terça-feira, 10 de abril de 2012

O fim da URSS


O FIM DO MODELO SOVIÉTICO

Fim da Guerra Fria

O período que se encontra entre 1985 e 1991, foi marcado por grandes modificações. A Guerra Fria terminou de forma inesperada, durante a década de 1980. Em 1989, a queda do muro de Berlim foi o ato simbólico que decretou o encerramento de décadas de disputas económicas, ideológicas e militares entre o bloco capitalista, comandado pelos Estados Unidos e o socialista, dirigido pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Na sequência deste facto, ocorreu a reunificação da Alemanha Ocidental e Oriental.
Podemos afirmar que a crise nos países socialistas funcionou como um catalisador do fim da Guerra Fria. Os países do bloco socialista, incluindo a União Soviética, passavam por uma grave crise económica na década de 1980. A falta de concorrência, os baixos salários e a falta de produtos causaram uma grave crise económica. A falta de democracia também gerava uma grande insatisfação popular.

No começo da década de 1990, o presidente da União Soviética Mikhail Gorbatchev começou a implementar a Glasnost (transparência / reformas políticas priorizando a liberdade) e a Perestroika (reestruturação económica). A União Soviética estava pronta para deixar o socialismo, rumo à economia de mercado capitalista, com mais abertura política e democrática. Na sequência, as diversas repúblicas que compunham a União Soviética foram retomando sua independência política. Futuros acordos militares entre Estados Unidos e Rússia garantiriam o início de um processo de desarmamento nuclear.

Na década de 1990, sem a pressão soviética, os outros países socialistas (Polónia, Hungria, Roménia, Bulgária, entre outros) também foram implementando mudanças políticas e económica no sentido do retorno da democracia e engajamento na economia de mercado.

Portanto, a década de 1990 marcou o fim da Guerra Fria e também da divisão do mundo em dois blocos ideológicos. O temor de uma guerra nuclear e as disputas armamentistas e ideológicas também foram sepultadas. 
O fim do modelo soviético transformou a geografia política do Leste europeu e lançou os antigos estados socialistas numa transição económica difícil, cujas marcas são, ainda, claramente percetíveis.


A Era Gorbatchev

Com a morte de Konstantin Chernenko (Presidente do Soviete Supremo da URSS e Secretário Geral do Partido Comunista de Fevereiro de 1984 a Março de 1985, e Chefe Supremo do Politburo, o segundo mais alto cargo na hierarquia soviética, de 1971 até 1984),  Mikhail Gorbachev, com 54 anos de idade, é eleito secretário geral do Partido Comunista a 11 de Março de 1985. Sendo, efetivamente, o verdadeiro líder da União Soviética.


Bem mais novo e decidido do que os seus antecessores, o novo líder encara de frente a deterioração que o sistema vinha sofrendo desde os tempos de Brejnev.
Incapaz de igualar o arrojado programa de defesa nuclear da administração Reagan (conhecido como “guerra nas estrelas”), o líder soviético procura assim criar um clima internacional estável que refreie a corrida ao armamento e permita à URSS utilizar os seus recursos para a reestruturação interna.

Defensor de ideias modernizantes, instituiu grandes projetos inovadores ao conservadorismo dos dirigentes: a perestroika (reconstrução económica), democratizatsiya (democratização), o uskorenie (desenvolvimento económico) e aglasnost (transparência política).

Perestroika significa superar o processo de estagnação, quebrar o mecanismo de frenagem, criando um mecanismo confiável e eficaz para a aceleração do progresso social e económico e conferindo-lhe maior dinamismo; significa iniciativa da massa. É a conferência de desenvolvimento da democracia socialista, auto-governo, o incentivo da iniciativa e esforço criativo.

Por outras palavras...

Perestroika : reestruturação profunda do funcionamento do modelo soviético empreendida por M. Gorbatchev, a partir de 1985. Tendo um carácter marcadamente económico, a perestroika assumiu também a vertente política (a glasnost) que procurou reconciliar o socialismo e a democracia.

Por ainda mais palavras...

A Perestroika, que teve início em 1986, foi concebida para introduzir um novo dinamismo na economia soviética, que passava por sérios problemas. Para que os setores económicos do país tivessem uma expansão qualitativa e quantitativa, foram introduzidos mecanismos para estimular a livre concorrência (e acabar com o monopólio estatal), desenvolver setores secundários de produção (bens de consumo e serviços não-essenciais) através da iniciativa privada e descentralizar as operações empresariais. No campo, foi estimulado a criação de cooperativas por grupos familiares e arrendamento de terras estatais. A proposta também foi incentivar empresas estrangeiras a atuarem no país. Houve ainda uma redução dos gastos do governo, principalmente na indústria bélica.

Glasnost

Enquanto no Ocidente a noção da glasnost se associa com a liberdade de expressão, a meta principal desta política foi fazer o governo do país transparente e aberto para discutir, assim logrando o círculo estreito de apparatchiks que anteriormente exerceu o controle completo da economia. A Glasnost foi, portanto, um processo de abertura política.

A glasnost deu novas liberdades à população, como uma maior liberdade do discurso - uma modificação radical, visto que o controle de discurso e supressão da crítica do governo tinha sido anteriormente uma parte central do sistema soviético. Houve também um maior grau da liberdade dentro dos meios de comunicação. Até o final dos anos 1980, o governo soviético veio embaixo da crítica aumentada, como fez a ideologia leninista (que Gorbachev tinha tentado conservar como a fundação da reforma), e os membros da população soviética foram mais francos na sua visão de que o governo soviético não ia bem.

Na área política e social, a Glasnost pretendeu colocar novos paradigmas no modo de vida soviético. Para que a União Soviética tivesse um desenvolvimento forte e profícuo, era necessário colocar uma nova mentalidade em todos os segmentos da sociedade. Assim, a proposta foi de acabar com a burocracia política, combater a corrupção e introduzir a democracia em todos os níveis de participação política, ou seja, autorizou o pluripartidarismo. A glasnost também libertou dissidentes políticos e permitiu a liberdade de imprensa e expressão.

O colapso do bloco soviético

Investiga as causas históricas, políticas, sociais e econômicas que mais contribuíram para o colapso e desaparecimento da União Soviética em 1991. Como um esforço de reinterpretação do fenômeno, desde a gênese até o esgotamento da URSS, apóia-se em análises e dados de alguns dos mais conhecidos especialistas no assunto. Considera que um conjunto de elementos se combinou para tal desfecho. Aponta como causas principais:

a) o atraso material e cultural da velha Rússia para iniciar a construção do socialismo; b) o isolamento da Revolução Russa, fruto, entre outros fatores, do reformismo político que paralisou a classe operária no Ocidente;

c) as agressões militares que a URSS sofreu, com suas imensas perdas humanas e os custos insuportáveis de defesa, derivados da ameaça permanente que vinha do exterior, que contribuíram para exauri-la economicamente;

d) a natureza ditatorial do sistema político, como elemento central, que se pôde acelerar a industrialização e a modernização em uma primeira fase, trouxe imensos prejuízos humanos por outro e funcionou a partir de certo ponto no tempo como uma trava à continuidade do desenvolvimento da economia e da sociedade;

e) o esgotamento do modelo extensivo de crescimento na virada para os anos 70, a desaceleração econômica que chega à estagnação no início dos anos 80 e o acentuado atraso tecnológico em relação ao mundo capitalista, verificado já na década de 70;

 f) As grandes transformações sociais, culturais e comportamentais ocorridas no mundo e na URSS, a Revolução da Informação e as mobilizações democráticas em todo Leste Europeu, que erodiram as fundações do sistema soviético;

g) A Perestroika, que como programa de reformas acelerou a democratização do regime político, levando à desagregação do velho mecanismo burocrático de planejamento e gestão estatais da economia, o que por sua vez gerou caos;

h) As mobilizações nacionalistas e a ofensiva restauracionista selaram a desagregação do sistema soviético. O processo final que levou ao colapso da URSS parece mais uma combinação de progressivas revoluções ou mobilizações democráticas - que em muito se assemelham às revoluções burguesas, já que suas bandeiras e demandas não diferem muito daquelas levantadas nas revoluções de 1789 e 1848 - com a implosão de um sistema político debilitado e ultrapassado, onde já não cabiam as forças produtivas e sociais que dentro dele se desenvolviam
                                                                                O colapso da URSS: um estudo das causas

Gorbatchev, confiante no clima de concórdia que estabelecera com o Ocidente, passou a olhar as democracias populares como uma "obrigação" pesada, da qual o URSS só ganhava em libertar-se.
A doutrina da "soberania limitada" foi então posta de lado, e os antigos países-satélite da URSS puderam escolher o seu regime político. 

No ano de 1989, uma vaga democratizadora varre o Leste: os partidos comunistas perdem o seu lugar de "partido único" e, pouco depois realizam-se as primeiras eleições livres do pós-guerra.

Neste processo, a cortina de ferro, que há 4 décadas, separava a Europa, levanta-se finalmente: as fronteiras com o Ocidente são abertas e, em 9 de novembro, perante um mundo estarrecido, cai o Muro de Berlim.


Face à queda do Muro e ao colapso dos regimes comunistas, a divisão da Alemanha deixara de fazer sentido. A Alemanha reunifica-se. Em 3 de outubro de 1990, menos de um ano depois da queda do Muro de Berlim, são retirados os marcos entre os dois países e a nação germânica reecontra a unidade perdida. No mês seguinte é anunciado, sem supresa, o fim do Pacto de Varsóvia e, pouco depois, a dissolução do COMECON.

Aqui seguem alguns vídeos em ordem, sobre a Reunificação Alemã:

                                           1º Uma chance para a Alemanha e para a Europa;

2º Alemanha: um sócio muito requisitado na Europa;

3º Berlim: a capital da Alemanha unificada;

4º A Alemanha assume responsabilidade global;

5º O engajamento da Alemanha na ONU.


O Fim da URSS

A Dissolução da União Soviética resultou no fim do socialismo real e na indepêndencia de 15 repúblicas soviéticas:

Rússia,
Ucrânia,
Moldova,
Bielorrúsia,
Estônia,
Letônia,
Lituânia,
Geórgia,
Armênia,
Azerbaijão,
Casaquistão,
Turcomenistão,
Quirguistão,
Usbequistão e
Tajiquistão.

No Leste Europeu, os países socialistas, como a: Polônia, Tchecoslováquia, Roménia, Hungria, Iugoslávia, Albânia, Bulgária e Alemanha Oriental, foram gradativamente declarando a independência do partido socialista e todos tornaram-se capitalistas e de governos democráticos (exceto na Jugoslávia onde houve guerra civil e separatista). A Tchecoslováquia se separou de forma amigável.

Confrontado com estas dissidências, Gorbatchev, que nunca tivera em mente a destruição da URSS ou do socialismo, tenta parar o processo pela força, intervindo militarmente nos Estados Bálticos (início de 1991). Esta atuação retira o líder soviético da vanguarda reformista e o apoio dos mais ousados passa para um ex-colaborador de Gorbatchev, Boris Ieltsin. Eleito, como independente, presidente da República da Rússia em junho de 1991, Ieltsin reforça o seu prestígio em agosto ao encabeçar a resistência de um golpe de Estado dos saudosistas do Partido, que pretendiam tomar o poder e parar as reformas em curso.
Pouco depois, no rescaldo do golpe, o novo presidente toma a medida extrema de poibir as atividades do partido comunista.

No outono de 1991, a maioria das repúblicas da União declara a sua independência. Em 21 de dezembro, nasce oficialmente a CEI (Comunidade de Estados Independentes), à qual aderem 12 das 15 repúblicas que integravam a União Soviética. Quatro dias depois, ultrapassado pelos acontecimentos e vencido no seu propósito de manter o país unido, M. Gorbatchev abandona a presidência de uma URSS que, efetivamente, já desaparecera.

(símbolo da CEI)



OS PROBLEMAS DA TRANSIÇÃO PARA A ECONOMIA DE MERCADO

Na Economia de mercado a maior parte da produção econômica é gerada pela iniciativa privada. Indústria, comércio e prestação de serviços são controlados por cidadãos particulares, ou seja, são empresas do setor privado que detêm a maior parcela dos meios de produção.

O Estado tem o papel de regulamentação e fiscalização da economia, além de atender setores prioritários como: energia, segurança, educação e saúde, entre outros.
A perestroika tinha prometido aos soviéticos uma melhoria acentuada e rápida do nível de vida. Mas, ao contrário do previsto, a reconversão económica foi um fracasso e a economia deteriorou-se rapidamente.

O fim da economia planificada significou o fim dos subsídios estatais às empresas, que se viram na necessidade de se tornarem lucrativas ou enfrentarem a falência. Assim, muitas unidades desapareceram e outras extinguiram numerosos postos de trabalho, considerados excedentários.
De forma geral a riqueza passou para as mãos de antigos altos funcionários que souberam aproveitar a posição que se encontravam. Em meados dos anos 90, 45% do rendimento nacional encontrava-se nas mãos de menos de 5% da população.

Os países de Leste também viveram, de forma dolorosa, a transição para a economia de mercado.
De acordo com o Banco Mundial (2002), nos países em transição para a economia de mercado, “a pobreza espalhou-se e cresceu a um ritmo mais acelerado do que em qualquer outro lugar do Mundo”.
Os países que encetaram reformas mais drásticas e que beneficiaram de uma relativa estabilidade política, como a República Checa, a Hungria ou a Polónia, captaram importantes investimentos estrangeiros e grandes fluxos turísticos, apresentando, a partir de meados da década de 90, uma evolução económica positiva. Aí, o nível de vida ultrapassou rapidamente o antigo padrão comunista e as previsões de crescimento económico mantêm-se animadoras, devido, em parte, ao forte estímulo que constitui a sua recente adesão à União Europeia.







Livro – O Tempo da História – Parte 3 – 12º






Trabalho realizado por
Rafaela Souto
12ºJ

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