quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O Mundo Comunista


O Mundo Comunista


1. O Expansionismo Soviético

No fim da Segunda Guerra Mundial, o Mundo contava apenas com dois países comunistas – a URSS (1917) e a Mongólia (1924). O expansionismo do comunismo fez-se em grande parte sobre a liderança da URSS que, beneficiando do reforço da sua posição militar e do processo de descolonização, conseguiu concretizar o desejo de expandir os ideais do marxismo-leninismo que há muito acalentava (Komintern 1919). O comunismo chega a quatro continentes (Ásia, África, Europa e América) e assim a URSS quebra o isolacionismo que lhe havia sido voltado desde Outubro de 1917.

2. Comunismo na Europa

O expansionismo da influência soviética na Europa remonta às batalhas de Estalinegrado (Agosto 1942 – Fevereiro 1943) e Kursk (Julho 1943) - 2ª Guerra Mundial - que resultaram na vitória do Exercito Vermelho (exercito da URSS) sobre a Wehrmacht (exercito da Alemanha Nazi). Estas vitórias marcam um ponto de viragem no rumo da Guerra, na qual a URSS faz, progressivamente, o exército alemão recuar, até Berlim. Pelo caminho, o Exercito Vermelho vai libertando os países da Europa de Leste da influência Nazi, nos quais impôs exigências como o abastecimento das suas tropas, a manutenção da ordem, a proibição de partidos não democráticos, etc.

Após a derrota do nazismo, a URSS reclamou o direito de intervir directamente na organização política e económica dos países que tinha libertado. No entanto, estes tinham aderido todos ao modelo democrático parlamentar- onde, apesar de fortes, os partidos comunistas eram minoritários - com a excepção da Jugoslávia e da Albânia em que os partidos comunistas liderados por Tito (Jugoslávia) e Enver Hoxha (Albânia), em 1945 e 1946, respectivamente, alcançaram o poder.

Tornava-se imperativo mudar a situação. Assim iniciou-se um processo de conquista do poder:

- Primeiramente, os partidos comunistas procuraram formar governos de coligação com outros partidos de esquerda, através dos quais conseguiram conquistar posições importantes e influentes;

- Após isto, utilizavam o poder e a influência para apoiar sindicatos e milícias armadas de forma a combater e reprimir as forças da oposição liberal;

- Com a generalização da repressão as forças liberais perderam o poder e a influência e foram, assim, silenciadas;

- Por fim, os partidos comunistas alcançaram o poder e instalaram o Centralismo Democrático à imagem da URSS.

Por volta de 1948, já todos os países da Europa de Leste haviam aderido ao socialismo. A estes novos países socialistas atribuiu-se o nome democracias populares. Estas construíram-se à imagem do modelo soviético e da ideologia marxista e, como tal defendem que a gestão do Estado pertencia às classes trabalhadoras, visto constituírem a grande maioria da população. Estas vêem os seus interesses representados no Partido Comunista e através deste exercem o poder. Tal como na URSS, estes regimes políticos organizam-se segundo o Centralismo Democrático *.


A União Soviética exercia sobre estas democracias populares influência de ordem:
Politica – Através do Kominform (Secretariado de Informação Comunista), organização criada em Setembro de 1947.  Esta organização tinha como objectivo coordenar acções entre partidos comunistas sob orientação soviética e contava com os partidos comunistas da Hungria, Bulgária, Roménia, Checoslováquia, Jugoslávia (excluído em 1948), URSS, Polónia, França e Itália – nestes dois últimos os partidos comunistas nunca conquistaram o poder.

Económica – Em Janeiro de 1949, em resposta ao lançamento do Plano Marshall por parte dos EUA (plano de ajuda económica aos países europeus) , a URSS criou o Plano Molotov que consistia num conjunto de acordos entre a União Soviética e as democracias populares, que estipulavam, a longo prazo, ajuda técnica e financeira e intercâmbio de produtos e matérias-primas. Na sequência do Plano Molotov surge o COMECON (Conselho de Ajuda Económica Mutua), instituição que se destinava a promover o desenvolvimento integrado dos países comunistas sobre a liderança da URSS


Militar - Em 1955, a URSS funda o Pacto de Varsóvia, uma organização militar de defesa que agiria perante qualquer acto de agressão aos seus estados-membros. No entanto, os países signatários vêem a sua soberania limitada pelos “interesses superiores do socialismo” que eram ditados pela URSS, que se revia como a “pátria do socialismo”





(Como podemos ver, havia por parte da União Soviética a necessidade de manter a hegemonia comunista na Europa coesa e intacta, o que justificou a construção, em 1961, do muro de Berlim ** que passou a simbolizar a evidente divisão do Mundo em dois blocos antagónicos. O Pacto de Varsóvia apresenta-se, também, como uma reacção à criação da NATO - organização militar defensiva – em 1949, por parte dos EUA.
Josip Broz Tito

Nem todas as democracias populares, no entanto, seguiram o modelo soviético: a Jugoslávia recusou alguns aspectos do modelo económico soviético, o que lhe valeu a ira de Estaline que levou à sua exclusão do Kominform em 1948, o que, obviamente, originou o afastamento dos dois estados. As relações entre estes só se normalizam em 1955, já com Kruchtchev no poder.







3. Comunismo na Ásia

Na Ásia, ao contrário do que aconteceu na Europa, a implantação da maior parte dos regimes comunistas não se ficou a dever à intervenção directa da URSS (a única excepção foi a Coreia).

3.1. O caso da Coreia

A Coreia, que tinha sido ocupada pelos japoneses, com o fim do conflito foi libertada em conjunto pelos EUA e pela URSS. Contudo, estes não se entenderam no que se referia ao futuro político do país, facto que originou a divisão da Coreia em duas partes:


- A norte, a República Popular da Coreia, comunista, contava com o apoio da União Soviética e, como iremos ver mais à frente, da República Popular da China;


- A sul, a República Democrática da Coreia, conservadora, apoiada pelos EUA.


Encorajada pelo apoio sino-soviético, a Coreia do Norte invade ,em 1950, a Coreia do Sul. Instala-se assim uma sangrenta guerra entre as duas Coreias e o confronto indirecto das duas superpotências (URSS e EUA). Durante este conflito viveram-se períodos de grande tensão entre os dois blocos (capitalista e comunista), nos quais chegou mesmo a haver ameaças de recurso a armas nucleares por parte dos EUA. Contudo, perante o esgotamento de ambas as partes, a 27 de Julho de 1953, em Panmunjon, chegou-se à assinatura do armistício e ao restabelecimento das fronteiras iniciais. Que se mantêm até aos dias de hoje, e dividem os dois Estados rivais.


3.2. Os Outros Casos
             
  • A China


Desde 1927 que a China era palco de uma guerra civil, que opunha os comunistas e os nacionalistas. Em simultâneo, o Japão continuava a sua política expansionista na China (já tinha ocupado a Manchúria), no entanto, os nacionalistas, que se encontravam no poder, liderados por Chang Kai-Chek continuavam a dar prioridade ao combate contra os comunistas. Contudo, em 1937, comunistas e nacionalistas unem-se com o objectivo de expulsar os japoneses da China, suspende-se assim a guerra civil que dá lugar à segunda guerra sino-japonesa. Em 1945 a guerra contra o Japão termina visto que estes tinham saído arrasados da 2ª Guerra Mundial, reinicia-se, assim, a guerra civil.

Os comunistas agrupados em torno de Mao Tsé-Tung – Presidente do Partido Comunista Chinês desde 1935 – eram apoiados pela União Soviética. Quanto aos nacionalistas liderados por Chang Kai-Chek contavam com o apoio dos EUA.
Mao Tsé-Tung

Chang Kai-Chek




























Contudo, face à decomposição do campo nacionalista e à suspensão da assistência dos EUA – devido às acusações dos generais Stilwell e Marshall contra a imensa corrupção do regime de Chang Kai-Chek – a ofensiva por parte dos comunistas torna-se avassaladora. Tomam Xangai e Cantão quase sem qualquer resistência. Finalmente, a 1 de Outubro de 1949, Mao, na varanda de Tian’na men***, proclama a Republica Popular da China. Chang Kai-Chek e os seus apoiantes retiram-se para a Ilha Formosa (Taiwan), onde se conseguiram entrincheirar graças ao apoio renovado dos EUA. O conflito terminou assim com a coexistência de duas Chinas: no continente, a Republica Popular da China, comunista, e na Ilha Formosa (Taiwan) a Republica da China, nacionalista ****.   
               


 Relações com a URSS

Com o fim do conflito, e apesar de o apoio soviético não ter sido um factor decisivo para a vitória dos comunistas na China, Mao, juntamente com o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Chou En Lai, firma, em Moscovo, um Tratado de Amizade, Aliança e Assistência Mutua com a URSS. Estes acordos colocavam a China sobre a influência soviética, que inicialmente segue o modelo político e económico russo.
Porém, Mao teve de adaptar o socialismo às particularidades da China (maoísmo), país rural onde o operariado tinha pouca expressão, daí atribuir grande importância ao campesinato. Outro ponto de divergência, era que Mao afirmava que as mudanças revolucionárias deviam partir das massas e nunca deviam ser impostas pelas estruturas governativas. Para além do afastamento a nível ideológico, o comunismo chinês também divergiu a nível económico do modelo soviético.




Em 1953 Estaline morre e é substituído por Kruchtchev, durante o governo deste as divergências entre os regimes aumentam e levam à separação dos dois. Kruchtchev, que criticava avidamente as acções de Estaline, leva a cabo uma “desestalinização” da URSS e defende uma coexistência pacífica com os EUA. Ora, Mao discorda totalmente das políticas de Kruchtchev, levanta varias vezes a voz em defesa de Estaline, acusa o líder da URSS de não ser “ um genuíno marxista-leninista” e de “não ouvir as massas” servindo os interesses das camadas privilegiadas da sociedade soviética e dos imperialistas (dos EUA). Em retorno, Kruchtchev devolvia as criticas acusando Mao de aventureirismo e de ser “um pequeno-burguês cujos interesses são estranhos aos dos trabalhadores".


Critica de Mao a Kruchtchev







Critica de Kruchtchev a Mao


































A partir de 1961, verifica-se o afastamento dos dois regimes. O modelo chinês apresentou-se como uma alternativa política à URSS e um modelo revolucionário para os países do Terceiro Mundo. A China teve no entanto um papel importante na divulgação do comunismo, participando activamente na Guerra da Coreia e na guerra de libertação da Indochina.


  •       A Indochina


Ho Chi Minh
No fim da Segunda Guerra Mundial, a retirada japonesa da Indochina Francesa (invadida durante o conflito) deixou implantado um vigoroso nacionalismo e fortes sentimentos anti-franceses. Assim, quando a França retoma o controlo, os nacionalistas e comunistas indochineses, dirigidos por Ho Chi Minh, antigo líder comunista, não conformados com esta situação, empreenderam por uma luta de guerrilhas contra as tropas coloniais francesas. Os erros militares, políticos e psicológicos do comando francês, adicionados à desordem interna da metrópole, colocaram os colonizadores franceses numa posição difícil. A derrota francesa na batalha de Dien Bien Phu ( 7 de Maio de 1954) foi decisiva  e levou a que o governo francês solicitasse o armistício. A isto sucederam-se, os acordos de Genebra ( 21 de Julho de 1954) que estabeleceram a criação de três novas nações : O Camboja, o Laos e o Vietname dividido em:

- Vietname do Norte, comunista, liderado por Ho Chi Minh (apoios: Republica Popular da China e URSS) Procurando expandir o comunismo a China e a URSS apoiam o Vietname do Norte.

- Vietname do Sul, liderado pelo ditador Ngo Dinh Diem. (apoios: EUA) Decididos a conter o expansionismo do comunismo, os EUA apoiam o regime do Vietname do Sul.

 Apesar da divisão, existiam, como podia ser de esperar, conflitos entre os dois Estados do Vietname. Estes conflitos desembocaram numa guerra (Guerra do Vietname) que envolveu os apoios da URSS e da China ao Vietname do Norte e o apoio dos EUA ao Vietname do Sul.


   (para passar ideia da Guerra do Vietname deixo este video de uma musica que roda em torno do testemunho de um combatente americano, que ganhou durante a guerra a alcunha de "Rooster", ou seja, "galo" em português  ( titulo da musica))

                                    letra:  http://www.vagalume.com.br/alice-in-chains/rooster.html

A corrupção e o imobilismo administrativo no Vietname do Sul apresentaram-se como um entrave à acção norte-americana que se viu confrontada por uma hábil política interna e externa do Regime de Ho Chi Minh. Face a isto os sul-vietnamitas e os americanos não conseguiram mais que escassos êxitos militares. Face a este fracasso, os EUA iniciam, em 1968, a retirada das tropas. Com isto, nada podia impedir as ofensivas do Vietname do Norte que, em 1975, tomam a capital sul-vietnamita (Saigão). Após isto, em 1976, dá-se a união do Vietname, que se apresenta como um regime comunista.

Quanto aos outros Estados que anteriormente figuravam na Indochina, estes também aderiram ao comunismo. O Camboja em 1954 e o Laos em 1975.

… Na América Latina e na África

A influência soviética, durante os anos 60 e 70, estendeu-se à América Latina e à África.



  • Cuba


O ponto mais importante do expansionismo do comunismo na América Latina foi Cuba, visto que se tratava de um bastião avançado do comunismo mesmo “às portas” dos EUA.

Independente do domínio espanhol desde 1898, Cuba rapidamente entra na esfera de influência americana. O país era afectado por uma agitação política constante, pela miséria no campesinato e por profundos atrasos estruturais, no entanto, os regimes ditatoriais apoiados pelos Estados Unidos recorriam à força e à repressão para manter a ordem. Isto levou a população (operários, desempregados…) se começasse a opor a esta situação




Fidel Castro
Manifestações desse descontentamento surgem, por exemplo, em Julho de 1953, quando o jovem advogado Fidel Castro lidera cerca de 120 homens num ataque a uma caserna militar em La Moncada, em Santiago de Cuba. O ataque fracassa e os seus participantes são presos. Depois do exílio no México onde conhece Che Guevara, medico argentino. Castro regressa a Cuba juntamente com Che e alguns exilados. A partir de 1958, iniciam ataques ao Regime de Fulgêncio Batista – ditador no poder desde 1952. Os guerrilheiros ganham rapidamente o apoio da população, o que levou a um crescente descrédito e impopularidade de Batista, que por sua vez esteve na origem da retirada do apoio dos EUA ao ditador.


Che Guevara


A 1 de Janeiro de 1959, os revolucionários tomam a capital, Havana, e derrubam finalmente o regime ditatorial.




( este video é uma parte de um documentário sobre a revolução cubana, contem imagens da altura. Esta parte incide sobre a tomada de Havana pelo revolucionários e a situação pós- revolução) 

Ainda que inicialmente a revolução não tenha ligações com a URSS, o carácter socialista do novo governo cubano que se manifesta, por exemplo, na reforma agrária levada a cabo por Fidel Castro (Chefe do governo) que consistia na expropriação de terrenos agrícolas, sem indemnizações, levaram à desconfiança e hostilidade por parte dos EUA, que em 1961, cortam relações diplomáticas com Cuba e tentam derrubar o Regime (tentativa falhada do desembarque dos exilados anti-castristas apoiados pelos EUA na Baía dos Porcos).

Em consequência, Fidel Castro aceita o apoio da URSS, e assim Cuba torna-se um importante bastião do comunismo na América Central. A influência soviética em Cuba acaba por se confirmar com a Crise dos Mísseis de Cuba. Em 1962, aviões americanos obtém provas fotográficas da instalação de mísseis russos em Cuba, que punham em risco o território americano. O Governo norte-americano, mais propriamente o presidente Kennedy, exige a retirada dos mísseis, Kruchtchev consente, no entanto, os EUA deveriam comprometer-se a não tentar derrubar o regime cubano.

Cuba teve um papel bastante interventivo na propagação do comunismo, apoio a guerrilhas marxistas na Guatemala, no Nicarágua e em El Salvador (países que vão enveredar pelo comunismo) e o envio de contingentes cubanos que ajudaram à instauração dos regimes comunistas em Moçambique e na Angola, na África.


… Na África

A chegada do comunismo a África coincidiu com a 2ª vaga de descolonização que tinha iniciado em 1960. Durante os anos 60 os revolucionários cubanos, incluindo Che Guevara, percorrem as savanas africanas no apoio aos movimentos independentistas. O marxismo-leninismo encontrou uma grande permeabilidade por parte dos países africanos recém-descolonizados, são exemplos as ex-colónias portuguesas de Angola e Moçambique, que nos anos 70, enveredaram pelo comunismo.
    


4. Opções e realizações da economia de direcção central



4.1. URSS

A Segunda Guerra Mundial apresentou-se como uma interrupção dos sucessos económicos que os planos quinquenais que tinham sido progressivamente lançados por Estaline desde 1928. O conflito trás assim uma acentuada quebra na produção industrial, o que se vai manifestar numa degradação da situação económica da soviética. Era assim extremamente necessário restaurar o sector produtivo.

  • As opções de Estaline

Desta forma, Estaline retorna ao modelo da economia planificada, que se materializa com o lançamento dos planos quinquenais:

O IV plano quinquenal que se estendeu de 1946 a 1950 incidiu:

- No desenvolvimento da indústria pesada, mais especificamente nos sectores siderúrgico e hidroeléctrico, considerados por Estaline como estruturantes na recuperação económica da União Soviética e na sua afirmação no mundo industrializado do século XX.

- Ao mesmo tempo, no investimento na investigação cientifica, que no contexto de Guerra Fria que se vivia, tinha como objectivos a produção de armamento e a conquista do espaço interplanetário

- Na criação e recuperação de infra-estruturas e vias de comunicação.    
Quanto ao V plano quinquenal (1951-55):
- Continuou a dar prioridade à indústria pesada, à criação de infra-estruturas e as vias de comunicação

Resultados:

A nível industrial, foram um sucesso:

- Em 1949, a URSS já produzia a bomba atómica;

- Em 1957, a União Soviética tornou-se na pioneira da corrida espacial com a colocação em orbita do primeiro satélite artificial (Sputnik 1);
Sputnik 1

- No fim da década, apresentava-se como segunda potência industrial do Mundo.


No entanto, nem tudo foi positivo, a orientação dada por Estaline trouxe problemas:

   A) A prioridade absoluta dada à indústria pesada levou a que as condições de vida da população se degradassem, pois:

 - Sectores como a agricultura, a indústria de bens de consumo, a construção habitacional, o sector terciário foram negligenciados.

  - Adicionado à já referida falta de investimento na agricultura estava a má gestão do sector e o desalento dos camponeses. Tudo isto se reflectiu negativamente na produção. As longas filas para a obtenção de bens de primeira necessidade passaram a fazer, assim, parte do dia-a-dia da população. O Leste que anteriormente exportava cereais via-se agora forçado a importa-los.
Analise de Kruchtchev sobre a situação da agricultura na URSS


A crescente industrialização fez algumas cidades a um ritmo tão rápido, que a população se começou a amontoar em bairros periféricos insalubres onde existia falta de estruturas de saneamento. 


   B) Os próprios planos de fomento apresentaram-se como um entrave ao progresso:
  
   - Por um lado, porque tirava a autonomia às empresas em funções importantes como a escolha dos preços, dos fornecedores, dos clientes, dos trabalhadores ou dos equipamentos, assim como reduzia ao mínimo factores como o risco de investimento;

   - Por outro, pois pretendia-se apenas cumprir o que estava no papel, descuidando factores como o potencial de rentabilidade da mão-de-obra e dos equipamentos ou a qualidade dos produtos.

  C)Por fim, os excessos do centralismo - o Estado geria todas as actividades económicas do país – originaram um forte aparelho burocrático que constitui um obstáculo à capacidade de iniciativa e ao crescimento

  • As acções de Kruchtchev
Nikita Kruchtchev

Em 1953, Kruchtchev sucede Estaline na direcção da URSS. Este tinha uma visão muito diferente do seu antecessor, por isso mesmo leva a cabo uma “desestalinizaçãoda URSS. Kruchtchev, ao contrário de Estaline, defendia uma “coexistência pacífica” com os EUA, chega a visitar duas vezes os Estados Unidos ( 1959 e 1962).


Ciente dos erros do seu antecessor, Kruchtchev toma medidas para fazer frente aos entraves económicos referidos acima e melhorar as condições de vida da população, para tal:

- Investe na agricultura, na Industria de bens de consumo. No sector da agricultura lança um programa de arroteamento das “terras virgens” da Sibéria e do Cazaquistão. Este plano falha redondamente, devido à erosão dos solos e à instabilidade climática destas regiões;

Investe no sector da construção habitacional ( em 10 anos o parque habitacional cresceu 80 %);

Reduz a duração do trabalho semanal (de 48 para 42) e da idade da reforma que pela primeira vez se estende aos trabalhadores agrícolas;

- Cria um sistema de atribuição de prémios aos trabalhadores mais activos (procura incentivar a produtividade);

Substitui os rigorosos planos quinquenais por planos septenais, assim a economia apesar de continuar planificada no entanto está sujeita a planos anualmente ajustáveis

Contudo, os resultados destas medidas ficaram aquém das expectativas, visto que, não foram capazes de relançar, de forma duradoura, as economias do bloco socialista.


Como podemos verificar neste gráfico verifica-se ainda um grande atraso face aos países ocidentais
  • Brejnev e os anos de estagnação

Kruchtchev é afastado do poder a 14 de Outubro de 1964, e pela primeira vez na história da URSS o sucessor foi imediatamente escolhido. Leonidas Brejnev foi o homem elegido para ocupar o cargo de líder da União Soviética.
Leonidas Brejnev




A era Brejnev, que durou quase 20 anos, é marcada por:

Uma estagnação política e económica. A nível politico visto que as estruturas de poder soviéticas entraram numa fase de imobilismo, o que vai afectar seriamente a economia. A nível económico devido às opções tomadas por Brejnev e a persistência de bloqueios económicos;

- Regresso ao culto da personalidade, Brejnev é condecorado sete vezes com a ordem de Lenine e eleito três vezes herói da União Soviética;

- Reforço do poder dos burocratas, a burocracia alastra-se o que por sua vez vai contribuir para a estagnação económica;

- Uma enorme onda de corrupção associada ao reforço da burocracia.

Ainda assim, no inicio dos anos 70, são feitos esforços para racionalizar o sistema produtivo. As empresas obtêm uma certa margem de manobra e tenta-se levar os trabalhadores a produzir mais através do uso de “fundos de incentivo”. Estas medidas não têm qualquer resultado positivo devido ao reforço da burocracia. Assim, a partir de 1972, Brejnev volta a dar grande prioridade à indústria pesada, em particular no domínio militar. Isto vai-se manifestar no 9º e 10º plano quinquenais, de 1971 a 1975 e de 1976 a 1980, respectivamente. Estes planos previam o reforço do complexo militar-industrial assim como a exploração de recursos naturais ( ouro, petróleo e gás) da Sibéria, este ultimo vai acarretar elevados custos para a economia soviética, contribuindo assim para a estagnação económica.

No sector industrial, a situação de subemprego ***** da mão-de-obra conduzia a uma baixa produção. Verifica-se assim a escassez dos bens de consumo.

Quanto à agricultura, o cenário tornou-se ainda mais catastrófico, devido à falta de infra-estruturas e ao, já referido a cima, fracasso das campanhas de arroteamento das terras virgens no Cazaquistão e na Sibéria (campanhas iniciadas por Kruchtchev), o país teve de importar cereais de forma massiva (entre 1979 e 1984 foram exportados cerca de 40 milhões de toneladas por ano).

A nível demográfico, a deterioração das condições de vida da população que foi agravada pela estagnação económica levou a que, entre 1970 e 1980, a esperança média de vida na URSS recua-se dos 69,3 para os 67,7 anos, e que a mortalidade infantil aumenta-se de 24,7 para 27,3.

4.2. Economia nos países do Leste e os efeitos das dificuldades soviéticas

Os países socialistas de Leste, com a excepção da Jugoslávia, seguem o modelo económico soviético. Assim, levam a cabo um processo de centralização dos meios de produção no Estado (nacionalizações) de acordo com o marxismo e com o modelo soviético. A nível de prioridades é, tal como na URSS, dada uma grande importância à industria pesada.
Com isto, as democracias populares de Leste, com a excepção da Checoslováquia e da RDA (republica democrática alemã) países essencialmente agrícolas, industrializaram-se muito rapidamente. Esta industrialização apresentou-se como um dos maiores sucessos das economias planificadas.





Contudo, à imagem da URSS, as condições de vida da população não acompanharam o ritmo da industrialização, muito pelo contrário degradaram-se, as cidades que cresciam a um ritmo acelerado devido á indústria não conseguiram dar resposta à população que se amontoava em bairros periféricos. As próprias cidades tinham falta de estruturas de saneamento. Quanto aos trabalhadores continuavam com horários laborais excessivos, os salários continuavam baixos e os bens de consumo escasseavam (os países de Leste que outrora exportavam cereais agora eram forçados a importa-los de forma massiva).

Este documento demonstra perfeitamente as condições de vida da população da URSS


As dificuldades da União Soviética fizeram-se sentir nos países comunistas de Leste que, face aos bloqueios económico inultrapassáveis, ruíram no fim dos anos 80.

5. Queda da URSS

Mikhail Gorbatchev
Em 1985, Gorbatchev sobe à liderança da URSS, numa altura em que para além dos problemas sócio-económicos já referidos, a União Soviética já estava a ser ultrapassada tecnologicamente pelos países ocidentais, assim como pelos novos países industrializados da Ásia ( por exemplo , o Japão) e já encontrava grandes dificuldades em arranjar aliados. Durante o seu governo esforça-se no sentido de uma abertura do sistema político (democratização) e descentralizar a economia – revolução a que deu o nome de Perestroika, traduzido à letra significa reconstrução levando assim ao desmembramento e à consequente queda da URSS em 1991.



Para terminar deixo esta famosa musica dos Scorpions que tem por nome Wind of Change ( Vento de mudança) que trata o sentimento que se instalou após a queda do muro de Berlim em 1989 e da URSS em 1991 e o consequente fim do Mundo bipolar: 
                                 letra : http://www.metrolyrics.com/wind-of-change-lyrics-the-scorpions.html



                                            
*- Centralismo democrático - Para aceder ao conceito ver este post.  


 ** - Construção do muro de Berlim - O muro de Berlim foi construído, pois  milhares de cidadãos da Alemanha Oriental utilizavam  Berlim como forma de alcançar a RFA . Quem “fugia” da RDA eram principalmente os quadros técnicos e jovens diplomados atraídos pelas melhores condições de vida oferecida pela RFA. Isto afectava gravemente a economia da RDA e ,principalmente, era um desprestigio para o bloco comunista. Neste sentido, é construído o muro de Berlim que se tornou no símbolo da Guerra Fria 

*** - Praça de Tian'an men - A praça de Tian’na men fica situada no centro da cidade de Pequim, capital da China

**** - Republica da China - A Republica da China não é reconhecida ainda nos dias de hoje pela Republica Popular da China como um Estado independente mas sim como um Estado rebelde 


***** - Subemprego - Situação em que a mão-de-obra só encontra trabalho periodicamente ou em que o número de oportunidades não alcança o de pessoal habilitado






Bibliografia:


História da Europa de Leste;  Soulet, Jean-François


História Universal Comparada; Resomnia Editores


Preparação para exame 12º História A ; Porto Editora


Guia de Estudo História A 12º ano ; Porto Editora; (edição 2011)


O Tempo da História - História A 12º ano- 2ª parte; Pinto Couto, Célia ; Monterroso Rosas, Maria 


Webgrafia:


Larousse


BBC


Infopédia

Infopédia (2)

Escola Secundária Católica Renaissance

Outros:

Apontamentos da aula


                                                        Trabalho realizado por: Tiago Conceição nº 25




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