domingo, 23 de outubro de 2011

A Grande Depressão ou a Crise de 1929

O que foi a Grande Depressão?

A Grande Depressão ou Crise de 1929 foi uma grande depressão económica que começou nos Estados Unidos e se alastrou a todo o Mundo. Teve início em 1929 e persistiu ao longo da década de 1930, terminando apenas com a Segunda Guerra Mundial. A Grande Depressão é considerada o pior e o mais longo período de recessão económica do século XX. Durante o período da Grande Depressão, os Estados Unidos eram governados pelo presidente Herbert Hoover e pelo Primeiro-Ministro Richard Bennett.



Causas:
                                                                      
                                                              A era da prosperidade
Com o fim da 1ª Guerra Mundial em 1918, a Europa encontrava-se arruinada, quer a nível humano, quer a nível material. Mas, se por um lado, a 1ª Guerra Mundial provocou o declínio da Europa, por outro lado, beneficiou os países extra-europeus, como é o caso dos Estados Unidos, que se elevaram à categoria de primeira potência mundial. Assim, lucraram com a exportação de alimentos e produtos industrializados aos países aliados no período pós-guerra.
Nos 10 anos que se seguiram ao fim da 1ª Guerra Mundial, a economia norte-americana conheceu um grande crescimento, causando euforia entre os empresários. Foi nessa época que surgiu a famosa expressão “American Way of Life” (Modo de Vida Americano) – o mundo invejava o estilo de vida dos americanos. Prova desta era de prosperidade foram os “Loucos Anos 20”, onde o consumo aumentou, a indústria criava, a todo o instante, bens de consumo, clubes e boates viviam cheios e o cinema tornou-se uma grande diversão.
Legenda: "O mais alto padrão mundial de vida"; "Não há melhor maneira do que a maneira americana"
                                                     

Nesta era de prosperidade havia também uma politica de facilitação do crédito, processada pelos bancos que assim mantinha (artificialmente) o poder de compra americano. A compra de automóveis, electrodomésticos e imóveis realizava-se, na maior parte das vezes, com base no crédito e nos pagamentos em prestações, assim como as acções que os americanos detinham nas empresas. Confiantes na solidez da sua economia, muitos eram aqueles que investiam na Bolsa, onde a especulação crescia.

O automóvel foi um dos símbolos da prosperidade americana nos anos 20





                                     A Quinta-feira Negra (“crash” na Bolsa de Nova Iorque):


A indústria americana cresceu muito; porém, o poder aquisitivo da população não acompanhava esse crescimento. Aumentava o número de indústrias e diminuía o de compradores. Em pouco tempo, várias delas faliram.

A decadência nas vendas determinou um grande aumento dos stocks e ao mesmo tempo privou os industriais de capital necessário para saldar as suas dívidas ou mesmo manter a sua actividade. Desta forma, muitos empresários passaram a vendar as suas acções no mercado financeiro, elevando o seu valor como forma de levantar recursos e manter a produção.

O pânico instalou-se na quinta-feira de 24 de Outubro (conhecida como a quinta-feira negra), quando 13 milhões de títulos foram postos no mercado a preços baixíssimos e não encontraram comprador. Esta catástrofe ficou conhecida como o crash da Bolsa de Wall Street. Nos meses que se seguiram, centenas de milhares de accionistas conheceram a ruína.

A Quinta-feira negra ficou marcada pela série de suicídios ocorridos em decorrência do desespero dos accionistas que faliram com a queda da New York Stock Exchange (Bolsa de Valores de Nova Iorque) em Wall Street.

                                                                    Wall Street, Nova Iorque, em 1929

Uma vez que a maior parte dos títulos tinha sido adquirida a crédito, a ruína dos accionistas significou a ruína dos bancos, que deixaram de ser reembolsados. Com as falências bancárias, a economia paralisou, pois cessou a grande base de prosperidade americana – o crédito.

                                                                                          Em resumo…
Ao longo da década de 20, muitos bens eram adquiridos com o recurso ao crédito. Contudo, a partir de 1927, o consumo estagnou, mas a produção continuou a crescer. Por isso, muito do que era produzido ficava sem se vender por falta de compradores. Daí, a superprodução.
Por outro lado, a prosperidade dos anos 20 tinha criado um clima de confiança na economia, o que levou a uma compra exagerada de acções, cujo valor era superior ao real, isto é, especulativo. Por isso, a prosperidade era mais fictícia do que verdadeira.
Assim, motivos diferentes – superprodução e especulação na bolsa – explicam a crise de 1929.




A Dimensão da crise:


                                                             Dimensão económica e financeira:
Descapitalizadas pela retirada dos accionistas e pelas restrições do crédito, as empresas faliram. Com o aumento do desemprego, a procura diminuiu. Assim, a produção industrial contraiu-se e os preços baixaram.


O ano de 1933 foi o ápice da Grande Depressão nos Estados Unidos da América. As taxas de desemprego eram de 25% (ou um quarto de toda a força de trabalho americana). Cerca de 30% dos trabalhadores que continuaram nos seus empregos foram obrigados a aceitar reduções nos salários, embora grande parte dos trabalhadores empregados tenham tido um aumento nos salários por hora. Outro problema enfrentado foi a grande deflação - queda do preço dos produtos e custo de vida em geral. Entre 1929 e 1933, os preços dos produtos industrializados nos Estados Unidos caíram em cerca de 25%. Já o preço de produtos agro-pecuários caiu em cerca de 50%, por causa do excedente da produção destes produtos - primariamente o trigo. A quantidade destes produtos à venda excedia largamente a procura, o que causou uma queda dos preços dos mesmos. Os baixos preços levaram ao endividamento de muitos fazendeiros.



                                                                       Dimensão social:
A Grande Depressão foi responsável por cerca de 30 milhões de desempregados. Os países mais atingidos foram os Estados Unidos (com 12 milhões de desempregados), a Alemanha (com 6 milhões de desempregados) e a Inglaterra (com 3 milhões de desempregados).
Todas as camadas sociais foram afectadas. Muitos empresários faliram, as classes médias viram diminuídos os seus rendimentos e os operários e camponeses foram duramente atingidos. Por toda a parte, engrossou o número de pobres, pelo que as condições de vida de muita gente se tornaram miseráveis. Todos ofereciam os seus serviços por pouco dinheiro e alguns vendiam os seus bens a preços baixos para poderem sobreviver. Nas ruas formavam-se filas intermináveis à espera de refeições oferecidas pelas instituições de caridade (imagem à direita).

                                                                               Miséria Rural
 

Os chefes de estado e outras pessoas importantes dos países atingidos passaram a ser frequentemente considerados culpados pelo início da Grande Depressão por muito da população atingida pela recessão. As favelas dos Estados Unidos (abrigos rústicos feitos com telas de metais, madeira e papelão, onde as condições de vida eram precárias) foram apelidadas de Hoovervilles (imagem à direita), em uma sátira da população americana ao presidente Herbert Hoover. No Canadá, muitos donos de automóveis apelidaram seus veículos de Bennett Buggies - Carroças Bennett - em uma sátira ao Primeiro-Ministro Richard Bennett. Isto porque estas pessoas não tinham como adquirir o combustível necessário para abastecer seus veículos, ou cortaram a compra de combustível por considerarem um gasto supérfluo. Estes veículos passaram a ser usados como carroças, puxados por cavalos ou outros equinos.
Com a crise, aumentou também a discriminação: empregos eram dados primariamente aos brancos e, assim, o desemprego na população afro-americana era maior; as mulheres também foram afectadas, uma vez que a prioridade era dada para trabalhadores do sexo masculino; os imigrantes, vistos pela população como grupos étnicos que competiam com a “população nativa”, também tiveram pouca sorte na procura de emprego, daí a queda das taxas de imigração durante a Grande Depressão.
Além disto, a delinquência, a corrupção e o “gangsterismo proliferaram nesta época.


                                                                         
                                                                           Em resumo…
Muitos empresários não sobreviveram à crise e foram à falência, assim como vários bancos que emprestaram dinheiro não receberam de volta o empréstimo e faliram também.
A Grande Depressão não deixou nenhuma classe social de fora, atingindo todas de forma muito violenta. Esta crise trouxe medo, desemprego e falência. Milionários descobriram, de uma hora para outra, que não tinham mais nada e por causa disso alguns suicidaram-se. O número de mendigos aumentou. A pobreza e a fome afectou drasticamente a população.




A Mundialização da Crise:

                                                           A Crise no Mundo (Cartaz Alemão de 1931)

A crise americana estendeu-se rapidamente a todo o mundo. A rápida propagação da crise à Europa deveu-se, sobretudo à retirada de capitais, uma vez que desde a 1ª Guerra Mundial, os bancos americanos faziam importantes investimentos na Europa e, além disso concediam importantes empréstimos. Com a eclosão da crise, os americanos procuram fazer regressar os seus capitais provocando uma grande perturbação na Europa. Muitos bancos, sobretudo na Áustria, Alemanha e na Inglaterra, faliram ou conheceram sérias dificuldades, o mesmo aconteceu com as empresas que necessitavam de empréstimos bancários para sobreviverem.
Praticamente todos os países, da América do Norte, à Europa e ao Japão, da África à América Latina, acabaram por ser afectados de uma forma ou de outra pela crise.

                                                                                            


                                                                                                       A URSS:
A URSS foi o único país a não ser afectado pela Grande Depressão. Liderada por Estaline, em 1929, era um país socialista, que desenvolvia uma economia fechada e praticamente auto-suficiente. Ao contrário dos países europeus, não dependia dos Estados Unidos nem mantinha trocas comerciais com estes nem com nenhum país capitalista.
Como a crise foi fundamentalmente capitalista, a Rússia acabou por não sofrer as suas consequências e ainda acabou por ser fortalecida por ela.

                                                                           


                                                                                                     Em resumo…
A crise de 1929 não afectou apenas os Estados Unidos, mas também os países deles dependentes. Na Europa, devido à retirada dos capitais americanos, os bancos foram à bancarrota, provocando a falência de inúmeras empresas.
Nesta época, a União Soviética era um país socialista pelo que a sua economia – fechada ao comércio com países capitalistas – não conheceu a crise.




Fontes Consultadas:
Bibliografia:
ü  Sinais da História – História 9º Ano: Aníbal Barreira ; Mendes Moreira
ü  O Tempo da História – História A 12º Ano: Célia Pinto Couto ; Maria Antónia Monterroso Rosas

Webgrafia:
ü  http://saibahistoria.blogspot.com/2007/03/crise-de-1929-e-grande-depresso.html
ü  http://www.infoescola.com/historia/crise-de-1929-grande-depressao/
ü  http://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Depress%C3%A3o
ü  http://pt.wikipedia.org/wiki/Ter%C3%A7a-feira_negra
ü  http://www.miniweb.com.br/historia/artigos/i_contemporanea/crise_29.html




Trabalho realizado por:

  Bruna Silva, 12ºJ, nº9

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