domingo, 15 de abril de 2012

Do isolamento internacional de Portugal nos anos 60 e 70 do século XX às opções da política externa portuguesa do último decénio de XX e no início do século XXI



Uma das características mais marcantes do regime ditatorial instaurado em Portugal em 1933, o Estado Novo, foi a da manutenção da sua política colonial desde a sua implantação até o seu término. Foi governado por Oliveira Salazar e Marcello Caetano a partir de 1968. Havia-se criado o Acto Colonial em 1930, documento que atesta a importância dos territórios coloniais de Portugal e o carácter civilizacional dos colonos para com os nativos. No entanto, os territórios coloniais para pouco mais serviram além de fontes de matérias-primas para o desenvolvimento interno e mercado de escoamento de produtos nacionais.

Iniciando-se no Norte de África, movimentos nacionalistas inflamam o resto do continente africano, como o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde) e o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola).

No final da II Guerra Mundial, surge a ONU, Organização das Nações Unidas, que rapidamente se torna um impulsionador da descolonização devido ao princípio por ela estabelecido do direito de todos os povos à auto-determinação. A pressão exercida pela ONU a Portugal vai levar a uma revisão do Acto Colonial que se realiza em 1951. Nesta revisão, o termo “Colónia” passa a “Província Ultramarina”, assumindo-se como sendo parte integral do território nacional. Abole-se completamente o termo “colónia” de todos os documentos legislativos portugueses.

Há uma crescente pressão internacional no sentido da descolonização portuguesa, como é o caso da proposta por parte da administração Kennedy, dos Estados Unidos – proposta de apoio económico a Portugal (próximo dos 90 milhões de dólares) com vista a que Salazar cedesse. Salazar não cede, declarando que “O país não está à venda” e “A Pátria não se discute”. Kennedy financiou a UNITA Angolana.

Em Portugal, a população está afastada destes assuntos, facto que muda quando rebenta a Guerra Colonial, em Angola, em 1961, seguida nos anos seguintes na Guiné e Moçambique. Apesar das tentativas do governo em silenciar a questão e impedir que se lhe fosse dada muita importância, a Guerra Colonial estendeu-se até 1974. A manutenção da guerra até ’74 excluiu Portugal de vários organismos da ONU, bem como levou a grande esforço humano e económico para a suster. Internamente o descontentamento ia crescendo.

Em 1970, num evento desprestigiante para Portugal, e que contribui para o seu isolamento internacional, os representantes dos movimentos independentistas são recebidos pelo Papa Paulo VI.
A 25 de Abril de 1974, um golpe levado a cabo pelas forças militares portuguesas, o MFA, derruba o regime ditatorial, e começam os preparativos para uma solução da questão colonial que se assume desde cedo como sendo política e não militar na obra “Portugal e o Futuro”, do General António Spínola, publicada em Fevereiro de 1974.

Cenário da Guerra


Ainda em 1974 publica-se a lei 7/74 que promulga a independência das colónias. A partir desse momento levam-se a cabo acordos entre Portugal e as suas colónias para lhes conceder a há tanto desejada independência. O acordo de Argel para a Guiné, de Lusaca para Moçambique e, por fim, de Alvor para Angola. Contudo, este não foi o final dos problemas – em Moçambique começa agitação de carácter racista contra os portugueses lá residentes. Em Angola, devido às três organizações de independência, gerou-se uma guerra civil que termina apenas em 2002 com a morte de Jonas Savimbi, líder de um desses movimentos. Estes dois casos foram responsáveis pelo movimento dos “Retornados”, regresso em massa de habitantes portugueses nas colónias.

Os anos de ’74 a ’76 foram anos de tumultos sociais e políticos que tiveram como calma a Constituição de 1976, conjugando os interesses das diferentes sensibilidades políticas.

União Europeia


Em 1986, no dia 1 de Janeiro, Portugal, juntamente com a vizinha Espanha, integra a Comunidade Económica Europeia (ou CEE - futura União Europeia, ou EU), entrada desejada por muitos anos, mas inacessível devido ao carácter ditatorial de ambos os países. Esta entrada traz ao país inúmeras vantagens – apoios tecnológicos, estruturais e económicos, atribuídos com o objectivo de aproximar o país do nível de desenvolvimento dos outros países pertencentes à CEE. De 1986, ano da sua entrada, até 1992, nota-se no país um espantoso desenvolvimento que supera a média europeia, não superando todos os problemas de que padecia o país, como o défice orçamental. Portugal é alvo de um processo de modernização – a agricultura perde a sua relevância para o sector terciário devido ao surgimento de grandes superfícies comerciais, expansões nas áreas das telecomunicações e audiovisuais, avanço da informática; os principais produtos exportados passam a ser máquinas e material de transporte.

Relações com os países Lusófonos e a área Ibero-Americana

De mão dada com a União Europeia, a nível de política externa, Portugal não pode deixar esmorecer as relações com os países lusófonos. Estados como o Brasil, independente desde o “grito do Ipiranga” em 1822, os PALOP, Países Africanos de Lúngua Oficial Portuguesa, cuja independência foi alcançada no seguimento do 25 de Abril, e Timor-Leste, independente desde 2002, bem como a Comunidade Ibero-Americana, da qual Portugal beneficia de boas relações que tem com a vizinha Espanha e o Brasil.

A política externa no que toca a estes países lusófonos e ibero-americanos são extremamente relevantes nos tempos actuais porque implicam uma afirmação da nossa identidade nacional, e da preservação de um património linguístico e cultural.

As relações entre Portugal e as suas ex-colónias foram melhoradas ao longo das duas últimas décadas do século XX. Tal se pode ver com protocolos entre Portugal e estas Nações. São protocolos de cooperação e assistência no âmbito dos PIC, Planos Indicativos de Cooperação, de carácter económico, institucional, educacional, a nível da saúde, da ciência e tecnologia entre outros.

Cimeira realizado pelo agrupamento relacionado com a educação e saúde


No caso de Angola, assina-se um protocolo de cooperação económica em 1982 com o objectivo de facilitar as trocas comerciais e, em ’96, um acordo de cooperação financeira. Com Moçambique, a situação é complicada até entrar para a CPLP, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa. São Tomé e Príncipe busca apoio, uma vez que carece de recursos naturais e estruturais, e encontra-se isolado geograficamente, estando à margem do Continente Africano. No caso de Guiné-Bissau, o facto de pertencer a uma área essencialmente francófona constitui uma dificuldade.

Na mão de Portugal, juntamente com os PALOP e o Brasil, surge a CPLP. Esta torna possíveis boas relações político-diplomáticas entre os seus membros, bem como um clima de cooperação a vários níveis – económico, social, cultural, jurídico técnico-científico. A CPLP acaba, também, por dar um maior destaque à língua portuguesa no espectro internacional.

CPLP


Entre Portugal e Brasil, país de importância económica para o nosso, as relações económicas têm uma grande relevância a partir dos anos 90. Isto explica-se pela entrada de Portugal na CEE, bem como a estabilização interna do Brasil com o Plano Real (conjunto de medidas levadas a cabo com o intuito de precisamente estabilizar a situação económica sentida no Brasil) de 1994. Fruto das boas relações entre os dois países, nascem organizações portuguesas como a EDP, SONAE, Portugal Telecom, como exemplos. Entre os dois países há uma grande troca de produtos – o Brasil fornece produtos primários, Portugal investe na metalomecânica, no sector têxtil, nas energias alternativas, no turismo (relevante entre os dois países devido aos inegáveis laços) e telecomunicações, por exemplo.

Além de todos estes grupos com os quais Portugal vem estabelecendo laços político-diplomáticos e económicos, acrescenta-se a área Ibero-Americana. Desta relação surgem propósitos culturais, técnico-científicos, empresariais, económicos e educacionais. Tal como no caso da CPLP, este agrupamento contribui para a elevação do português à escala global, na qual se sente uma hegemonia anglo-saxónica e francófona, dando a Portugal uma maior visibilidade.
 
 
Filipe Monteiro
 
 
Bibliografia:
http://www.notapositiva.com/pt/trbestbs/historia/12portugal_novo_quadro_intern.htm
http://sitiosdahistoria12.blogspot.pt/2011/04/932-as-relacoes-com-os-paises-lusofonos.html
Manual da disciplina
Exame de História A, 2009, Primeira Fase

Permanência de Focos de Tensão em Regiões Periféricas

 O fim da Guerra Fria na década de 90, não significou a paz, a fraternidade e o desenvolvimento harmonioso que tanto se esperava entre os países. No fim do século XX, problemas como a fome, a doença, a intensificação acentuada dos nacionalismos e dos confrontos político-religiosos continuavam a pairar sobre o Mundo mas, em particular, nas regiões mais desfavorecidas.

África Subsariana
Considerada por muitos como a área  mais pobre do planeta, nesta área do continente africano localizam-se países com graves problemas estruturais devido ao colonialismo, ao neocolonialismo, aos conflitos étnicos e à instabilidade política.
Desde sempre muito débeis, as condições de vida da população degradaram-se pela combinação de fatores: crescimento acelerado da população; agravamento da queda do valor dos produtos da região; enormes dívidas externas e diminuição das ajudas internacionais.
Após a 2ªGM, em 1945, o poder da etnia branca foi se diminuindo, facto que se foi acentuando com a propaganda de movimentos independentistas. O processo de descolonização, iniciado em 1945, acelerou-se  na década de 1960, ano que ficou muito marcado por muitos países africanos terem alcançado a independência. Apesar disso, os problemas económicos e políticos foram-se agravando. A fragilidade económica levou-os a pedir ajuda às antigas metrópoles ou a organismos internacionais como a ONU e a CEE. De maneira a que as suas fraquezas fossem superadas, os países africanos formaram a Organização da Unidade Africana (OUA), criada em 1963 em Adis-Abeba, na Etiópia.


Fig.1


Fig.2: símbolo da Organização de Unidade Africana

A África Negra atravessa atualmente uma crise política e económica caracterizada pela rejeição dos partidos únicos, pelo aumento das tensões tribais e por um grande desastre económico. Desde a década de 80, a recessão vem aumentando com a descida dos preços das matérias-primas e com um aumento dívida externa e do desemprego. Em 2009, o número de desempregados situava-se entre os 26 e os 28 milhões de pessoas, segundo a OIT (agência da ONU para o trabalho). Este organismo prevê ainda a existência de 170 a 200 milhões de trabalhadores extremamente pobres (recebem 1,25 dólares/dia) e de 240 a 260 de trabalhadores pobres (ganham 2 dólares/dia).
Em finais os anos 80 e inícios da década de 90, a maioria dos presidentes mantinham-se no poder graças aos partidos únicos que garantiam os privilégios da minoria, alicerçados na corrupção. A crescente pressão por parte dos direitos humanos tem obrigado vários países a se justificarem perante a comunidade internacional. Neste contexto, em 1990, a África Subsariana passou por fundamentais mudanças políticas, caracterizadas pelo dos sistemas vigentes: pluripartidarismo e democracia tornaram-se palavras de ordem. O Benim renunciou ao marxismo-leninismo, a Costa do Marfim legalizou os partidos de oposição após 3 anos de autoritarismo e o Gabão, Zaire, Tanzânia, Congo, Camarões e a Zâmbia adotaram o pluripartidarismo. Na África do Sul, as leis pelas quais se regia o apartheid foram abolidas em 1991.
A fome e a SIDA são outro dos problemas que afetam esta região do planeta. Sendo a região mais afetada pela SIDA, estima-se que existam mais de 35 milhões de órfãos na África Subsariana sendo que 11 milhões são órfãos pelo facto de os seus pais terem morrido de doenças causadas pelo HIV. Nos últimos 20 anos, a SIDA matou 17 milhões de pessoas na região, atingindo quase números idênticos como a gripe espanhola (20 milhões) e a peste negra (25 milhões).


Fig.3


Quanto à fome, é a região do planeta onde provavelmente mais se sofre com este problema, onde a situação parece piorar de dia para dia. Apesar de ser uma região onde se produz e se exporta produtos agrícolas, não consegue alimentar a sua população. Os países mais afetados por este problemas são: Etiópia, Somália, Sudão, Moçambique, Malawi, Libéria e Angola. 
As estimativas para os próximos anos não são muito animadoras: segundo um relatório do Instituto Internacional de Pesquisa em Política de Alimentação, o número de crianças subnutridas aumentará cerca de 18% no ano de 2020. Ainda no mesmo estudo foi divulgado que, nos próximos 20 anos, o continente africano terá uma "diminuição na produção de alimentos em cerca de 20%", consequência dos problemas internos dos países.
Num outro estudo, desta vez feito pela ONU, estima-se que cerca de 150 milhões africanos não têm acesso ao número mínimo de calorias que um ser humano necessita. Mas o pior é que 23 milhões podem morrer à fome ou por causas provenientes da mesma, por falta de nutrientes no organismo como potássio, proteínas, cálcio, entre outros.


Fig.4
Fig.5

Conflitos/Guerras na África Subsariana
    


Seis conflitos persistem

Somália
A guerra civil na Somália teve início em 1991 e já causou a desestabilização de todo o país e a perda de poder do Estado para as forças rebeldes. A guerra intensificou-se com o envolvimento de forças militares etíopes no conflito entre o governo interino somali e a milícia islâmica. No final de 2008, após a retirada etíope, a metade sul do país rapidamente caiu nas mãos dos rebeldes islâmicos radicais que estabeleceram a lei Sharia nas regiões sob seu controlo. Em 2009, os rebeldes atacaram Mogadíscio, capturando grande parte da capital, mas não derrubando o Governo, que manteve o controlo sobre parte da cidade. Ahmedou Abdallah, enviado especial das Nações Unidas para a Somália, refere-se ao assassínio de civis na guerra civil como um «genocídio». Entre 350 mil e um milhão de somalis morreram em consequência da tomada do país pelos Senhores da Guerra, guerra civil e autoproclamação de independências.

Nigéria
A região do Delta do Níger é palco de uma série de confrontos e conflitos étnicos e políticos originados no início dos anos 1990. Tensões e disputas económicas entre petrolíferas multinacionais, o Governo nigeriano e grupos étnicos levaram à ocupação por milícias islâmicas, à militarização da região e a violentas guerrilhas. A capacidade da sociedade nigeriana é prejudicada pelo saque e corrupção dos recursos públicos. Os protestos contra o desvio dos recursos petrolíferos da região provocam a repressão do regime e o surgimento de grupos de jovens anárquicos criminosos ou de autodefesa e à reivindicação pelos radicais da lei Sharia. Além da violência étnica acrescem os problemas da poluição ambiental que afecta milhares de pescadores e agricultores empobrecidos e os mais de 30 milhões de pessoas de 40 grupos étnicos que vivem no Delta do Níger.

Sudão
Em guerra civil há 50 anos, o conflito no Sudão deslocou mais de 4 milhões de sudaneses para o sul (Juba) e norte (Cartum) do país e para Estados vizinhos. Incapaz de produzir alimentos ou ganhar dinheiro para se alimentar, a população enfrenta a fome generalizada. A guerra e prolongados períodos de seca já deixaram mais de 2 milhões de mortos. Com a recente independência do Sudão do Sul, subsistem conflitos no Nilo Azul, onde ex-rebeldes do Sul lutam por uma mudança do regime genocida de Omar al-Bashir e no Cordofão do Sul e montes Nuba, com os rebeldes a enfrentarem tropas do Governo e exigirem a autodeterminação e recusa da leiSharia. Os acordos anunciados não têm posto fim às hostilidades. Já no Darfur, um acordo de paz pôs fim ao conflito armado entre a milícia criminosa árabe Janjaweed, as tribos nómadas árabes e muçulmanas e os povos não árabes da região, mas os combates ainda se registam.

República Centro-Africana
A guerra civil na República Centro-Africana começou em 2004 com uma revolta de rebeldes e pelas ligações ao conflito no Darfur, no vizinho Sudão. Mais de 10 mil pessoas já se deslocaram por causa dos conflitos. A região de Bria, no Centro, está mergulhada numa grande miséria provocada pela disputa pelo controlo de diamantes entre grupos armados que recentemente assinaram um acordo de paz. Mais de 14 grupos armados prosseguem lutas na República Centro-Africana. A situação humana é alarmante e cada vez mais deteriorada pelos confrontos entre organizações militares e políticas no Nordeste do país. O golpista François Bozizé declarou-se presidente, dissolveu a Assembleia Nacional e suspendeu a Constituição com a promessa de promover a reconciliação, restaurar a ordem, melhorar a economia e promover eleições multipartidárias.

RD Congo
O conflito armado iniciou-se em 1998 e terminou oficialmente em 2003 quando o governo de transição da RD Congo tomou o poder. A maior guerra de África envolveu directamente oito países africanos e 25 grupos armados. Mais de cinco milhões de pessoas morreram, a maioria de inanição e doenças. Vários outros milhões foram deslocados. Apesar do acordo entre as partes beligerantes para criar um governo de unidade nacional, 1000 pessoas morreram diariamente em 2004 de subnutrição e doenças facilmente evitáveis. Em 2008, o conflito matava 45 mil pessoas por mês. Confrontos eleitorais fazem temer o agravamento da violência quando o índice de fome no país é extremamente alarmante. O grupo religioso militarizado Exército de Resistência do Senhor (LRA) tem semeado o terror entre as comunidades. Fundado em crenças étnicas e conceitos tirados do cristianismo apocalíptico, pretende instituir um Estado teocrático.

Chade
A guerra civil teve início em 2006 entre forças governamentais e grupos rebeldes apoiados pela milícia criminosa árabe Janjaweed, sustentada pelo Governo do Sudão do Norte. Batalhas fronteiriças e acusações entre tribos mostram as ligações aos conflitos no Sudão e República Centro-Africana. Apesar dos acordos de paz, os países vizinhos continuam a não respeitar as fronteiras e a fazer incursões no território do Chade, o que impede o regresso de 285 mil refugiados e 180 mil deslocados. A segurança permanece muito instável no Leste do país, na fronteira com o Darfur, onde grupos paramilitares operam. O Chade enfrenta uma crise humana de dimensões dramáticas devido à falta de alimentos provocada pelas poucas chuvas, a epidemia de cólera e o retorno de milhares de cidadãos do país que estavam na Líbia.




                                                        o conflito no Darfur, Sudão




América Latina
Nas décadas de 60 e 70, os países da América Latina procuraram libertar-se da sua forte dependência face aos produtos estrangeiros. Levaram a cabo, assim, uma política industrial protecionista com o objetivo de substituir as importações. Este estímulo económico, conduzido pelo Estado, realizou-se com recurso a avultados empréstimos.
Nas décadas seguintes, estes empréstimos, mal administrados desde o início, tornaram-se difíceis de suportar, levando a uma situação caótica a nível económica: a dificuldade em pagar. Os anos 80 e a crise mundial dificultaram ainda mais esta situação, originando pedidos de insolvência como é o caso do México em 1982.
De maneira a inverter esta situação, os credores procederam à renegociação do pagamento da dívida (estabeleceu-se novos prazos, novos juros, novos montantes a amortizar), concederam-se novos empréstimos, mas estabeleceram medidas de austeridade que permitissem o saneamento económico.
Com o objetivo de reduzir a despesa pública, estas medidas implicaram despedimentos, reduções salariais, fim dos subsídios aos bens de primeira necessidade e corte das despesas de apoio social. Como consequência, o nível de vida da população desceu, sem que a economia retomasse o seu rumo. Nos anos 80, a inflação atingiu níveis altíssimos (5000% no México e 3000% em Nicarágua) e a década acabou pior do que tinha começado, com uma descida do PNB, em vários países. Foi a "década perdida".
A primeira tentativa de solucionar o problema da dívida foi através do plano Baker, em 1985. O plano não teve os efeitos esperados e foi substituído, em 1989, pelo plano Brady.

Ditaduras e movimentos de Guerrilha. O início das democracias.
Fig.6: os guerrilheiros nicaraguenses, Augusto Sandino e Daniel Ortega (à esquerda) e os guerrilheiros da revolução cubana, Fidel Castro e Che Guevara (à direita) 

No século XX, a guerra de guerrilhas foi amplamente difundida na América Latina. Os principais grupos de guerrilheiros latino-americanos surgiram na Colômbia, Venezuela, Peru, Guatemala, Argentina, Brasil e Nicarágua.
Contudo, só duas guerras de guerrilha tiveram êxito no continente latino-americano: a primeira foi em Cuba, em 1959, com os líderes Fidel Castro e Che Guevara. A segunda deu-se em Nicarágua através da Frente Sandinista de Libertação Nacional, liderada por Augusto Sandino e Daniel Ortega.
Em vários países da América Latina, os guerrilheiros utilizaram a luta armada para combater as ditaduras instaladas, como é o caso do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso (organização terrorista, inspirada no maoísmo,  e que foi fundada na ano 1960 pelos corpos discentes e docentes de universidades do Peru) , que atuou nas décadas de 70 e 80, no  Peru; e das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que atuam ainda nos dias de hoje.

Fig.7: Abimael Gúzman, ou Presidente Gonzalo, o fundador  do grupo Sendero Luminoso

Fig.8: cartaz do grupo Sendero Luminoso

Fig.9


Fig.10: guerrilheiros das FARC


Quando Fidel Castro assumiu o poder em Cuba, os EUA temeram que o comunismo se propagasse pela América Latina. Então com o objetivo de contê-lo, os americanos apoiaram golpes de força e regimes ditatoriais de direita um pouco por todo o continente. Em 1975, só a Colômbia, a Venezuela e a Costa Rica tinham governos eleitos. Os restantes países encontravam-se sob regimes repressivos. 
As dificuldades económicas, as desigualdades sociais e o prolongamento dos regimes ditatoriais, em países como o Brasil, a Argentina, o Chile e o  Peru, fizeram com que as guerrilhas aumentassem as suas atividades oposicionistas. Nas décadas de 60 e 70, continente conheceu um aumento dos movimentos de guerrilha. Isto fez com que a região se lança-se num clima de guerra civil e contribuiu para o seu atraso.
Nos anos 80, registou-se uma viragem para a democracia.  

                                                                                 A guerrilha do Araguaia



Fontes:

Livro "O Tempo da História"- 12º 

                                                                                             Trabalho realizado por: André Sousa nº4



Modernização e abertura da China à economia de mercado


Quem foi Deng Xiaoping?


Deng Xiaoping foi um dirigente chinês, nascido a 22 de Agosto do ano de 1904 em Guangan, que estudou em França com apenas 16 anos, onde aderiu ao Partido Comunista Chinês. Em 1925 até ao ano de 1926 viveu na URSS. Uma vez, de volta a casa, organiza forças apoiantes de Mao Tsé-Tung e participa na Longa Marcha para o norte do país em protesto contra o governo de Chiang Kai-shek.
Em 1954, Deng torna-se secretário-geral do partido comunista, passando no ano seguinte a membro do Politburo (comité que definia a politica do partido). Em 1959, quando Mao é afastado do governo e Liu Shaoqi se torna presidente, Deng continua no mesmo posto. Porém, em 1966, Mao volta ao poder, e com a Revolução destitui Liu e demite e manda prender Deng.
Na década de 70, a ala moderada do partido comunista chinês reconquista posições e Deng volta ao Politburo, tornando-se a figura central no processo de implantação de uma economia socialista de mercado neste país. Realiza uma aproximação com o Japão e os EUA, que é mal vista por muitos.
Em 1989 reprime violentamente manifestações pró-democráticas em Pequim, renunciando ao poder depois.
Em 1997 morre na sequência de Parkinson.

Após a morte de Mao Tsé-Tung, em 1976, a governação da China passou para Deng Xiaoping, que levou este país a enveredar por uma economia de mercado, em 1978.  Este último governante lança um conjunto de reformas pró-capitalistas de forma a modernizar o país, introduzindo mudanças na indústria, abrindo a economia ao exterior- anteriormente autárcica - e modernizando agricultura.
As transformações verificadas na indústria foram:
  • a substituição da indústria pesada por produtos de consumo e têxteis destinados à exportação;
  • a adopção do modelo dos países industrializados;
  • a abertura da China aos interesses económicos estrangeiros.
Porém, não foram só estas mudanças que se verificaram ao nível deste mesmo sector, tal como podemos ver a partir da expressão "UM PAÍS DOIS SISTEMAS", (Deng foi quem propôs esta máxima, sendo a China um país comunista e capitalista ao mesmo tempo) que consistiu na criação de quatro zonas económicas especiais abertas às indústrias financiadas por capitais estrangeiros e com total liberdade de realização de trocas comerciais com o exterior.
Estas quatro zonas foram muito bem sucedidas no que toca à economia servindo de incentivo para a criação de uma zona livre na ilha de Hainan e de cidades portuárias onde as empresas chinesas podiam negociar e era permitido investimentos estrangeiros mais baixos aos das quatro zonas especiais.
O capital estrangeiro, primeiramente foi investido na liberalização industrial e comercial nas regiões costeiras, contudo mais tarde os investimentos estrangeiros foram feitos no interior com o objectivo de encontrar mão de obra abundante e barata. Todos os sectores abertos aos investimentos beneficiaram, com excepção para os do monopólio do Estado, que eram as mais competitivas - indústria espacial, militar e telecomunicações.

Na agricultura as transformações foram:


  • a descoletivização das terras, entregues aos camponeses em regime de arrendamento a longo prazo;
  • liberdade dos camponeses comercializarem os excedentes e de ficar com os lucros 
Estas mudanças na China fizeram descolar a economia a partir dos anos 80,conseguindo competir com os EUA e a Europa. Estas mudanças são visíveis a partir da análise dos gráficos abaixo, sendo que o primeiro nos mostra a evolução sempre positiva que a China teve desde a governação de Deng, que apesar de repressivo foi eficaz no que toca a zelar pelos interesses económicos da China. 
Também na fig. 2 podemos ver que a China é a maior empreendedora no que toca a infra-estruturas, porém nem tudo é bom, pois como nos mostra a fig. 3 os salários não acompanham em nada o crescimento económico do país. Já na fig. 4 vemos que a China é o segundo país, sendo depois de Twain, o país com mais exportação, mais uma vez a ideia da alta produtividade.
Fig. 1 Taxa de crescimento económico anual chinês entre 1971 a 2009




Gasto em Infra-Estrutura na Ásia (2008-12E)
Fig. 2 Gastos em infra-estruturas, na Ásia em 2008


Crescimento Salarial na China
Fig. 3 Crescimento salarial na China ente 1993-2008


Reservas/Importações (Em mês de importações)
Fig. 4 Reservas/Importações (em mês de importações)


Em 1978 a integração da China no mercado motivou a pacificação com o Japão pondo fim à tensão sentida desde a invasão da Manchúria em 1931 aquando do desespero do primeiro para ultrapassar a crise tentando conquistar território chinês com o fim de obter as suas matérias-primas, tal como vemos na fig. 5 que nos remete para a riqueza do país em 2009 que é, sem dúvida, a superpotência sem no entanto a ser realmente. 
Em 1979 as relações diplomáticas com os EUA  foram reestabelecidas.
Porém, nem tudo é paz...A política continuava a mesma, havendo a repressão eminente e não havendo liberdades individuais. As desigualdades sociais eram preocupantes, não tendo toda a população acesso às mesmas oportunidades, sendo que nas regiões costeiras se afirmava a burguesia empresarial, no interior o empobrecimento era galopante e sem usufruto de qualquer modernização.
A inflação também era uma realidade para o povo chinês, antes controlada pelo Estado, tal como o desaparecimento da segurança social. Por aqui pode-se rapidamente deduzir que havia descontentamento pela falta de democracia, que dá asas à ocupação da Praça Tiananmen a 15 de Abril de 1989. Com a visita de Gorbachev a Pequim, a repressão agravasse. Ficou mundialmente conhecido como o "Massacre de Tiananmen".

Um video muito interessante do massacre, está em inglês que é de fácil percepção e imagens muito boas da época: http://www.youtube.com/watch?v=6inWKFKv9UA

Deixo uma entrevista da revista electrónica Guernica com Wuer Kaixi (figura abaixo do homem que é hoje, do lado esquerdo e do jovem estudante revolucionário que foi, do lado direito), o jovem estudante que liderou a greve de fome:
"Logo após Tiananmen, veio a idependência do Timor Leste, Mandela deixou a prisão, o Muro de Berlim caiu. O mundo parecia estar a ficar melhor. Depois do Onze de Setembro, veio a guerra no Oriente Médio e a ideia de que o mundo está melhor ficou difícil de defender.
Mas depois de 1989, a China ficou melhor. Depois de Tiananmen, o Partido Comunista decidiu fazer um acordo com o povo chinês. Ofereceu liberdade económica em troca de cooperação chinesa. É um mau acordo, porque tanto liberdade política como a económica não pertencem ao governo para que ele possa oferecê-la. Mas, de qualquer forma, o povo aceitou o acordo e o Partido Comunista deixou o dia-a-dia das pessoas.
Não há mais um Estado ideológico e é por isso que o povo chinês concordou com apenas liberdade económica."
Fig. 5 Variação do PIB no mndo em 2009


Fig. 6 Capital de empregado por trabalhador

Fig. 9 Fábrica chinesa

Um link de um vídeo que demonstra a ideia de produtividade nas fábricas: http://www.youtube.com/watch?v=0LX3URYoBOQ&feature=related


Apesar do trabalho abundante e barato,como se observa na fig. 6 onde a China é o país com menos capital investido nos empregados e na fig. 7 de uma fábrica com alta produção; o povo chinês hoje em dia é bastante escolarizado, e dá muita importância à educação, que podemos ver na fig. 8, em baixo, que já em 2005 tinha médias bastante boas quer a nível nacional, quer em sectores como a construção, manufactureiro, bancário.
A importância que referi ao nível da educação é tanta que em Huanggang, localizada na província central de Hibei, os alunos da sua escola de ensino médio ganharam 25 medalhas em competições internacionais de ciência e matemática, levando a que 99% dos alunos sejam aprovados, e mais tarde se mudem para as cidades e que tenham sucesso nos seus empregos uma vez que são educados para prestarem serviço ao país e darem produtividade e fluidez à economia deste.  
Para ilustrar esta realidade, embora, naturalmente, com as suas pequenas falhas, dou o exemplo do exame de ensino médio (secundário) denominado "gaokao" que é completamente controlado não podendo os carros buzinar perto da escola durante o tempo de exame, e os alunos sendo controlados para não chegarem atrasados de forma a não perderem este, isto é feito sobre o olhar atento da polícia chinesa.
Como se pode comprovar com a fig. 9 o investimento na formação chinesa para outros países é muito grande, sendo de destacar a escolha dos EUA como 1ª opção de destino.
Mais uma vez é visível na fig. 10 a aposta nos estudos superiores, em 2006 e 2007 em ciências e engenharia.
Fig. 8 Escolaridade média da população chinesa em 2005


Fig. 9 Número de estudantes por país que foram estudar para fora
Fig. 10 Percentagem de estudantes universitários, Graduados e recém doutorados em Engenharia na China e OCDE nos anos de 2006 e 2007 



Fig. 11 Made in China

Hoje em dia a China ainda mantém o regime de partido único e totalitário. Com este controlo a China pode equiparar-se aos EUA em termos de produção, porém em termos de trabalho operário que é abundante, por falta de escolarização, sendo desta forma a preços muitíssimo baixos e neste aspecto não há evolução no país, repetindo-se o cenário de desigualdades discrepantes, há porém cada vez mais a preocupação por parte da sociedade em geral, e principalmente por parte do Estado em incentivar as novas gerações a escolarizarem-se de forma a evoluírem a economia com novos métodos.  
A China tem cerca de 1,4 biliões de habitantes, podendo chegar mesmo aos 1,7 biliões contando com as pessoas que têm o segundo filho mas não o registam por receio das medidas repressivas tomadas para o controlo da natalidade. Como podemos ver na fig. 12 um estudo para estimar a população em 2050 que vem imediatamente a seguir à Índia.Tal também se verifica na fig. 13, com o estudo mais abrangente de 100 anos, onde ambos os documentos se cruzam, mostrando que a Índia vai, sem dúvida ultrapassar a China em crescimento populacional.


Fig.12 Estimativa da população para 2050



Fig. 13 Crescimento populacional e projecções 1950-2050 em vários países destacando a China e População rural e urbana na China


Em termos de recursos minerais, a China ocupa um lugar de destaque no cenário mundial, esse factor é importante para o abastecimento das indústrias e contribui para o crescimento económico do país.

O principal minério chinês é o carvão mineral, sendo o maior produtor mundial, além de ocupar o ranking de sétimo lugar em produção de petróleo, pois corresponde a 4,6% de todo minério fóssil do mundo. Outros minérios importantes e encontrados com abundância são estanho, ferro e alumínio.
Para reforçar a situação actual do país deixo o artigo do jornal português Correio da manhã, do dia 27 de Fevereiro deste ano, no qual o Presidente do Banco Mundial, Robert B. Zoellick fala sobre o modelo de crescimento actual da China:

China: Actual modelo de crescimento "é insustentável"


O presidente do Banco Mundial, Robert B. Zoellick, exortou hoje a China a "reformar" a sua economia, afirmando que o país "atingiu um ponto de viragem" e que o "actual modelo" de crescimento é "insustentável".


"A causa a favor das reformas é convincente porque a China atingiu agora um ponto de viragem no seu processo de desenvolvimento", disse Zoellick em Pequim, no lançamento do estudo "China 2030", elaborado pelo Banco Mundial e pelo Centro de Investigação e Desenvolvimento do Conselho de Estado chinês.
Segundo Zoellick, o modelo de crescimento da China, assente em grande parte nas exportações , "não é sustentável".
"Chegou a altura de estar à frente dos acontecimentos e adoptar grandes mudanças nas economias mundial e nacional", acrescentou.
A economia chinesa cresceu em média cerca de dez por cento ao ano ao longo das últimas três décadas, sendo hoje a segunda maior do mundo, a seguir à dos Estados Unidos.
 "Os líderes chineses reconheceram que o modelo de crescimento do país, que teve tanto sucesso nos últimos trinta anos, necessitará de mudar e acolher novos desafios", disse Zoellick.
O presidente do Banco Mundial considerou que a China tem agora "uma oportunidade" para "promover um crescimento inclusivo, sem danificar mais o ambiente" e "continuar o seu caminho para se tornar um responsável parceiro da economia internacional".Contudo, Zoellick advertiu que o referido estudo, apesar de patrocinado pelo governo chinês, deverá suscitar resistências por parte de pessoas com "interesses instalados" no modelo actual.
"As reformas não são fáceis. Muitas vezes geram recuos", disse.
O estudo recomenda nomeadamente o "redimensionamento do vasto e poderoso sector das empresas estatais", adiantou no fim-de-semana a imprensa oficial.
Em 2011, o crescimento da economia chinesa abrandou para 9,2 por cento - menos 1,2 pontos percentuais que em 2010 - e este ano deverá continuar a abrandar.
O crónico excedente comercial da China também diminuiu devido à queda da procura na União Europeia e nos Estados Unidos, os dois maiores mercados das exportações chinesas.



Isto é o que acontece e vai continuar a acontecer se a população chinesa continuar a crescer como tem vindo a verificar-se: http://www.youtube.com/watch?v=zFUTAijqHt0&feature=related

webgrafia:
Youtube;
Google;
Wikipédia;
Infopédia;


Bibliografia:

Guia de estudo 12º ano Historia A
Livro de exames 12º ano História A
Livro de Historia A Porto Editora 12º ano


Realizado por:
Mónica Gomes