    1. Vida Política

A integração de Portugal na CEE consolidou, de vez, as instituições democráticas do país, onde com maioria absoluta venceu o Partido Social-Democrata, com Cavaco Silva, indo ao encontro de uma democracia, definitivamente, pluralista, moderna e ocidental, levando Portugal  a ocupar um lugar de prestígio na cena política internacional.



   2.  Vida Económica

Em 1933, o Mercado Único previnha a modernização económica dos países-membros. Tendo, Portugal, apresentado baixos níveis de desenvolvimento e enormes desigualdades em relação aos outros estados foram transferidas enormes verbas e apoios técnicos, visando a aproximação portuguesa dos níveis de desenvolvimento dos seus parceiros comunitários. Este apoio só foi possível no âmbito de programas de apoio financeiro e económico:
-PEDAP (Programa Específico do Desenvolvimento da Agricultura Portuguesa), que substitui as técnicas arcaicas por outras mais modernas e rentáveis à agropecuária.
-PEDIP  (Programa Estratégico de Dinamização e Modernização da Indústria Portuguesa), onde um dos seus objectivos era reduzir e eliminar as fontes de poluição.
-PODAEEF (Programa de Desenvolvimento e Apoio a Estruturas de Emprego e Formação) e PRODEP (Programas de Desenvolvimento Educativo para Portugal), têm por objectivo aumentar as qualificações da população, combatendo contra o atraso da formação profissional e modernizando o sistema de ensino.


A CEE impôs várias directivas, abrangendo sectores como a fiscalidade, a energia e o ambiente, onde Portugal teria de se adaptar gradualmente às normas comunitárias. 

A economia portuguesa, na última década do séc. XX, caracterizou-se por um elevado crescimento e desenvolvimento, mostrando sinais de prosperidade económica, como o aumento do investimento estrangeiro, a baixa inflação, aumento das exportações e a diminuição da dívida externa.


   3. Vida Social

O sector terciário  ganhou uma maior importância, tornando o sector primário bastante submisso. Novas alternativas de emprego vão surgindo em consequência do aumento das pequenas e médias empresas das telecomunicações, da informática e das grandes superfícies comerciais. Essas novas alternativas visam uma boa remuneração, pois o Estado vive em estabilidade financeira e onde são vísiveis as melhorias das regalias sociais.
O aumento do poder de compra e a melhoria da qualidade de vida  faz com que a banca se abra, concedendo créditos com mais facilidade.


1970
1981
1984
1991
1994
1997
1998
População activa (em milhares)
3255
4183
4573
4395
4564
4645
4987
Taxa de Actividade
37,1
42,5
57,3
44,6
48,8
49,5
50,0
Taxa do sector primário
31,7
19,3
24,5
10,8
11,4
13,6
13,5
Taxa do sector secundário
37,3
39,1
34,6
37,9
31,8
31,3
35,8
Taxa do sector terciário
36,0
41,6
40,9
51,3
56,8
55,1
50,7
Taxa de desemprego
2,8
6,8
7,5
6,1
6,9
6,8
5,0














De acordo com o documento podemos verificar que ao longo dos anos o sector primário foi perdendo a importância, sendo substítuido pelo sector terciário, que apresenta uma taxa de cerca de 50,7, em 1998. A nível de população activa nota-se um aumento bastante relativo, registando cerca de 4987 mil pessoas.


   4. Transformações

A integração europeia operou diversas modificações que pretendiam modernizar as infra-estruturas (telecomunicações, abastecimento de água, redes de gás e electricidade. Isto graças a mais um programa, o PRODAC (Programa de Desenvolvimento das Acessibilidades), que leva a cabo a contrução de auto-estradas, itinerarios principais, redes ferroviárias.




Ponte Salazar (25 de Abril)

A ponte Salazar, mais tarde renomeada ponte 25 de Abril, foi contruída m 1962, vendo-se concluída a 6 de Agosto 1966, numa cerimónia, no lado de Almada, que contou com a presença de Américo Tomás, de Oliveira Salazar e do Cardeal Patriarca de Lisboa.
Na realidade, legalmente, a ponte era designada por Ponte sobre o Tejo.
A sua construção mostrou as preocupações de Portugal em modernizar as infra-estruturas, contudo “a maior e mais bela ponte do mundo” (Jornal Diário de Notícias) tornava-se um pouco ultrapassada, em comparação com o desenvolvimento europeu.




Ponte Vasco da Gama

A ponte Vasco da Gama é a ponte mais extensa da Europa, muito próxima do Parque das Nações, que liga Montijo e Alcochete a Lisboa e Sacavém. Foi inaugurada a 29 de Março de 1998. Actualmente, e a nona ponte mais extensa do mundo. O nome da ponte comemora os 500 anos da ida de Vasco da Gama à Índia, em 1498.
Esta ponte correspondeu a todas as exigências impostas pela realização da Exposição Universal (Expo ’98).




Problemas

A abertura ao exterior, trouxe as suas vantagens, mas também teve os seus problemas, pois Portugal ao entrar na Comunidade Europeia submeteu-se a um mercado altamente competitivo, onde a concorrência era claramente grande. As questões orçamentais do governo português passam a ser controladas pelas políticas da União Europeia. As empresas, pela facilidade e abertura, deslocaram-se para outros mercados, mais rentáveis e competitivos. As assimetrias regionais são bastante acentuadas e não há controlo nem da criminalidade, nem da imigração.
Assim, nota-se uma enorme dependência da economia internacional, acentuando, deste modo a necessidade desta para se desenvolver e modernizar.



Em suma, a entrada de Portugal na Comunidade Europeia contribuiu para o seu desenvolvimento e crescimento, conseguindo modernizar-se através de múltiplos programas de apoio económico e financeiro e de avultadas verbas. E, apesar, da grande dependência as modificações foram vísiveis, eliminando  o “orgulhosamente sós” de António de Oliveira Salazar, revelando um Portugal aberto ao exterior e em progressivo crescimento.  Contudo, só com o passar do tempo é que Portugal poderá conseguir ultrapassar os bloqueios que vêm a detectar a nível político, económico, social, ou no plano educativo, cultural ou científico.
A sua integração na comunidade europeia tornou-se numa mais valia, mas será que Portugal soube aproveitar as oportunidades que foram surgindo? 



“Carecemos de ser tão sábios e tão ricos como os melhores da Europa, não porque aí esteja o fim das nossas ambições, mas porque, sem conseguir primeiro isso, jamais poderemos vê-las realizadas”.
Oliveira Martins  , História da Civilização Ibérica



Fontes:
Bruna Fernandes, nº10  12ºJ

Fundamentalismo Islâmico





Breve Introdução:
*Fundamentalismo: Manifestação religiosa, em que os seu praticantes seguem as escrituras sagradas a um ponto radical que pode despoletar a actos terroristas.

O fundamentalismo islâmico surge no mundo no  século XX (embora o islamismo já exista há vários séculos, como vertente politica surgiu apenas em meados do século XX) considerando-se pelos seu praticantes como "A verdadeira fé".
Seguindo á risca os ditames do Corão, o objectivo dos fundamentalistas islâmicos é fundir o poder politico e a religião num só.
A vaga do fundamentalismo têm inicio no irão, no ano de 1979 e a partir dos anos 90, tem-se multiplicado por varias organizações de cariz terrorista, que têm em mente a Jihad (literalmente, guerra santa) contra o mundo ocidental e contra os lideres muçulmanos, que "abraçaram" o ocidente.


         Fig 1: Símbolo do islamismo e da jihad (observamos as duas espadas e no meio o Corão)


A rivalidade entre os grupos fundamentalistas e os Estados Unidos no contexto da Guerra Fria:

Todos sabemos que entre os grupos fundamentalistas islâmicos e os Estados Unidos sempre existiu um clima de rivalidade.






Mas como surgiu?

Na década de 1950, em plena guerra fria, as autoridades americana mostravam uma grande preocupação com a proliferação de movimentos de esquerda no médio oriente, assim sendo os Estados Unidos tinham receio que algumas nações árabes integrassem no bloco soviético, ameaçando as reservas de petróleo que que encontravam por aquela região.
Mas apenas em 1979 é que as relações entre os fundamentalistas islâmicos e o ocidente é que começaram a dar os primeiros sinais de crise, pois estes acusavam os Estados Unidos de apoiarem revoltas e alianças que apenas zelassem pelos seus interesses.
O ponto de rotura chegou com o famoso ataque terrorista ás torres gémeas em 2001.


          Figura 2: O infame ataque ás torres gêmeas em 11 de Setembro de 2001


Fundamentalismo islamico moderno:

Como já observamos, o fundamentalismo islãmico teve inicio e viu o seu desenvolvimento em meados do século XX, mas foi nos anos 80 com a invasão da União Sovietica ao Afeganistão que estes grupo se uniram para enfrentar um inimigo que aos olhos muçulmanos, era um inimigo que não era crente.
É neste clima de invasão que vêmos surgir grandes nomes do mundo islamico, como Osama bin Laden que uniu forças com a jihad egipcia e forma a organização que hoje é conhecida por Al-Qaeda.
Nesta altura vemos surgir o grupo que hoje se denumina como taliban, assim como movimentos fundamentalistas na Jurdania, Sudão e Nigeria.
Com as consequentes lutas entre Islamicos e os judeus (Israel), o alvo dos grupos fundamentalistas expandiram.se para o ocidente (principalmente os EUA) devido ao apoio deste ao estado de Israel.
Osama bin Laden, acreditava assim que exista uma aliança Judaico-Americana que era hostil ao islão.
Acredita-se que actualmente estes movimentos estejam a decair.


  Fig 3: Lider da Al-Qaeda Osama bin Laden

Principais grupos fundamentalistas:

Al-Qaeda: A Al-Qaeda é famosa, como sendo um dos principais grupos de radicais islamicos.
Têm como antigo lider Osama bin Laden, e Ayman al-Zawahiri como lider sucessor.
São atribuidos á Al-qaeda varios ataques de cariz terrorista em redor do mundo, sendo o mais famoso o ataque ás torres gêmeas (falado mais em cima) entre outros.
De momento é o grupo mais preocupante á paz mundial.

                                                                                    fig 4: Ataques atribuidos á Al-Qaeda





Hezbollah: Surgida nos anos 80 como uma guerrilha para parar a invasão israelita no territorio do libano, são o principal grupo fundamentalista que é "anti-israelita".
A hezbolah é considerada por varios paises ocidentais como uma organização terrorista, embora no mundo musçulmano seja considerada como um movimento de defesa legitimo.

http://www.youtube.com/watch?v=Yb_cY1YLSF4 Doc 5: Banda Satirica Portuguesa, fala sobre hezbollah (estar atento ás imagens)


Passagens do corão de denotam o fundamentalismo Islamico

“An-Nass” (Os Homens) – Capítulo 114
  1. Bismilláhir Rahmánir Rahim
    (Em nome de Deus, Beneficente e Misericordioso),
  2. Qul Auzu Birabbin Náss
    (Diz: Eu refugio-me no Senhor dos homens),
  3. Malikin Náss
    (O supremo Rei dos homens),
  4. Iláhin Náss
    (O único Deus dos homens),
  5. Min Sharril Wass Wássil Khannáss
    (Contra o mau conselheiro),
  6. Al Ladhi Yuwasswissu Fi Çudurin Náss
    (Contra o que ilude os ouvidos e o coração dos homens),


Trabalho realizado por: Guilherme Gomes                                                                                                                                              
                           


  

domingo, 15 de abril de 2012

O Médio Oriente






Nacionalismos e confrontos político-religiosos no Médio Oriente


O Médio Oriente, a região onde surgiram as três religiões monoteístas (o Islamismo, o Cristianismo e o Judaísmo), sempre foi uma área com uma grande diversidade de povos e civilizações ainda que também bastante instável. Assim sendo, é uma zona que tem ganho, com o passar dos anos, uma preponderância admirável a nível mundial por ter vindo a ser:
v  Um fundamental centro de negócios;
v  Uma área estratégica, económica, política e cultural:
v  Um polo sensível em termos religiosos.

Fig.1-Parte do Corão
No seguimento dos pontos previamente abordados, destaca-se a riqueza petrolífera proveniente dos países do Golfo Pérsico assim como, a nível religioso, o progresso da reação fundamentalista, que acabou por desestabilizar por completo toda a política internacional.

É neste contexto que o Fundamentalismo Islâmico, tendo surgido com maior intensidade no Irão (local onde os Fundamentalistas alcançaram o poder no ano de 1979), tinha como propósito a obtenção uma identidade cultural e de ímpeto religioso. Assim, é nesta ordem de ideias que os Fundamentalistas pretendiam enaltecer o conceito de Jihad (Guerra Santa) para que pudessem obter novamente o império que outrora pertencera ao povo árabe.

Ainda que valorizassem, em primeiro lugar, a vida religiosa (prova disso é o facto de se considerarem os únicos detentores da verdadeira fé), também pretendiam destacar as regras políticas e sociais presentes no Corão ou Alcorão (o livro sagrado do Islão). Acabaram, então, por recusar a autoridade laica, assim como os valores supostamente adulterados que eram provenientes do ocidente, e adotaram, conforme explicitam os ditames do Corão, a sharia (lei corânica ou islâmica), o que fez com que as restantes religiões que prevaleceram no país se regessem pelas suas próprias leis.


Para a melhor compreensão da ideologia do Fundamentalismo Islâmico:


Tal como já referi anteriormente, o Fundamentalismo propagou-se a partir do Irão. E como é que tal se processou?


Fig.2- Mohammad Reza Pahlevi
No ano de 1925 Reza Pahlevi, um soldado do exército Persa, conquistou admiradores por ter conseguido travar uma luta liderada pelos comunistas.

É assim que consegue obter poder para instalar uma ditadura, tornando-se xá, com a aprovação do parlamento persa. Já em 1941, no contexto da 2ª Guerra Mundial, o xá Reza Pahlevi deixava-se inspirar pelos ideais do partido Nazi. Dada esta preferência do xá, as tropas britânicas e soviéticas invadiram o país para se certificarem que mantinham a sua principal fonte petrolífera, dada a sua importância. Com isto, o xá Reza Pahlevi abdicou a favor do seu filho, Mohammad Reza Pahlevi. Porém, dada a continuidade da pobreza do povo Iraniano, o xá foi pressionado para nomear um novo primeiro-ministro: Mohamed Mossadegh. É com este que se consegue obter a nacionalização do petróleo no ano de 1953. Apesar das tentativas do xá em desenvolver o país, baseadas numa política de subordinação ao Ocidente, este continuava sem grande desenvolvimento ou avanço. A estes problemas juntavam-se ainda a crescente inflação, o desemprego e o desrespeito dos Direitos Humanos, o que confirmava o fracasso da tentativa de implantação do sistema ocidental. É nesta sequência que surge o aiatola Ruhollah Khomeini, um líder espiritual muçulmano que, com as suas características religiosas, serviu de inspiração à revolução iraniana que culminou na abdicação do xá Reza Pahlevi.
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“Toda a desgraça que acontece ao Homem ou à sociedade é culpa dos capitalistas, fruto da sua concupiscência e egoísmo.”
- Ruhollah Khomeini

Tal como se pode ler nas entrelinhas do que mencionei previamente, e não esquecendo o contexto externo – a Guerra Fria, havia duas posições distintas neste conflito: o capitalismo (defendido por xá Reza Pahlevi e Mohammad Reza Pahlevi, pró-americanos – defensores dos valores do ocidente) e o comunismo (defendido por Ruhollah Khomeini, tal como se pode constatar na presente afirmação). Desta forma, com Khomeini no poder, é instalado um Estado Teocrático*. Dada a preferência política de Khomeini, já referida, este acaba por tomar uma série de medidas contra o inimigo:
v  Expulsou a embaixada americana situada em Teerão (usou os empregados como reféns com o intuito de reaver recursos económicos do país que os Estados Unidos haviam congelado – 23 biliões de dólares);

v  Anulou todos os acordos de compra de armas aos EUA;

v  Proibiu qualquer fornecimento de petróleo aos Estados Unidos (fazendo com que estes perdessem a sua valiosa fonte no Golfo Pérsico).


Foi assim que os fundamentalistas islâmicos acabaram por se dedicar à criação de organizações e campanhas contra os ideais ocidentais, sempre focalizados em travar a crescente influência dos Estados Unidos.


A questão israelo-palestiniana
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Fig.3- Yasser Arafat
O conflito existente entre Israel e a Palestina começou após a 2ª Guerra Mundial aquando do projeto de partilha do território palestiniano, que fora pensado e elaborado pela ONU. Contudo, com a criação do Estado de Israel em 1948, no Médio Oriente, houve a recusa do povo palestiniano, facto que acabou por culminar no primeiro conflito armado entre ambos os povos.

De um lado os israelitas, com a ambição de construir a pátria que pretendem e sendo protegidos e apoiados militarmente pelos Estados Unidos, tendo também o apoio dos judeus que havia por todo o mundo. Deste modo, conseguiram conservar o Estado hebraico e ainda propaga-lo através da criação de colonatos, as povoações judaicas, na área da Palestina. Esta é a definição do conceito de Sionismo, cujo um dos objetivos é o regresso dos judeus que se encontram em cada canto do mundo à sua verdadeira pátria.
Já do outro lado, os árabes também defendem a terra que sempre fora sua, fincando o pé para que o Estado Israelita não fosse reconhecido, o que resultou numa série de conflitos que evidenciaram a supremacia militar judaica, o que levou a que os territórios destinados ao povo Palestiniano fossem ocupados pelos Israelitas. Contudo, devido ao excesso de invasões nos territórios palestinos, eclodiu um enorme número de refugiados, que tiveram de ir em busca de socorro a outros países.
É nesta ordem de ideias, e com o aumento da revolta do povo Palestiniano, é criada, no ano de 1964, a OLP – Organização de Libertação da Palestina (chefiada por Yasser Arafat) uma forma que este povo encontrou para que se pudesse exprimir a nível político.



"A velha ordem do mundo está-se a desintegrar em frente dos vossos olhos, enquanto o imperialismo, colonialismo, neocolonialismo e racismo, cujo chefe é o Sionismo, inevitavelmente morrem".
- Primeiro discurso de Yasser Arafat na Assembleia Geral das Nações Unidas



Os comandos palestinianos, estando alojados em vários países árabes, cometeram uma diversidade de ataques ao povo israelita por volta dos anos 80.
Nunca esquecendo o contexto exterior, a Guerra Fria, o surgimento desta nova organização causou aos Israelitas e aos seus aliados, os Estados Unidos, a impressão de que se formara um grupo terrorista que havia sido idealizado em Moscovo (ou seja, julgavam que era interesse por parte dos comunistas) e não um modo de expressão (atitude que só veio a se alterar em finais da década referida).
Já no contexto interior, os jovens árabes começaram uma tumultuosa revolta, de seu nome intifada, que durou de 1987 a 1991. Deste modo, Israel foi pressionado pelos Estados Unidos para negociar com a OLP com o propósito de se resolver o conflito israelo-árabe. E assim se realizaram os primeiros acordos na cidade de Oslo que deram origem à Declaração de Princípios sobre a Autonomia Palestiniana, o primeiro acordo israelo-palestiniano, no ano de 1993, com as seguintes decisões:

v  A abdicação da OLP à luta armada;
v  A constituição de uma Autoridade Nacional Palestiniana que fosse liderada por Yasser Arafat;
v  A transferência gradual da posse dos territórios ocupados para a administração palestiniana;
v  A retirada do povo israelita da Faixa de Gaza (dado que estes lá se tinham fixado durante a Guerra dos Seis Dias – conflito armado que opôs Israel ao Egito, Síria e Jordânia – no ano de 1967).


Curiosidade: No ano seguinte à assinatura do acordo, em 1994 portanto, Isaac Rabin, primeiro-ministro israelita da época e Yasser Arafat ganharam o Prémio Nobel da Paz.
Fig.4- Isaac Rabin
Apesar as boas intenções eminentes, através da junção de outros acordos ao acordo inicial, a paz por ele imposta foi efémera. Prova disso foi a não compreensão dos fundamentalistas islâmicos na recusa do povo Judeu em destruir os colonatos assim como a crescente crença na sua superioridade e pureza. Contudo, só aquando do assassinato de Isaac Rabin em 1995 por um fanático judeu é que se a paz se voltou a degradar mais uma vez, acompanhado pela negação por parte do governo israelita em prolongar a região que se encontrava sob o controlo dos Palestinianos. É assim que surge, novamente, outra intifada desta vez no ano de 2000 e ainda mais intensa do que a primeira, o que fez com que Israel tomasse medidas drásticas que acabaram por ser punidas pela ONU.
Foi a partir daí que a violência se instaurou naquela área. À ameaça dos atentados suicidas a cidades israelitas, o exército judaico intervém de forma avassaladora.
É nesta ordem de ideias que em 2001, o primeiro-ministro de Israel reconhece que de facto os esforços de paz foram um autêntico fracasso, o que o levou a mandar construir um vasto muro que isola por completo a Cisjordânia, já que no ano anterior apenas 18% desta era controlada pela Palestina.
Em suma, e à semelhança do que acontecera em Berlim, considerando que foi um marco recente e atribulado da História, acaba por surgir uma situação idêntica no Médio Oriente que, para além de confirmar a inexistência da paz, faz-nos pensar se esta situação ainda deveria persistir nos dias de hoje dada a mudança nas mentalidades que se tem evidenciado com o passar das décadas.

*Estado Teocrático- Estado onde o poder político está relacionado com a religião, o que faz com seja adotada uma determinada religião que se apresenta oficial para todos.



Síntese


   


(Este vídeo é bastante útil em termos de resumo)



Fontes utilizadas:

v  Manual “O Tempo da História A”, 12º Ano 3º Volume;
v  Guia de Estudo História A 12º Ano (Porto Editora);
v  Google Imagens;
v  Conhecimentos gerais.

Trabalho elaborado por: Francisca Vasconcelos nº16